Após o fechamento parcial do espaço aéreo no Oriente Médio, os governos de vários países discutem planos de repatriação, que é o processo de trazer de volta ao país de origem cidadãos, bens, fundos financeiros ou refugiados que se encontram no exterior. A situação ocorre por conta da escalada do conflito depois de ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Com voos comerciais suspensos em diferentes áreas da região, estrangeiros ficaram retidos. As informações são do g1.

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Veja, abaixo, o que cada país informou sobre possíveis repatriações.

Austrália

A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, afirmou que o governo está em diálogo com companhias aéreas para prestar apoio aos australianos que permanecem no Oriente Médio.

De acordo com a ministra, cerca de 115 mil cidadãos australianos estão atualmente na região. Ela explicou que eventuais operações de evacuação enfrentam obstáculos enquanto o espaço aéreo segue fechado e destacou que, neste momento, a alternativa mais viável é aguardar a normalização dos voos comerciais. Wong também disse que ainda não há confirmação sobre a realização de voos de repatriação.

Áustria

O Ministério das Relações Exteriores da Áustria informou que auxiliou 117 cidadãos em situação de vulnerabilidade a deixar os Emirados Árabes Unidos e Israel por meio de países vizinhos.

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Um primeiro voo fretado deve partir de Mascate na quarta-feira (4), com previsão de transportar 170 pessoas. As autoridades alertaram que deslocamentos por terra ocorrem por conta e risco dos próprios viajantes.

Bélgica

O governo da Bélgica anunciou o envio de aeronaves militares ao Oriente Médio para repatriar civis belgas.

Bulgária

O ministro das Relações Exteriores da Bulgária afirmou que voos de evacuação para cidadãos retidos em Omã e nos Emirados Árabes Unidos terão início na quarta-feira. Cerca de 300 pessoas devem embarcar no primeiro voo com saída de Omã.

França

O governo da França planeja realizar vários voos de repatriação na quarta-feira. Aproximadamente 400 mil franceses estão na região.

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Equipes consulares foram enviadas às fronteiras de Israel com Egito e Jordânia para facilitar saídas por terra. Medida semelhante foi adotada nos Emirados Árabes Unidos, nas fronteiras com Omã e Arábia Saudita, onde o espaço aéreo permanece aberto.

Alemanha

Berlim pretende fretar dois voos da Lufthansa, um com saída de Riad e outro de Mascate, para repatriar cidadãos considerados mais vulneráveis, como crianças, gestantes e pessoas com deficiência.

A operadora de turismo TUI informou que trabalha para trazer de volta milhares de passageiros de cruzeiros, inicialmente em voos de companhias do Golfo, como Emirates, Etihad Airways e Qatar Airways.

Grécia

Um voo da Aegean Airlines com cidadãos da Grécia vindos de Omã deve pousar em Atenas na tarde de quarta-feira. O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis afirmou que o país dispõe de um plano para repatriar milhares de nacionais retidos no Oriente Médio.

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Hungria

Voos de repatriação organizados pela Hungria a partir de Amã e Sharm el-Sheikh estão previstos para quarta e quinta-feira (5), com capacidade para até 90 passageiros por aeronave.

Itália

Um primeiro voo fretado com 127 cidadãos da Itália retidos em Omã — ou transferidos para lá a partir de Dubai — pousou em Roma na noite de segunda-feira (2).

Passageiros relataram que a embaixada italiana prestou assistência no retorno. Um deles afirmou ter pago cerca de 1.500 euros pela passagem.

Filipinas

O presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., pediu que cidadãos filipinos em Israel e em outros países afetados busquem locais seguros.

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Segundo ele, o governo organizará voos de repatriação quando houver condições adequadas de segurança. Mais de 2,4 milhões de filipinos vivem e trabalham no Oriente Médio, incluindo cerca de 31 mil em Israel e 800 no Irã. De acordo com Marcos, mais de mil trabalhadores migrantes já solicitaram repatriação.

Romênia

Mais de 300 cidadãos da Romênia retornaram para casa a partir do Cairo na segunda-feira, após deixarem Israel por via terrestre.

O governo informou ter recebido mais de 3 mil pedidos de repatriação. Cerca de 16 mil romenos estão registrados na região.

Sérvia

Um voo da Air Serbia procedente de Sharm el-Sheikh pousou em Belgrado na madrugada de quarta-feira com 67 passageiros, todos evacuados de Israel.

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Eslovênia

O governo da Eslovênia organizou quatro ônibus escoltados pela polícia para transportar cidadãos eslovenos e famílias com crianças de Dubai até o aeroporto de Mascate, em Omã.

O primeiro voo foi realizado na noite de terça-feira, e outros dois estão previstos para quarta-feira.

Espanha

Mais de 175 cidadãos da Espanha chegaram na terça-feira à noite em um voo procedente de Abu Dhabi. Novas operações são esperadas a partir dos Emirados Árabes Unidos, com conexão via Istambul.

A Espanha também reforçou suas embaixadas nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã e Bahrein para prestar apoio e facilitar novas repatriações.

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Emirados Árabes Unidos

A autoridade de aviação civil dos Emirados Árabes Unidos anunciou que começará a operar “voos especiais” nos aeroportos do país para auxiliar parte das dezenas de milhares de passageiros retidos a deixar a região.

Reino Unido

Voos fretados pelo governo do Reino Unido sairão de Omã na noite de quarta-feira e na manhã de quinta-feira, com prioridade para cidadãos vulneráveis que desejam deixar a região. Cerca de 130 mil britânicos registraram presença no Oriente Médio.

Quais são os países sem planos imediatos

A Holanda informou que não tem, neste momento, planos de repatriação. Um voo da KLM procedente de Omã pousou em Amsterdã com 93 holandeses e alguns passageiros da Bélgica e de Luxemburgo.

A Suíça afirmou que não organizará evacuações para os 4.400 viajantes e 35 mil residentes na região.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos recomendou que americanos deixem imediatamente mais de uma dúzia de países do Oriente Médio, usando opções comerciais disponíveis, e orientou que viajantes se registrem no programa oficial de monitoramento consular.

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O Brasil não se posicionou sobre repatriações, mas na última segunda-feira (2) divulgou um alerta consular orientando brasileiros a evitarem viagens a 11 países do Oriente Médio diante da escalada de tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã. Já para quem está nas áreas de risco, a orientação é redobrar os cuidados.

A nota do Ministério das Relações Exteriores (MRE) recomenda que os brasileiros não viajem para:

  • Irã
  • Israel
  • Catar
  • Kuwait
  • Emirados Árabes Unidos
  • Bahrein
  • Jordânia
  • Iraque
  • Líbano
  • Palestina
  • Síria

No caso de brasileiros que vivem nesses países ou que já estão na região, a recomendação é redobrar a atenção; cumprir as instruções de autoridades locais; evitar multidões e protestos; acompanhar canais oficiais das embaixadas brasileiras; monitorar a imprensa local; e verificar se documentos de viagem têm pelo menos seis meses de validade.

Em caso de cancelamento de voos, o cidadão deve procurar a companhia aérea para remarcação. Em caso de problemas em algum desses onze países, a recomendação é entrar em contato com as representações consulares na região.

Conflito já tem quase 900 mortes

Quase 900 pessoas já morreram, a maioria em território iraniano, desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no sábado (28).

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Segundo balanço divulgado pela agência de notícias Reuters na terça-feira (3), quarto dia de confrontos, além dos 787 iranianos mortos informados pela ONG Crescente Vermelho, mais sete países tiveram vítimas fatais.

Veja imagens do conflito