A República Democrática do Congo, país que enfrenta Portugal na primeira rodada do Grupo K da Copa do Mundo nesta quarta-feira (17), vive uma crise sanitária grave. O surto de ebola Bundibugyo, uma cepa rara para a qual não existe tratamento ou vacina, já registrou mais de 800 casos, sendo 192 mortes.

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A doença, transmitida por fluidos corporais mesmo após a morte, está se espalhando rapidamente por três províncias do Congo, segundo dados do governo. O chefe dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África alertou que o surto pode ser o pior de todos os tempos.

O que é a ebola e quais seus riscos

— Se não conseguirmos conter o surto muito em breve, será pior do que o que tivemos na África Ocidental e no leste da República Democrática do Congo — disse Jean Kaseya, diretora-geral do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (África CDC), em uma reunião virtual de chefes de Estado africanos.

Entre 2014 e 2016, um surto que atingiu a Guiné, Libéria e Serra Leoa matou mais de 11 mil pessoas. Em 2018, o Congo também registrou um surto, mas menos letal. Há um plano para arrecadar 518 milhões de dólares para o combate à doença, mas, segundo o presidente do Burundi, Evariste Ndayishimiye, que preside a União Africana, apenas parte do valor foi recebido.

— Os recursos recebidos não ultrapassam 100 milhões de dólares — afirmou.

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Kaseya, do África CDC, alertou que as necessidades totais de financiamento aumentariam drasticamente se o plano inicial não recebesse apoio suficiente.

— Se não conseguirmos o financiamento nas próximas quatro semanas, não pediremos novamente US$ 500 milhões, mas sim cerca de US$ 1,5 bilhão. Se houver atraso, o valor subirá para US$ 7,5 bilhões — declarou.

Surto de ebola no Congo ainda não teria atingido o pico

Um funcionário da Cruz Vermelha afirmou, na terça-feira (16), que a epidemia de ebola no leste da República Democrática do Congo ainda não havia atingido o pico. Há estimativa de que pode demorar um ano para acabar com a doença.

Autoridades de saúde afirmaram que, mais de um mês após a declaração do surto, a verdadeira dimensão ainda era desconhecida. O tratamento aos infectados tem enfrentado dificuldades, com equipes de saúde sofrendo abusos verbais, ameaças e ataques nos últimos dias.

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Os corpos das vítimas do Ebola são altamente infecciosos após a morte e os enterros, nos quais os familiares manuseiam o corpo sem o equipamento de proteção adequado, são um dos principais fatores de transmissão.

— Estamos monitorando apenas 12% da nossa população. Este é um indicador importante para nós. Significa que ainda não sabemos a magnitude deste surto — disse Kaseya.