Uma disputa por espaço que parece ficar cada vez mais acirrada. No trecho Norte da BR-101 em Santa Catarina, caminhões transportam os mais variados tipos de cargas e turistas chegam para curtir o nosso litoral.

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– Nessa época sempre tem um pouco de trânsito. Não imaginei que ia pegar tanto, né – diz Fabiane Oliveira, turista do Paraná.

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A BR-101 tem 458 quilômetros de malha viária em Santa Catarina. Só na região de Joinville, são 80 mil veículos circulando diariamente pela rodovia. Na temporada de verão, entre dezembro e março, e também, nos feriados, são 30 mil veículos a mais por dia. O resultado: filas a perder de vista.

Para chegar ao Planalto Norte, é preciso deixar a rodovia federal e pegar a SC-418, popularmente conhecida como Serra Dona Francisca. Além do alto fluxo de veículos em pista simples, um outro problema mora ao lado. Nas encostas, os deslizamentos cada vez mais frequentes fecharam a rodovia várias vezes no último ano.

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Mas o principal gargalo da região Norte é a BR-280. Os trabalhos de duplicação da rodovia começaram há dez anos e dos 74 quilômetros a serem duplicados, só um trecho com 1,6 quilômetro foi entregue no ano passado. Enquanto isso, quem depende da rodovia, continua enfrentando viagens mais longas e prejuízos.

– É muita trocação de marcha. Vai, pára… gasta muito óleo diesel – conta o caminhoneiro Marcos Antônio Petersen.

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A duplicação da BR-280 foi dividida em três lotes. O primeiro lote tem 36 quilômetros e vai de São Francisco do Sul a Araquari. No trecho, os trabalhos começaram em 2018 e atualmente estão paralisados por causa de uma revisão de projeto. Essa paralisação complica a vida de quem tenta acessar o Porto de São Francisco do Sul.

– O risco de acidente é complicado. Tem necessidade de uma duplicação. É inexplicável um trem desse – comenta o caminhoneiro José Carlos Ferreira.

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Hoje, o porto tem capacidade de receber até 1,5 mil caminhões por dia. Mas com a BR-280 ainda em pista simples, apenas 1 mil veículos de carga conseguem acessar o terminal a cada 24 horas.

– O que significa então quase 30% de uma possibilidade de aumento de veículos chegando ao porto se tivéssemos a rodovia em melhores condições de trafegabilidade – pondera Cleverton Vieira, presidente do Porto de São Francisco do Sul.

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Enquanto a duplicação não sai, o porto de São Francisco do Sul estuda a criação de uma terceira faixa a partir do quilômetro “zero” da BR-280 com recursos próprios. É uma tentativa de melhorar o fluxo caminhões no terminal.

– A ideia é que possamos aportar recursos inclusive no porto, pra melhorar um pouco essa situação – complementa Vieira.

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Ainda no caminho a São Francisco do Sul, um impasse: o Canal do Linguado. Não se sabe se o aterro será ampliado pra receber uma nova pista, ou então se uma ponte será construída. O trecho sobre as águas da Baía da Babitonga não foi previsto no projeto de duplicação.

– Não adianta você ter uma rodovia duplicada se mantêm uma média de 70, 80 km/h e chegar numa ponte de pista simples. Temos uma engenharia bastante competente que pode achar uma solução para transpassar o canal sem ter qualquer vinculação com a questão ambiental da baía – diz Egídio Martorano, presidente da Câmara de Transporte e Logística da Fiesc.

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Procurado pela reportagem, o DNIT se manifestou através de nota para falar sobre a solução para a duplicação da BR-280 sobre o Canal do Linguado. Na nota, o órgão federal informou que “estudos, em conjunto com o Ministério Público Federal, já estão em andamento para encontrar a estrutura mais indicada para àquela região”. Na nota, o Dnit cita ainda que os estudos já consideram as licenças ambientais necessárias para os trabalhos no canal. Essa avaliação, segundo o órgão federal, tem previsão de ser concluída no fim deste ano.

A situação nos demais lotes da duplicação da BR-280

O lote 2.1 da duplicação da BR-280 tem 14 quilômetros e vai de Araquari a Guaramirim. É neste ponto que está o único trecho duplicado, entregue em 2023. Ele tem 1,6 quilômetro de extensão, e fica em Guaramirim, no Km 49,1 ao Km 50,7.

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– Economicamente e no termo de qualidade vida, a não duplicação da BR-280 realmente é uma tragédia – avalia Margi Loyola, presidente da Associação Empresarial de Joinville.

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O lote 2.2 tem 23 quilômetros, entre Guaramirim a Jaraguá do Sul. Atualmente, as equipes trabalham em um contorno que precisa ser construído na região. Desde que começou, a duplicação da BR-280 já custou R$ 800 milhões aos cofres públicos. No histórico da obra, a falta de recursos impediu que os trabalhos avançassem como deveriam. Para 2024, o orçamento ainda não foi definido.

– O que está sendo feito agora é uma revisão de projeto. Essa obra não pode ficar parada diante de tantos recursos disponíveis que o governo federal colocou no ano passado. Nós queremos que esse ano tenhamos a oportunidade também de chegar na casa de R$ 1 bilhão – explica Alysson Rodrigo de Andrade, superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Santa Catarina.

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Outra alternativa para facilitar o escoamento de cargas até o porto de São Francisco do Sul seria o contorno ferroviário entre as duas cidades. A obra parou em 2011 para uma revisão de projeto e continua sem previsão de retomada. Questionado pela reportagem, o Dnit disse que técnicos do órgão federal estão elaborando um novo edital, mas que ainda não há data para a retomada da obra.

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Sobre o contorno ferroviário de Joinville, o Dnit informou que ainda há licenças ambientais e desapropriações pendentes. Para as duas obras ferroviárias, ainda não há orçamento aprovado para este ano.

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O cenário nas rodovias estaduais que ligam o porto de Itapoá

Mais próximo à divisa com o Paraná, as rodovias SC-416 e SC-417 servem de caminho para o porto de Itapoá. O terminal movimenta em média 60 mil contêineres por mês. São 1,8 mil caminhões trazendo as cargas todos os dias. Veículos pesados circulando num trecho de pista simples por 40 quilômetros.

– Nesse momento, estamos entregando uma área de 200 mil metros quadrados de expansão e mais um armazém de 8 mil metros quadrados. Estamos trabalhando como iniciativa privada para ampliar a nossa estrutura e atender a demanda do comércio exterior aqui em Santa Catarina. Precisamos que a infraestrutura, nesse caso a rodoviária, também siga nesse passo de crescimento – comenta Alberto Machado, gerente de Relações Institucionais do Porto de Itapoá.

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O projeto executivo pra duplicação das duas rodovias estaduais foi feito em 2021 e até o momento não há licitação prevista para a obra.

– Santa Catarina corre sério risco de limitação no ritmo de crescimento que vem ao longo dos últimos anos pela limitação da sua infraestrutura. E isso precisa ser cada vez mais uma pauta prioritária do governo do Estado – pondera Dagnor Schneider, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc).

Questionada pela reportagem sobre a duplicação das rodovias SC-416 e SC-417, no trecho que dá acesso ao porto de Itapoá, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade informou que um projeto está sendo elaborado e deve ser entregue até julho.

*Reportagem de Walter Quevedo, da NSC TV.

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