Após dias de crise interna e ameaça à pré-candidatura de João Rodrigues ao governo de SC, o PSD anunciou a proposta de abertura de um processo de expulsão do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto. O gesto foi encarado como resposta a afirmações de Topázio em uma entrevista de que irá apoiar o governador Jorginho Mello (PL) nas eleições de outubro, mesmo permanecendo filiado aos pessedistas. Uma reação do partido havia sido cobrada por João Rodrigues para manter os planos de concorrer a governador pela legenda.

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As afirmações de Topázio Neto de apoio a Jorginho, no entanto, não são a única razão para a proposta de abertura de processo de expulsão do prefeito da Capital do partido. Desde a eleição de 2024, quando Topázio foi eleito para o segundo mandato com forte apoio de Jorginho Mello, que inclusive indicou a vice-prefeita Maryanne Mattos (PL), o partido já reconhecia que o prefeito de Florianópolis poderia retribuir o apoio a Jorginho na corrida pelo governo estadual em 2026. Topázio não foi visto, por exemplo, na maioria das agendas públicas feitas pelo PSD em cidades do Estado para divulgar a pré-candidatura de João Rodrigues. A expectativa, no entanto, era de que ele adotasse postura mais discreta, ao menos durante a construção da aliança do PSD.

Veja os pré-candidatos ao governo de SC em 2026

João Rodrigues reafirmou em coletiva nesta sexta-feira que permanece como candidato ao governo e seguirá no PSD. Lideranças da sigla próximas do prefeito João Rodrigues citam outros gestos de Topázio que teriam causado mal-estar e motivado a reação de cobrar uma providência interna de defesa da sua candidatura. Confira abaixo:

Declarações sobre Jorginho

O estopim para a crise foi, de fato, a entrevista desta semana de Topázio em que ele afirma que permaneceria no PSD, mas apoiaria Jorginho Mello nas eleições de outubro. O link da entrevista foi enviado por João Rodrigues no grupo de WhatsApp da cúpula do PSD, o que desencadeou uma discussão com o cacique estadual do partido, Jorge Bornhausen. Da discussão surgiu um anúncio de desistência de João feito por Bornhausen, e uma reviravolta com a entrevista em que João reafirmou a candidatura ao governo. A garantia de João se deu após o anúncio da votação do processo de expulsão de Topázio. O tema deve ser debatido em encontro na segunda-feira (16).

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Proximidade com Podemos

Outro fato que gerou desconforto com Topázio no PSD foi a aproximação dele com o Podemos, partido que hoje integra o arco de alianças do PL de Jorginho Mello, junto com o Republicanos. Há duas semanas, ganhou força a informação de que Topázio poderia se filiar à legenda, assumindo até mesmo a presidência do Podemos em SC. No entanto, a conversa não avançou, e Topázio passou a sinalizar a permanência no PSD.

Aliado no Podemos

Outro fato citado por lideranças do PSD é o fato de Topázio ter declarado apoio a deputado estadual ao seu ex-chefe de gabinete Fábio Botelho, que concorrerá pelo Podemos. Segundo o relato, o partido corria o risco de ter o prefeito da Capital na campanha eleitoral, mas vê-lo apoiando adversários, no mínimo, para deputado estadual e governador.

Convite a Sérgio Guimarães

Outro fato citado por fontes do PSD teria sido um convite de Topázio Neto ao deputado estadual Sérgio Guimarães (União Brasil) para se filiar a um partido do arco de alianças de Jorginho Mello para as eleições de outubro. O União Brasil é um dos partidos que negocia com o PSD um possível apoio à pré-candidatura de João Rodrigues e já teve nos últimos dias o desembarque de dois deputados estaduais, que se filiaram ao PL de Jorginho Mello (Marcos da Rosa e Jair Miotto). Topázio teria dado um telefonema a Guimarães, mencionado o convite e tentado marcar uma agenda para esta semana.

O receio das lideranças era de que o movimento de Topázio pudesse contrariar os interesses e as conversas do PSD pela candidatura de João. Como contraste, lideranças do partido citaram até o caso de Paulinho Bornhausen, que também é filiado ao PSD e faz parte do governo Jorginho Mello, mas que adotaria postura mais discreta, evitando declarações de apoio ou gestos em favor de Jorginho, focando na atuação como secretário (ele responde pela Secretaria de Articulação Internacional do governo de SC).

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O prefeito Topázio Neto não comentou a decisão anunciada pelo PSD até a noite desta sexta-feira.