Um funcionário terceirizado da Companhia Águas de Joinville precisou prestar esclarecimentos à Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina nesta quinta-feira (26). Isso porque o homem criou uma imagem falsa de uma onça-pintada, o maior felino das Américas, dentro da Estação de Tratamento de Água (ETA) Piraí. A foto ganhou as redes sociais.
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Veja fotos
Após uma investigação, a Polícia Ambiental chegou até o nome dessa pessoa, que assumiu que criou a imagem com a utilização de ferramentas de inteligência artificial. A foto foi compartilhada no grupo de mensagens internas da companhia, mas rapidamente chegou às redes sociais.
De acordo com a Companhia Águas de Joinville, o funcionário gerou a foto com o objetivo de fazer uma brincadeira com outras pessoas.
“O autor da imagem, que é um funcionário terceirizado, foi identificado e orientado pela Companhia sobre o risco de reproduções de imagens como esta que podem induzir a população ao erro”, afirmou a companhia.
Onças-pintadas em SC
O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) estima que há menos de 50 indivíduos adultos de onça-pintada, Panthera onca, em vida livre no Estado, sendo o último registro há mais de 40 anos.
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Dois pesquisadores reuniram e analisaram 16 registros fotográficos históricos da espécie em território catarinense e conseguiram traçar um quadro da presença do animal no Estado, a maioria nas regiões Oeste, Norte e Vale do Itajaí.
Confira os registros
As informações reunidas pelo estudo sugerem que a onça-pintada teve larga distribuição em Santa Catarina. Porém, a estimativa da área de ocupação da espécie de forma precisa é difícil. O estudo foi publicado no periódico internacional de biologia Journal of Threatened Taxa (algo como Periódico das Espécies Ameaçadas).
O estudo foi feito por Pedro Henrique Amancio Padilha, estudante de Medicina Veterinária da Universidade da Sociedade Educacional de Santa Catarina (UniSociesc) unidade Joinville, e pelo professor e biólogo Jackson Fábio Preuss, pesquisador da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc). Segundo Padilha, a pesquisa nasceu da inquietação diante da ausência de informações sistematizadas sobre a onça-pintada em Santa Catarina.
— Sempre me intrigou muito saber por que ela desapareceu, apesar de a gente ainda ter vastas extensões de mata nativa no Estado. Quando eu comecei a procurar, percebi que praticamente não existia material sobre Santa Catarina, enquanto outras regiões do país eram muito mais documentadas — declarou o pesquisador.
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O estudo mostrou uma triste realidade sobre a diminuição da população de onças-pintadas no Estado. Os principais fatores foram: caça predatória, de retaliação e esportiva, para mostrar o animal como um troféu; perda de habitat; perseguição por medo do animal, apesar de ataques de onças a humanos serem raros; declínio da população de presas para a onça.
Nas fotos, a predominância de onças caçadas sugere que esse foi um fator central para o declínio da população da espécie em Santa Catarina. Do total de registros, 13 correspondem a animais abatidos e apenas três a indivíduos capturados vivos.
A perda de habitat também é considerada, já que isso forçou as onças para áreas de habitação humana. Nesses locais, elas foram abatidas por fazendeiros em retaliação por ataques aos animais criados nessas propriedades.
Além disso, o medo também é fator, já que, desde a época da colonização, a onça é associada a risco à vida humana. Os ataques do animal a pessoas são raros, mas esse temor justificava uma forma de “abate preventivo” da espécie. Em relação à falta de presas para a onça, elas também desapareceram por causa da caça ilegal.
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