O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca nesta terça-feira (17) para a Índia, onde deverá firmar acordos estratégicos sobre minerais críticos e Inteligência Artificial (IA). A viagem integra uma série de compromissos internacionais do petista, que, logo depois, segue para a Coreia do Sul, onde cumpre agenda oficial voltada para o fortalecimento das relações econômicas e diplomáticas entre os dois países. Com informações do g1.

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Lula fez a viagem após acompanhar as festividades do Carnaval no Brasil, incluindo o desfile da Acadêmicos de Niterói, no Carnaval do Rio de Janeiro, em sua homenagem. O gesto foi alvo de polêmicas, e o petista foi duramente criticado por políticos de direita.

Veja fotos do desfile

Lula participa de cúpula sobre IA na Índia

Na Índia, nesta terça-feira, Lula participa da “Cúpula Sobre o Impacto da Inteligência Artificial”, evento que dá seguimento ao processo iniciado no Reino Unido em 2023. A cúpula, que ocorre anualmente, tem como objetivo refletir sobre as diversas dimensões da IA, com foco principal em governança.

Além da cúpula, também estão previstas na agenda de Lula uma visita oficial e a abertura do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) no país, o que deve gerar também demandas de empresários brasileiros interessados em fortalecer a presença comercial na região.

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Durante a visita, os líderes dos dois países devem discutir temas estratégicos para ambos, considerando que Brasil e Índia são nações emergentes, com grandes populações e enfrentam desafios semelhantes. Entre os tópicos que devem dominar as conversas, estão:

  • Inteligência Artificial;
  • Minerais críticos — minerais estratégicos para o setor tecnológico. No caso do Brasil, riquezas como o lítio e o nióbio;
  • Atuação nos Brics — bloco econômico que reúne Brasil, Índia, China, Rússia e outros sete países.

Acordo sobre minerais críticos é inédito para o Brasil

Em breve, Brasil e Índia devem assinar um memorando de entendimento sobre minerais críticos, documento que alinha as perspectivas dos dois países sobre o tema e traz orientações sobre ações futuras.

O acordo visa compartilhar experiências e marca o início de um processo para explorar as potencialidades do setor e estabelecer uma “negociação conjunta mais estratégica”.

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Até o momento, o Brasil, que possui a segunda maior reserva de minerais raros do mundo, não firmou acordos semelhantes com nenhum outro país.

De acordo com diplomatas, o tema está sendo tratado com cautela, para preservar o peso e a liderança do Brasil no assunto. Por isso, a estratégia brasileira é não garantir exclusividade a nenhum país, mantendo a posição de dialogar com todas as nações interessadas na questão.

Dentro do governo, é analisada a possibilidade de criar o “Conselho de Minerais Críticos” para fortalecer o diálogo entre as políticas mineral, industrial, comercial e legislativa sobre o tema, ainda considerado recente no cenário global.

Internacionalistas avaliam que a China domina atualmente a tecnologia de processamento desses minerais, enquanto outros países buscam acelerar esforços para reduzir a dependência e avançar em capacidades próprias. Dessa forma, o conselho seria uma forma de articular estratégias nacionais e posicionar o Brasil de maneira mais proativa nesse contexto estratégico.

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Brasil e Índia devem aprofundar diálogo sobre IA

Além da Cúpula de Inteligência Artificial, Brasil e Índia devem aprofundar o diálogo sobre o tema. Ambos países vêm avançando na digitalização de serviços públicos e pretendem trocar experiências sobre governança digital.

Lula tem manifestado preocupação com questões como deepfakes (criar ou alterar fotos, vídeos ou áudios através do uso de inteligência artificial), algoritmos e vieses de discriminação.

Segundo embaixadores, esses temas devem orientar o posicionamento brasileiro tanto na Cúpula de Inteligência Artificial quanto nas conversas bilaterais com a Índia.

Quarta visita de Lula à Índia

O Brasil e a Índia são membros fundadores do Brics, grupo formado também pela Rússia, China e África do Sul.

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Como grandes economias emergentes, ambos buscam, dentro do bloco, fortalecer a cooperação econômica, tecnológica e política entre países do Sul Global, além de preservar autonomia frente a potências tradicionais.

A viagem também é uma retribuição da visita oficial feita por Narenda Modi, primeiro-ministro da Índia, em julho do ano passado ao Brasil. No último ano, o país avançou na parceria com Índia em temas como saúde, turismo, tarifas e energia.

Essa será a quarta visita de Lula à Índia, sendo a segunda no atual mandato. A primeira ocorreu em 2004, durante o primeiro governo Lula, quando participou como convidado das celebrações do Dia da Independência da Índia. A segunda visita foi em 2007, em contexto de visita de Estado.

Além de ter recebido o primeiro-ministro Modi em julho, o presidente Lula já se encontrou com ele quatro vezes nos últimos três anos:

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  • Em 21 de maio de 2023, a margem da cúpula do G7 em Hiroshima;
  • Em 10 de setembro de 2023, a margem da cúpula do G20 em Nova Delhi;
  • Em 21 de junho de 2024, na cúpula do G7 na Itália;
  • Em 19 de novembro de 2024, a margem da cúpula do G20 no Rio de Janeiro.