O Papa Leão XIV afirmou que dará continuidade a reformas de Francisco, mas não alterará doutrina sobre LGBTQIA+ e mulheres. Em declarações publicadas no livro “Leão XIV: Cidadão do mundo, missionário do século XXI”, lançado nesta quinta-feira (18), o pontífice afirmou que não irá promover novos avanços em temas polêmicos da doutrina católica. As informações são do g1.
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Questionado pela autora do livro se responderia ao apelo de fiéis LGBTQIAPN+ por uma igreja mais inclusiva, o Papa respondeu: “qualquer questão que envolva questões LGBTQIA+ também é altamente polarizadora dentro da Igreja. E, por enquanto, pelo que já tentei demonstrar e viver em termos da minha compreensão de ser papa neste momento da História, estou tentando não continuar a promover a polarização na Igreja”.
Leão XIV esclareceu que não recuará nos avanços de Francisco, que no final de 2023 autorizou a bênção a casais do mesmo sexo, mas ponderou: “os indivíduos serão aceitos e recebidos. Todos, todos, todos são bem-vindos. Mas não por ser de uma identidade específica. O ensinamento da igreja continuará como está, e isso é o que tenho a dizer sobre isso por enquanto”.
Ele também disse que pretende nomear mais mulheres em postos de alto escalão no Vaticano, como fez Francisco, mas afirmou que não vai avançar na discussão sobre a ordenação de mulheres — ou seja, nas reivindicações históricas de alas femininas da Igreja Católica de que mulheres também possam conduzir missas ou ter postos de liderança como os cardeais. Atualmente, mesmo com avanços de gênero promovidos por Francisco, ainda não há nenhuma participação feminina no comando ou em postos de decisão da Igreja Católica.
“Espero continuar seguindo os passos de Francisco”, disse Leão sobre políticas para mulheres. “O tópico se torna um assunto polêmico quando a pergunta específica é feita sobre a ordenação. No momento, não tenho a intenção de mudar o ensinamento da Igreja sobre o assunto.”
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Posicionamento internacional e outros temas
O primeiro Papa americano também se manifestou sobre a situação em Gaza e a política dos EUA. Sobre o conflito, ele evitou usar o termo “genocídio”: “a palavra genocídio está sendo usada cada vez mais. A Santa Sé não acredita que possamos fazer qualquer declaração neste momento sobre isso. Não pretendo me envolver em política partidária”.
Sobre os EUA, ele comentou: “obviamente, há algumas coisas acontecendo nos Estados Unidos que são preocupantes”. Leão XIV também revelou que ainda não conversou com o ex-presidente Donald Trump, mas que levantou preocupações sobre a repressão a imigrantes em um encontro com o vice-presidente JD Vance, em maio: “falei sobre a dignidade humana e como isso é importante para todas as pessoas, independentemente de onde nasceram”.
Em outros temas, o Papa repetiu a firme condenação de Francisco aos casos de abuso sexual, mas expressou preocupação com “falsas alegações contra padres”. Sobre a crise financeira do Vaticano, que tem um déficit de 83 milhões de euros, ele disse que a situação está melhorando: “não acho que a crise tenha acabado… Mas não estou perdendo o sono por causa dela”.
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