Um fenômeno raro, observado entre o fim de março e o começo de abril, está mudando o aspecto e a qualidade das ostras cultivadas pelos maricultores em Florianópolis: a proliferação de microalgas tem feito com que moluscos apresentem uma coloração esverdeada.

Continua depois da publicidade

De acordo com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a microalga não possui toxinas e agrega qualidade às ostras, vieiras e mexilhões cultivados. A ocorrência de ostras verdes já foi observada em Santa Catarina em pelo menos duas ocasiões, há mais de dez anos.

As ostras verdes de SC estão têm as mesmas características das francesas?

De acordo com os pesquisadores, ao que tudo indica, as microalgas encontradas em Santa Catarina pertencem à espécie Haslea ostrearia, a mesma encontrada na França.

Essas microalgas são capazes de conferir coloração esverdeada aos moluscos e já foram registradas na região francesa de Marennes-Oléron. As ostras produzidas no local são consideradas uma iguaria sofisticada e possuem certificação Label Rouge do Ministério da Agricultura da França. Essa certificação atesta a qualidade superior de produtos alimentares em comparação a produtos convencionais.

Pesquisadores analisam o que causou o fenômeno

Está em curso duas investigações: em primeiro lugar, os pesquisadores irão realizar análises para confirmar a identificação exata da espécie. Na sequência, serão pesquisadas as condições que podem ter favorecido a repetição do raro fenômeno.

Continua depois da publicidade

— A ideia é observar aspectos como as correntes marítimas, ondas de calor, vento, condições ambientais em geral e cruzar essas informações para verificar o que pode ter favorecido a repetição do fenômeno. Com esses dados, há uma grande possibilidade de identificar as condições ideais para o cultivo da microalga em laboratório — explica o engenheiro de Aquicultura Gabriel Filipe Faria Graff, doutorando em Biotecnologia e Biociências e pesquisador do Laboratório de Biotecnologia e Saúde Marinha (LaBIOMARIS) da UFSC.

Produtores locais já tinham identificado a mudança no aspecto das ostras

Há algumas semanas, produtores locais como Vinicius Ramos, da Fazenda Marinha Paraíso das Ostras, foram procurados por clientes da região e de outros estados. Eles relataram que as ostras apresentavam um aspecto “mofado”. O engenheiro de Aquicultura Gabriel foi a campo investigar o caso.

Feitas as análises com apoio de pesquisadores do Laboratório de Ficologia (LAFIC) da UFSC, constatou-se que se tratava da ocorrência de microalgas do gênero Haslea. A descoberta fez ressurgir a oportunidade de ampliar o conhecimento científico e desenvolver tecnologia em torno desse fenômeno.

— Essa microalga tem grande potencial inclusive para aplicações biotecnológicas, como na produção de alimentos e até na área farmacêutica — relatou o professor do Centro de Ciências Biológicas (CCB) Rafael Diego Rosa, coordenador no Brasil da rede internacional de pesquisa EcoHealth4Sea.

Continua depois da publicidade

*Sob supervisão de Nicoly Souza