O ano de 2026 marca o fim dos orelhões no Brasil. Os telefone públicos, que durante décadas foram quase indispensáveis para a comunicação da população, começaram a ser retirados das ruas após o fim das concessões do serviço de telefonia fixa no país.

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Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda existem 38 mil aparelhos espalhados pelo país. A maior concentração está em São Paulo, com quase 28 mil aparelhos. Bahia e Maranhão também contam com mais de mil unidades, enquanto Santa Catarina tem apenas 95 orelhões.

A retirada em massa ocorre após o encerramento das concessões das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos (Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica), que deixaram de ter obrigação legal de manter telefones públicos nas ruas.

SC ainda tem 94 orelhões, a maioria em cidades pequenas

Em Santa Catarina, há, no total, 94 orelhões, todos operados pela Oi, conforme dados da Anatel. Do total no Estado, 65 aparelhos seguem ativos, enquanto 29 constam como “em manutenção”.

A maioria está instalada em municípios de pequeno porte, geralmente com apenas um ou dois aparelhos por cidade. O município com maior número é Mafra, no Norte catarinense, onde ainda existem seis telefones públicos.

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Veja as cidades que ainda tem orelhões em SC

  • Abelardo Luz (Linha Criminacio): em manutenção
  • Abelardo Luz (PA Indianópolis): em manutenção
  • Abelardo Luz (PA Novo Horizonte): ativo
  • Abelardo Luz (PA Roseli Nunes): em manutenção
  • Alfredo Wagner (Catuíra): em manutenção
  • Angelina (Barra Clara): ativo
  • Anita Garibaldi (Lagoa da Estiva): ativo
  • Bela Vista do Toldo (Colônia Ouro Verde): ativo
  • Benedito Novo (Santa Maria): ativo
  • Bom Retiro (Barbaquá): ativo
  • Botuverá (Águas Negras): em manutenção
  • Botuverá (Ribeirão do Ouro): ativo
  • Campo Alegre (Santana): ativo
  • Campos Novos (Distrito Bela Vista): ativo
  • Campos Novos (Ibicuí): ativo
  • Campos Novos (PA 30 de Outubro): em manutenção
  • Canoinhas (Fartura de Baixo): ativo
  • Canoinhas (Paciência dos Neves): ativo
  • Canoinhas (Paula Pereira): ativo
  • Canoinhas (Salseiro): em manutenção
  • Capão Alto (Paiquerê): ativo
  • Catanduvas (Vera Cruz): em manutenção
  • Cerro Negro (Cruzeirinho): ativo
  • Concórdia (Linha Três de Outubro): em manutenção
  • Curitibanos (Santa Cruz do Peri): ativo
  • Doutor Pedrinho (Forcação): ativo
  • Forquilhinha (Sanga do Engenho): em manutenção
  • Frei Rogério (Salto Correntes): ativo
  • Gaspar (Gaspar Alto): ativo
  • Gaspar (Gaspar Alto Central): ativo
  • Herval d’Oeste (Sede Belém): ativo
  • Ilhota (Alto Baú): ativo
  • Imaruí (Figueira Grande): ativo
  • Imaruí (Tekoa Marangatu): ativo
  • Imaruí (Vila Herculano): em manutenção
  • Ipira (Filadélfia): ativo
  • Ipumirim (Bom Sucesso): ativo
  • Ipumirim (Bonito): ativo
  • Irineópolis (Colônia Santo Antônio): ativo
  • Itá (Adolfo Konder): em manutenção
  • Itaiópolis (Rio da Estiva): ativo
  • Itapiranga (Beleza): em manutenção
  • Itapiranga (Santo Antônio): ativo
  • Itapoá (Saí Mirim): em manutenção
  • Jacinto Machado (Pinheirinho do Meio): ativo
  • Jacinto Machado (Sanga da Paca): em manutenção
  • Jacinto Machado (Serra da Pedra): ativo
  • Jaraguá do Sul (Alto Garibaldi): ativo
  • Laguna (Parobé): em manutenção
  • Laguna (Ribeirão Pequeno): ativo
  • Lebon Régis (Rio Bonito): ativo
  • Luiz Alves (Ribeirão do Máximo): ativo
  • Macieira (Km 33): ativo
  • Mafra (Augusta Vitória): ativo
  • Mafra (Butiá dos Tabordas): ativo
  • Mafra (Campo São Lourenço): ativo
  • Mafra (General de Brito): em manutenção
  • Mafra (Saltinho do Canivete): ativo
  • Mafra (Vila Souza): em manutenção
  • Major Gercino (Pinheiral): em manutenção
  • Mondaí (Catres): em manutenção
  • Monte Castelo (Residência Fuck): ativo
  • Nova Trento (Alto Lageado): ativo
  • Orleans (Barracão): em manutenção
  • Orleans (Brusque do Sul): ativo
  • Palmitos (Oldemburg): em manutenção
  • Papanduva (Guarani): ativo
  • Papanduva (Rodeiozinho): ativo
  • Papanduva (São João do Mirador): ativo
  • Pomerode (Vale Selke Pequeno): ativo
  • Praia Grande (Cachoeira de Fátima): em manutenção
  • Rio do Sul (Fundos Valada São Paulo): ativo
  • Rio dos Cedros (Pomeranos Caravaggio): ativo
  • Rio dos Cedros (Rio Milanês): em manutenção
  • Rio Negrinho (Cerro Azul): ativo
  • Rodeio (Bairro dos Lagos): ativo
  • Santa Cecília (Bela Vista): ativo
  • Santa Cecília (Faxinal das Águas): ativo
  • Santa Terezinha (Craveiro): em manutenção
  • São Bonifácio (Santo Antônio): ativo
  • São Joaquim (Cruzeiro): ativo
  • São Joaquim (Despraiado): ativo
  • São Joaquim (Vila Boava): ativo
  • São José do Cerrito (Itararé): ativo
  • São José do Cerrito (Salto Marianos): ativo
  • Taió (Alto Palmital II): ativo
  • Tangará (Passo da Felicidade): em manutenção
  • Tijucas (Sítio do Timbé): em manutenção
  • Tijucas (Timbé): em manutenção
  • Urubici (Santa Terezinha): em manutenção
  • Urubici (Vacas Gordas): ativo
  • Urupema (Bossoroca): ativo
  • Videira (São Pedro): ativo
  • Vitor Meireles (Barra da Prata): ativo

Retirada começa em 2026 e só exceções seguem até 2028

Os orelhões devem ser retirados gradualmente ao longo de 2026, com prioridade para carcaças e aparelhos já desativados. Atualmente, mais de 33 mil orelhões ainda aparecem como ativos no Brasil, enquanto cerca de 4 mil estão classificados como “em manutenção”.

A extinção, porém, não será imediata em todos os locais. Em cidades onde não há cobertura de telefonia móvel ou outra opção de comunicação, as empresas ainda deverão manter o serviço por voz — inclusive por meio de orelhões — até 31 de dezembro de 2028, em regime privado.

De solução essencial a peça de memória urbana

Criados em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, os orelhões se tornaram um símbolo nacional. O design oval, pensado para melhorar a acústica e reduzir o ruído externo, fez com que o modelo brasileiro fosse replicado em outros países, como Peru, Angola, Moçambique e China.

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Com a popularização dos celulares e da internet móvel, os aparelhos perderam função prática, mas não o valor simbólico. Recentemente, voltaram a ganhar destaque ao aparecer no cartaz do filme O Agente Secreto, indicado pelo Brasil ao Oscar 2026, reforçando o lugar do orelhão na memória coletiva.

*Com informações do g1 e de O Globo.