Há dez anos, o planeta caminhava para um aquecimento de 4°C em relação aos séculos passados. Com isso, foi formulado o Acordo de Paris, tratado internacional negociado na COP 21, realizada na França em 2015. Agora, com metas de emissões dos diversos países que integram o acordo, a marca está em 2,6°C — o suficiente para evitar 57 dias de calor intenso. As informações são da Folha de S. Paulo.
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Apesar da boa notícia, o plano formulado em 2015 previa um aquecimento bem abaixo dos 2°C. O perigo de um mundo mais quente cresce a cada fração de grau Celsius, e deve ser amplamente evitada, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
— O Acordo de Paris é uma estrutura poderosa e juridicamente vinculativa que pode nos ajudar a evitar os impactos mais graves das mudanças climáticas — diz a professora de Ciência do Clima do Imperial College, Friederike Otto.
Os dados são do levantamento publicado pelo Climate Center e pelo World Weather Attribution (WWA), nesta quinta-feira (16). O artigo trabalha com quatro cenários de aquecimento e um de seus efeitos mais diretos: o número de dias de calor intenso no planeta.
Vale ressaltar que dias de calor intenso são aqueles em que a temperatura ultrapassa em mais de 90% as médias históricas locais. Nos primeiros meses deste ano, Santa Catarina viveu um período com ondas de calor intenso, com temperaturas acima de 40°C em certas regiões do Estado. A adesão ao Acordo de Paris serve como solução aos fenômenos climáticos, sentidos cada vez mais em Santa Catarina e em outras regiões do mundo.
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Além de SC, calor intenso atinge todo o planeta
O aumento na temperatura global de 0,3°C, verificado nos últimos dez anos, provocou 11 dias de calor intenso a mais na média mundial. Países como Kiribati e São Vicente e Granadinas registraram aumento de 35 dias. Em Svalbard, arquipélago norueguês localizado no Ártico, foram 19 dias a mais.
— É preciso olhar os números com ponderação. Mesmo em número menor, dias quentes em Svalbard, no Círculo Polar Ártico, podem ter consequências muito maiores — completou a especialista.
Na Amazônia, ondas de calor ficaram 10 vezes mais prováveis. Em 2023, a região registrou a estação seca mais quente da história, junto de outros recordes no sul da Europa, sudoeste dos Estados Unidos e noroeste da África.
Qual a probabilidade de calor intenso?
Além disso, o artigo estima o aumento da probabilidade dessas ocorrências provocadas pelo aquecimento global. No caso da região sudoeste dos EUA, o levantamento indica:
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- Aquecimento de 1,3°C (desde o Acordo de Paris): um evento de calor como o verificado em 2024 se tornou 86% mais provável e 0,3°C mais quente;
- Aquecimento de 2,6°C (fim do século, com as atuais metas de emissão): eventos raros como esse ficarão 1,7°C mais quentes;
- Aquecimento de 4°C (fim do século, estimativa anterior ao Acordo de Paris): eventos 3,5°C mais quentes.
COP 30 será realizada no Brasil
Realizada em novembro em Belém (PA), a COP 30 pretende debater as mudanças climáticas e o financiamento para a transição energética. O governo federal quer mostrar a Amazônia ao mundo e se apresentar como exemplo de preservação.
O governo federal ainda deve enfrentar alguns desafios. Em 2024, a região passou meses sob fumaça, incluindo o período em que a COP acontece este ano. Ainda mais, o Pará lidera o ranking de desmatamento na Amazônia, mesmo concentrando 25% do território da floresta.
Veja fotos de Belém
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*Sob supervisão de Luana Amorim
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