Ele construiu um verdadeiro império longe dos holofotes — e até com certa timidez. Mas ao se tornar garoto-propaganda de um comercial em 2016, acabou se tornando uma das figuras públicas mais conhecidas do Brasil. Luciano Hang, de 63 anos, é o dono da Havan, que planeja chegar a 200 lojas em todo o país em 2026.

Continua depois da publicidade

O negócio, que está prestes a completar quatro décadas de história esse ano, deu ao catarinense um lugar de destaque no cenário nacional. O homem que abriu uma pequena loja em Brusque, no Vale do Itajaí, hoje aparece na lista da Forbes como a 32ª pessoa mais rica em solo verde e amarelo.

Com uma fortuna estimada em 2,3 bilhões de dólares e figura polêmica, ele atrai olhares de curiosos. O empresário topou um bate-papo com o NSC Total Blumenau para revelar coisas que nunca te contaram e falou sobre a pessoa Luciano Hang muito além do empresário. Veja a entrevista abaixo:

O que faz ao domingos?
Normalmente, descanso um pouco. Almoçamos em família, vejo, quando posso, um programa na TV. Antigamente, eu ia muito para a loja. Mas se eu vou para a loja, tenho que ficar preparado para passar muito tempo lá. Então, aproveito para descansar, ler um livro.

Tem um dia da semana dedicado à família?
Não, não dá para fazer isso. De segunda a sábado, tenho compromisso todos os dias. Aquele negócio de que você vai ter uma empresa para trabalhar menos, é mentira. Você trabalha muito mais. São 24 horas por dia, sete dias por semana, porque ou você está trabalhando no local de trabalho ou você está pensando na empresa. Não tem como você se desligar para a empresa dar sucesso, né? 

Continua depois da publicidade

Gosta de comer o quê?
A minha comida é muito simples. Quando eu viajava muito, sentia falta de arroz, de purê de batata e do frango à passarinho que mãe fazia muito bem. Eu continuo comendo comidas simples. Eu tenho ainda muita lembrança da infância, quando a comida do final de semana era uma maionese, um pedaço de carne, um frango. Tudo simples, sem muita sofisticação.

Veja linha do tempo da evolução da Havan

Pratica algum esporte nas horas vagas? Acompanha futebol?
Eu me acordo e vou para a academia todo dia se eu estiver em Brusque. Porque acho que é um dever que a gente tem. Quando você tem algum dever e não faz, fica em débito consigo mesmo. Então, acordo, faço uma hora de academia e vou para a Havan.

Quando assumiu a careca? Já recebeu proposta de empresa para transplante capilar?
Acho que com uns 35, 36 anos. Primeiro caiu o centro, depois foi ficando ralo. Um dia fui ao barbeiro, olhei e disse: corta tudo. E foi, assim, uma surpresa até para minha esposa. Porque eu não perguntei pra ninguém, porque aquilo já estava me incomodando.

Eu tinha um cabelo revoltado. Precisava tomar banho de manhã para arrumar o cabelo. E isso perdia muito tempo. Hoje corto o cabelo todo dia com gilete. Quem é careca assumido sabe o quanto é bom ser careca. Só tem três problemas: o dia que dá muito sol, o dia que dá muito frio e o dia que chove.

Uma extravagância que o dinheiro já permitiu cometer?
Olha, eu estou aqui num local onde eu trabalhei (na Fábrica de Tecidos Carlos Renaux). Meu avô trabalhou aqui nessa fábrica por 57 anos. Meu pai, por 42 anos. Minha mãe, por 30 anos. Eu trabalhei por sete anos. Todos operários. E depois, por infortúnio da vida, a Renaux fechou e nós tivemos a oportunidade de comprar. Hoje a gente transformou isso aqui de novo em várias fábricas, tem mais de mil colaboradores trabalhando aqui.

Continua depois da publicidade

Eu não digo que é algo extravagante, mas algo que dá muito prazer. Essa fábrica aqui, ela é um ícone pra cidade, ela é a história da cidade. O grupo Renaux representou muito para as famílias de Brusque e, principalmente, para minha família que trabalhou aqui.

