Imagine um animal tão valioso que um imperador enviaria um exército de 60 mil soldados através de desertos e montanhas apenas para garantir alguns exemplares.

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No século 2 a.C., foi exatamente isso que o imperador Wu, da Dinastia Han, fez. Ele buscava os lendários cavalos de Fergana, criaturas descritas em profecias como “cavalos celestiais vindos do noroeste”.

Originários do fértil Vale de Fergana, na atual Ásia Central (região que integra o Uzbequistão), esses cavalos ganharam fama mundial por sua velocidade, resistência e uma aparência imponente que os diferenciava de qualquer outra montaria da época.

O enigma do “suor de sangue”

O detalhe mais intrigante que alimentava o mito desses animais era a crença de que eles suavam sangue, característica que lhes rendeu o nome chinês Han Xue Ma. Para os povos antigos, esse fenômeno era um sinal inequívoco de origem divina.

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No entanto, a ciência moderna oferece uma explicação mais terrena: especialistas acreditam que o efeito era causado por parasitas hematófagos.

Esses parasitas provocavam pequenas lesões na pele do animal, que se tornavam visíveis e sangravam levemente após um esforço físico intenso, misturando-se ao suor.

Uma guerra por genética superior

A obsessão da China pelos cavalos de Fergana não era apenas mística, mas militar. Diante de tribos nômades que dominavam o campo de batalha com cavalarias rápidas, a Dinastia Han precisava de uma vantagem estratégica.

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Após uma tentativa frustrada de negociação comercial que terminou em tragédia, o imperador Wu lançou uma campanha militar massiva em 104 a.C. contra o reino de Dayuan. O resultado foi um acordo histórico que entregou à China:

  • 30 cavalos “perfeitos” para reprodução imperial;
  • Cerca de 3.000 animais para reforçar a cavalaria;
  • Acesso a novas técnicas de alimentação, como o uso da alfafa.

Extinção ou um novo nome?

Durante quase um milênio, esses cavalos foram o ápice do status e do poder na Ásia. Contudo, a busca por animais mais robustos levou a cruzamentos que diluíram as características originais da raça, levando-a à suposta extinção.

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Mas a história deu uma reviravolta em 2013. Um criador chinês afirmou possuir exemplares autênticos, estimando que restariam apenas 3.000 cavalos no mundo.

O valor de mercado reflete essa raridade: alguns exemplares seriam avaliados entre 325 mil a 49 milhões de dólares, valor entre R$ 1,6 milhão e R$ 255 milhões, na cotação atual.

A grande dúvida que permanece entre especialistas é se esses animais são realmente os “celestiais” que voltaram da extinção ou se são, na verdade, Akhal-Teke comercializados sob um nome lendário.

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O Akhal-Teke, também da Ásia Central e famoso por sua pelagem metálica, é considerado o parente mais próximo dos cavalos de Fergana.

Sejam eles um mito preservado ou uma linhagem que sobreviveu ao tempo, os cavalos celestiais provam que, em certos momentos da humanidade, o destino de nações inteiras galopou sobre quatro patas.

*Por Raphael Miras

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