A Ilha do Campeche, um dos atrativos turísticos mais famosos de Florianópolis, teve uma redução significativa no número de visitantes nesta temporada. A queda nos meses de dezembro e janeiro em comparação com o ano anterior está na casa dos 10 mil visitantes. E isso é bom.
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Este foi o primeiro ano que a Ilha esteve sob gestão municipal, com maior fiscalização para o cumprimento do limite diário de visitantes, fixado em 800 pessoas. A prefeitura defende que a queda nos números mostra resultados positivos nas ações de fiscalização das embarcações que levam os turistas até a Ilha e também de preservação do local, que é uma Unidade de Conservação (UC) com a criação do Monumento Natural Municipal (MONA) no ano passado.
O professor de Ecologia e Oceanografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Paulo Horta, também vê como positiva a notícia da redução de visitantes no local, já que a ilha possui uma capacidade limite que deve ser respeitada para a manutenção dos seus ecossistemas.
— É sim uma notícia boa. A Ilha do Campeche, como qualquer ilha, tem capacidade de suporte definida por aquilo que é o limite ecológico dos ecossistemas que lá estão. Então, é muito importante sim ter respeito a esse elemento central. A fiscalização e a educação ambiental nessa direção, não só do visitante, mas daqueles que trabalham com o visitante, é muito importante — destaca.
Confira fotos da Ilha do Campeche
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O que mudou na Ilha do Campeche
A média de visitantes diários caiu de 738 visitantes para 400 sob a gestão municipal. Ainda, no mês de dezembro o limite diário de 800 visitantes não foi ultrapassado. Os dados são do Programa de Visitação e Conservação do Instituto Ilha do Campeche.
Ainda, no mês de janeiro de 2025, o número de visitantes foi extrapolado em 10 dias do mês, chegando a marca de 1883 pessoas em um único dia, muito acima do limite adequado para a conservação da Ilha. Já em janeiro de 2026 foram apenas 4 dias com extrapolação, atingindo até 852 visitantes em um único dia.
O território se tornou uma Unidade de Conservação (UC) com o Monumento Natural Municipal da Ilha do Campeche em 2025, ação que tem como objetivo proteger a biodiversidade e o patrimônio arqueológico, cultural e paisagístico do local. A Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) e a Guarda Municipal de Florianópolis (GMF) atuam de forma direta nas ações de fiscalização da região.
— A gestão da Ilha do Campeche, agora, sob responsabilidade municipal, marca um grande movimento na preservação e conservação desse patrimônio natural. É uma mudança que deve ser tratada como sinônimo de orgulho e os dados já apontam que todo o trabalho está sendo extremamente positivo. O objetivo agora é manter o que está dando certo e avaliar internamente o que podemos melhorar — afirma o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Alexandre Waltrick.
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Qual o resultado da redução de visitantes
A prefeitura de Florianópolis destaca que a redução no número de visitantes tem relação direta com a necessidade de compatibilizar o uso público do local com os objetivos de conservação da Unidade. Por se tratar de uma Unidade de Conservação, essa limitação de acesso reduz a pressão sobre os ecossistemas naturais, sobre os sítios arqueológicos e sobre a infraestrutura da ilha, reduzindo riscos de degradação ambiental e impactos cumulativos associados à visitação intensiva.
“Além disso, o controle do número de visitantes permite um melhor ordenamento das atividades, maior capacidade de fiscalização e monitoramento ambiental e mais segurança tanto para os visitantes quanto para a própria Unidade”, afirma a prefeitura.
O professor Paulo Horta cita entre os possíveis impactos positivos da redução de turistas a redução da produção de esgoto, assim como da poluição das embarcações e do pisoteio sobre a Ilha.
— A redução do número de turistas pode, por exemplo, diminuir o pisoteio, reduzir a produção de efluente, de esgoto, uma série de impactos que acontecem quando nós temos desde o deslocamento do barco até a chegada na praia, aos usos que são impostos daquele território, a caminhada pelas trilhas, o barulho, as luzes, para além dos efluentes, dos gases, da combustão da embarcação, acho que todos esses elementos são importantes de serem lembrados para que nós venhamos a entender os aspectos positivos da regulação do número de visitantes — destaca o professor.
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Paulo explica que existe um impacto imediato especialmente em organismos que estejam já próximos de seu limite fisiológico. A médio prazo outros resultados devem ser sentidos, como a recuperação da vegetação, que também resulta em uma maior visitação de aves, o que pode ajudar no longo prazo a unidade de conversação a preservar aquele local.
A prefeitura afirma ser cedo para mensurar os impactos da redução, por ser esta a primeira temporada em que a Ilha do Campeche é uma Unidade de Conservação, e por não existir um histórico consolidado para fins de comparação. Porém, os impactos positivos no cenário ambiental são esperados e devem trazer um cenário mais equilibrado que se mostrará ao longo do tempo, com a consolidação da gestão municipal.
“Importante destacar que muitos dos benefícios ambientais associados à redução da visitação são processos graduais, que se consolidam ao longo do tempo, à medida que os ecossistemas têm oportunidade de se recuperar e que a gestão da Unidade se estrutura de forma contínua, com base em monitoramento, fiscalização e planejamento adequado, o que inclui a elaboração e implementação do Plano de Manejo”, afirma a prefeitura.
MONA da Ilha do Campeche
A criação do Monumento Natural Municipal da Ilha do Campeche (MONA), medida, conduzida pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), foi oficializada em 19 de agosto do ano passado e, com isso, a gestão, antes atribuída ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e mediada pela Justiça Federal, ficou à cargo do município.
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Com a criação do MONA, o limite fica estabelecido em 770 visitantes por dia, podendo chegar a 800 pessoas nos meses de alta temporada, até a conclusão do Plano de Manejo, previsto para o início de 2026. O documento definirá regras para uso público, conservação e capacidade de carga da ilha, em conjunto com o IPHAN, que já havia tombado a área como patrimônio histórico e paisagístico em 2000.
Paulo Horta destaca que o MONA é importante para a manutenção dos sítios arqueológicos presentes na Ilha, assim como para a preservação dos ecossistemas da região. A visitação regulada garante um maior equilíbrio desses ecossistemas, o que tem papel essencial do ponto de vista social e ambiental diante dos objetivos de defesa da natureza.
— Ao se garantir esses ecossistemas, se garante o funcionamento da unidade e com que ela compra seu papel, sua missão. E é importante lembrarmos que é o dever do hoje preservar aquilo que é o futuro. Então é o nosso dever, o dever da nossa sociedade fazer esse processo de gestão do nosso território para as presentes e futuras gerações — finaliza.



