Lembra quando ganhou o primeiro R$ 1 milhão?
Olha, quando eu tinha 30 anos, a nossa empresa faturou R$ 1 milhão. A Havan nasceu pequena, com um colaborador, 45 metros quadrados, aqui na Avenida Primeira de Maio. E desde o princípio fez sucesso. É claro que você fica muito feliz com o faturamento, que é a primeira linha, mas o brasileiro precisa estar feliz com a última linha, que é o lucro.

Mas quando o Luciano Hang teve R$ 1 milhão na conta?
Essa é muito boa, porque eu falo sempre que a Havan é uma empresa rica de um dono pobre. Todo o dinheiro que ganhei, eu investi na empresa. Quando você é um empreendedor, quando você gosta da sua empresa, é lá que vai o dinheiro.

Por exemplo, eu sempre frequentei muito Balneário Camboriú com os meus pais, indo nas casas dos meus tios, que tinham casa na praia. Depois compramos uma pequena casa para o meu pai. Mas eu só fui comprar um apartamento na praia quando eu tinha 40 anos de idade. Eu podia ter comprado, de repente, no primeiro, segundo, terceiro ano da Havan, mas não.

Continua depois da publicidade

Todo o dinheiro foi para comprar estoque, para ter contas a receber, para fazer a empresa crescer, ou comprar maquinário, ou comprar terreno, ou abrir nova loja. A prioridade minha sempre foi a nossa empresa. Então, quem pensa primeiro na empresa e depois na vida particular, é claro que a empresa vai muito bem. 

Luciano Hang tem 63 anos e é o dono da Havan (Foto: Instagram, Reprodução)

Já fez alguma grande burrada nos negócios?
Várias. Mas você não deve dar bola para os erros que comete, eles fazem parte do aprendizado. E quem muito faz, erra mais. Se achar que não pode errar, você não faz nada. Os erros te ensinam a pegar caminhos melhores depois.

Eu não comecei com a Havan. Primeiro tive fábrica de toalhas, depois malharia, tinturaria, bar, vários negócios. E aí, com o decorrer do tempo, comecei com tecido. Depois, fui para a loja de R$ 1,99, bazar. Acho que a vida é de acertos e erros, erros e acertos, até você achar o caminho certo.

O que te irrita?
Olha, a burocracia. O Brasil é aquele país que tem tudo para dar certo e não consegue sair de lugar nenhum devido à burocracia. Parece que tudo trabalha contra você. Eu sou empreendedor e quem é empreendedor vive de sonhos, de realizações de sonhos, de querer fazer. Não de querer fazer para ganhar dinheiro para si, até porque chega um certo momento da vida que você tem mais do que precisa para o resto da sua vida, mas por transforma a vida de outras pessoas. 

Continua depois da publicidade

Então, em um país onde os empreendedores podem sonhar e realizar e andar com velocidade, esse país gera uma quantidade de emprego tão grande e melhora a vida da população. Um país onde nada pode fazer de certo, tudo pode fazer de errado. Você não pode construir uma fábrica em determinado lugar, mas ocupação pode. Algo que eu noto muito no Brasil, por exemplo, é a falta de moradia, a falta de novos loteamentos, que demora de cinco a 10 anos pra você conseguir. Agora, ocupação pode.

Parece que no Brasil tudo é feito para que nada seja feito. Isso é muito triste.

O que te deixa feliz?
Quando eu vejo as coisas andando, as empresas indo bem, gerando emprego. Chega certo o momento da sua vida em que você se sente mais feliz com a felicidade dos outros e não com a própria
felicidade. Quando você vê uma empresa como a Havan fazendo 40 anos de história, onde nós temos 25 mil colaboradores vivendo felizes, num ambiente de trabalho maravilhoso, ganhando bem, vivendo
bem, realizando seus sonhos profissionais, essa é a minha grande felicidade.

Megaempresário começou a aparecer na mídia em 2016, após polêmica envolvendo fake news (Foto: Instagram, Reprodução)

Tem algum tipo de negócio que você simplesmente não faz?
Veja bem. Com 40 anos de experiência, eu vou fazer daqui para frente aquilo que deu certo. Vou continuar investindo na Havan e em alguns lugares ainda que nós temos, como o Senna Tower que está saindo do solo. E negócios que eu já comprei há muito tempo e vou terminar. Mas o foco é a Havan. É o que eu gosto de fazer.