O inverno em Santa Catarina tem uma identidade marcada por paisagens deslumbrantes que vão da geada nos campos da Serra até o vento que corta o litoral. No entanto, para além do charme das estações frias, a queda brusca na temperatura impõe desafios ao nosso sistema imunológico. E com este frio intenso que estamos passando, nada mais propício para dicas imunológicas.
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Do ponto de vista fisiológico, o corpo humano precisa fazer um grande esforço para manter a temperatura interna estável em torno dos 36°C. Quando nos expomos ao frio intenso, ocorre um fenômeno chamado vasoconstrição periférica, ou seja, os vasos sanguíneos mais superficiais se contraem para reter o calor nos órgãos vitais.
Nas vias aéreas, esse processo diminui a vascularização local e, consequentemente, reduz o aporte de células de defesa na mucosa respiratória. Acho que até aqui já deu para entender onde vamos parar, não é mesmo?
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Combinação de fatores
Além disso, os pequenos cílios que revestem nosso sistema respiratório, responsáveis por “varrer” os corpos estranhos para fora, tornam-se mais lentos e menos eficientes. Essa combinação de fatores biológicos deixa as portas abertas para que vírus e bactérias se instalem com maior facilidade.
Os dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC), apontam para um cenário dinâmico no comportamento das hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, quando comparado ao ano anterior.
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Enquanto o ano passado foi marcado por um volume substancial de hospitalizações decorrentes da Covid-19, o ano epidemiológico atual começou com uma redução drástica nos casos associados ao coronavírus.
Em contrapartida, houve uma antecipação e uma aceleração na circulação do vírus da Influenza e de Outros Vírus Respiratórios (OVR), como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Essa mudança fez com que o estado iniciasse o período de monitoramento com números de SRAG por Influenza superiores aos registrados no mesmo intervalo do ano anterior.
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Tendência de aumento
O monitoramento epidemiológico recente aponta um crescimento sustentado na tendência de longo prazo das internações por SRAG na região Centro-Sul do país, incluindo Santa Catarina. A principal força motriz por trás desse aumento tem sido a cocirculação da Influenza A e do VSR, afetando de maneira muito pronunciada os extremos de idade como idosos e crianças.
Embora o comportamento das internações por Covid-19 permaneça historicamente mais brando neste ano do que nos picos pandêmicos passados, a sobreposição sazonal da gripe e do VSR aumentou a taxa de ocupação hospitalar.
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Nos dias de frio rigoroso, como está semana, a nossa tendência natural é buscar abrigo em ambientes fechados, muitas vezes compartilhados e com pouca ou nenhuma circulação de ar. É nesse cenário de confinamento que vírus respiratórios sazonais encontram o ambiente perfeito para a transmissibilidade. Gotículas e aerossóis suspensos no ar propagam-se rapidamente, transformando salas de aula, escritórios e o transporte coletivo em focos de disseminação.
O resultado direto desse comportamento é o aumento expressivo na busca por atendimento médico devido a quadros de gripe, resfriados e infecções bacterianas secundárias.
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O que fazer?
Longe de soluções milagrosas, nosso cuidado, passa por atitudes simples, como manter a caderneta de vacinação atualizada contra a Influenza e outros patógenos respiratórios, garantir a ventilação cruzada nos ambientes mesmo em dias gelados e cultivar o hábito da higienização frequente das mãos. Proteger-se do frio intenso, vestir um bom casaco e deixar o corpo devidamente protegido. Estas são atitudes indispensáveis para mantermos nosso corpo aquecido e imune.
Por Sabrina Sabino, médica infectologista, formada em Medicina pela PUCRS, mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora de Doenças Infecciosas na Universidade Regional de Blumenau.
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