Um fenômeno atmosférico de escala global, conhecido como Oscilação Madden-Julian (OMJ), deve alterar o padrão do clima no Brasil, especialmente entre o fim de setembro e o início de outubro. Em Santa Catarina, o sistema pode favorecer as chuvas mais frequentes, mal distribuídas e até intensas em alguns momentos, conforme informou a Epagri/Ciram ao NSC Total.
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A chegada da fase ativa da OMJ, segundo a MetSul Meteorologia, deve favorecer movimentos ascendentes do ar, aumentando a instabilidade e abrindo espaço para a formação de nuvens de chuva.
O fenômeno ocorre justamente no período em que a temporada de furacões do Atlântico Norte atinge o ponto mais propício à formação de ciclones tropicais, o que amplia os impactos também sobre o continente americano.
No Brasil, os efeitos serão sentidos principalmente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul da Amazônia, áreas que costumam registrar forte estiagem entre julho e setembro. Cidades como Brasília, que não veem chuva há mais de 100 dias, poderão finalmente registrar precipitações — mesmo que de forma irregular e em pancadas isoladas.
A instabilidade também alcança o Sul do país, onde a chuva é comum na época do ano. Segundo Gilsânia Cruz, meteorologista da Epagri/Ciram, os modelos de previsão indicam mais chuva entre o Sul do Estado e a Grande Florianópolis durante a passagem de uma frente fria no dia 22 de setembro, quando começa a primavera.
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— Mas não é porque a Oscilação Madden-Julian (OMJ) está atuando que vai vir chuva e pronto. Não é só isso que precisa olhar. A gente tem que olhar diariamente as previsões para ver como vai ser a passagem dos sistemas — alerta a especialista.
Antes do dia 22, não há valores de chuva significativos previstos para o Estado, segundo a meteorologista.
— [Não podemos afirmar] que vai ter chuva intensa por causa do sistema, porque seria um erro grande. Até porque você pode ter uma chuva intensa no Leste catarinense, mas não no Oeste — esclarece.
O que é a Oscilação Madden-Julian?
Identificada nos anos 1970, a Oscilação Madden-Julian é um dos principais modos de variabilidade do clima tropical, e influencia sistemas meteorológicos em diferentes partes do planeta.
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No Brasil, o impacto do sistema é decisivo para a transição da estação seca para a chuvosa, funcionando como um “gatilho” para o retorno das precipitações.
Como será o tempo a partir de setembro em SC?
O restante de setembro deve ter “cara” de primavera em Santa Catarina em relação às chuvas antes mesmo da chegada da estação no dia 22 de setembro. Isso porque a previsão indica que o tempo ficará fechado em boa parte das próximas semanas. Depois, as características de uma “quase” La Niña devem inverter o cenário, especialmente no Oeste.
A previsão trimestral foi feita por meteorologistas de diferentes instituições do Estado que analisaram modelos meteorológicos durante a reunião do Fórum Climático nesta semana. Setembro, inclusive, foi o mês que apresentou as maiores incertezas aos profissionais devido à influência de diferentes fatores.
De modo geral, o indicativo é que o mês tenha chuvas com frequência, algo típico da primavera. Não são esperados grandes volumes, mas é importante lembrar que a estação é conhecida pelo aumento na quantidade de precipitação nas regiões em comparação ao inverno. Outubro e novembro, que também são meses chuvosos, devem ficar mais “equilibrados”, ou seja, dentro da média, nos pontos mais próximos ao Litoral e abaixo no Oeste por conta de uma famosa característica em uma porção do Oceano Pacífico: a La Niña.
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Oficialmente, para a ciência, não é possível que o fenômeno se forme em tão pouco tempo, já que são necessários cinco meses consecutivos com a temperatura da água abaixo de -0,5ºC para que haja uma La Niña. No entanto, subiu para 56% a possibilidade de formação do fenômeno durante a primavera, conforme o relatório da Administração Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos.
Esse resfriamento causa trocas diferentes com a atmosfera em relação ao aquecimento (El Niño) e interfere no clima global. Santa Catarina deve sofrer a influência de duas formas principais: com tendência de menos chuva no Oeste (na faixa Leste a circulação marítima deve ajudar a manter os volumes perto da média para o período) e aumentar o risco de fortes temporais, principalmente em novembro.
Já com relação às temperaturas, os especialistas acreditam que elas ficarão dentro da média no trimestre, exceto no Oeste, que junto com a diminuição das chuvas deve presenciar dias mais quentes que o habitual.
A “pseudo” La Niña deve voltar a dar lugar à neutralidade em 2026. Até lá, claro, o comportamento oceano-atmosférico pode mudar completamente. Atualizações são feitas mensalmente por pesquisadores de diversos países.
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Relembre dias de neve neste ano em SC
*Com informações do O Globo
**Sob supervisão de Luana Amorim
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