Durante séculos, a história de uma mulher que teria se disfarçado de homem e ascendido ao trono papal intrigou fiéis e estudiosos. Conhecida como Papisa Joana, essa figura lendária teria governado a Igreja Católica por alguns anos na Idade Média, até que sua verdadeira identidade foi revelada de maneira dramática: durante uma procissão em Roma, ela teria entrado em trabalho de parto e dado à luz em público, levando à sua morte imediata por apedrejamento ou por complicações do parto, dependendo da versão da história.
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Quem foi a “Papisa Joana”?
Origens da lenda
Os primeiros relatos sobre a Papisa Joana surgiram no século XIII, mais de 400 anos após os supostos acontecimentos. O dominicano Jean de Mailly, em sua “Chronica Universalis Mettensis”, menciona um “papa feminino” que teria reinado em 1099. Posteriormente, Estêvão de Bourbon e outros cronistas medievais popularizaram a história, que se espalhou por toda a Europa.
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Variações da narrativa
As versões da lenda variam consideravelmente. Algumas afirmam que Joana nasceu na Inglaterra, outras na Alemanha. Em algumas histórias, ela assume o nome de João VIII e governa entre os papados de Leão IV (847–855) e Bento III (855–858), embora registros históricos confirmem a existência desses dois papas nesse período.
Debates sobre a veracidade
A maioria dos historiadores contemporâneos considera a história da Papisa Joana como uma lenda sem fundamento histórico. A ausência de registros contemporâneos e a inconsistência das narrativas reforçam essa visão. Alguns estudiosos sugerem que a lenda pode ter sido criada como uma sátira antipapal ou como crítica à influência feminina na Igreja durante certos períodos.
Possíveis evidências
Apesar do ceticismo predominante, alguns pesquisadores apontam para possíveis evidências da existência da Papisa Joana. O arqueólogo Michael Habicht, da Universidade Flinders, na Austrália, estudou moedas antigas e símbolos que poderiam indicar a presença de uma mulher no papado. No entanto, essas interpretações são controversas e não amplamente aceitas pela comunidade acadêmica.
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Legado cultural
Independentemente de sua veracidade, a história da Papisa Joana teve um impacto duradouro na cultura popular. Ela inspirou romances, peças teatrais e filmes, como o romance “A Papisa Joana” de Emmanuel Rhoides e sua adaptação cinematográfica de 2009.
A lenda da Papisa Joana continua a fascinar e provocar debates sobre gênero, poder e religião. Embora não haja evidências concretas de sua existência, a história serve como um reflexo das tensões sociais e políticas da Idade Média e da contínua luta por representação e igualdade de gênero nas instituições religiosas.






