O jovem Cauan de Lima, de 20 anos, que ficou paraplégico após sofrer um acidente de motocicleta em Três Barras, no Planalto Norte de Santa Catarina, recebeu a aplicação da polilaminina. O procedimento ocorreu na última quinta-feira (9) em um hospital no município de Sombrio. Cinco dias após receber a substância, o paciente conseguiu movimentar, suavemente, um dos pés.
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A aplicação da substância no jovem foi conduzida com o suporte de uma equipe multidisciplinar do Hospital Dom Joaquim, envolvendo profissionais especializados, com a estrutura necessária para garantir segurança e acompanhamento adequado em cada fase do procedimento.
Confira fotos da aplicação de polilaminina
Como jovem conseguiu acesso à aplicação
Cauan sofreu um acidente na véspera de Natal, no dia 24 de dezembro de 2025, em Três Barras. A mãe, Eliane Silva, conta que o jovem perdeu o controle da direção ao passar por uma lombada, o que fez com que ele caísse e batesse em uma cerca.
— Já no local, quando os bombeiros foram atender, ele estava caído falando que não sentia as pernas. Meu filho sempre foi um menino ativo, de jogar bola e praticar atividade física. Foi um baque esse acidente para todos nós da família — relembra a mãe.
A família foi informada sobre o acidente e uma transferência de urgência para o Hospital São Vicente de Paula, em Mafra. A equipe médica da unidade confirmou que Cauan sofreu uma lesão medular completa, o que levou a um quadro de paraplegia. O jovem precisou passar por uma cirurgia para contenção de danos.
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— Ele ficou no hospital por 12 dias e ganhou alta. Chegando em casa, fui procurar atendimento de fisioterapia aqui na nossa cidade e cheguei até à Veridiane, um anjo. Ela já começou a fazer as terapias a domicílio e me falou sobre a polilaminina — relata Eliane.
A mãe já tinha ouvido falar sobre a medicação, mas passou a fazer mais pesquisas sobre o assunto, acompanhando casos reais de aplicações.
— Foi quando eu vi a postagem do Alisson, o primeiro paciente de Santa Catarina que recebeu a polilaminina. Foi aí que Veridiane entrou em contato com o doutor Ângelo, deste hospital, e começamos a tentar para o Cauan esse tratamento — conta.
O médico solicitou exames e laudos do jovem para analisar o caso. Eliane conta que a família esperou dias até saber se Cauan havia sido aprovado para o tratamento inovador.
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— Tivemos que percorrer oito horas de viagem até chegar lá no hospital, fomos com fé. O procedimento ocorreu tudo bem e retornamos para casa. E sim, ele teve uma leve mexida em um dedo e continua fazendo fisioterapia. Estamos com muita fé e esperança na recuperação dele — afirma a mãe.

Outro procedimento no mesmo hospital
Além do morador de Três Barras, um jovem de Imbituba também passou pela aplicação da poililaminina no mesmo dia. De acordo com o hospital, os dois pacientes estão em processo de reabilitação após acidentes com motocicletas, que resultaram em limitações motoras. Agora, ambos passam a contar com uma nova possibilidade terapêutica em seus planos de tratamento.
Para o Instituto Maria Schmitt (Imas), uma organização de saúde privada, o procedimento representa um grande avanço. “A iniciativa reforça o compromisso da instituição em ampliar o acesso a alternativas que contribuam para a reabilitação e a qualidade de vida dos pacientes”, afirma.
Como é a aplicação da polilaminina?
A aplicação é feita diretamente na medula espinhal. No estudo de Tatiana Sampaio, o protocolo é fazer durante a cirurgia, porque na fase aguda, logo após a lesão, quase todos os pacientes precisam operar. Mas é possível fazer também sem cirurgia.
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Com um raio-x, por exemplo, é possível localizar o local exato da lesão e fazer uma injeção percutânea, em que a agulha passa através da pele.
O que é a polilaminina e como ela foi descoberta?
A polilaminina é um polímero de uma proteína chamada laminina. Polímero significa que são várias unidades dessa proteína ligadas entre si. A laminina é uma proteína natural que temos no corpo durante toda a vida, por isso pode ser isolada das placentas.
Ela tem várias funções, uma delas é estimular a regeneração dos axônios, que são as estruturas dos neurônios danificadas numa lesão medular.
No interior da coluna vertebral tem um canal por onde passa a medula espinhal, que é parte do sistema nervoso central e tem a função de fazer a comunicação entre o cérebro e o resto do corpo.
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Quando ocorre uma lesão ali, essa comunicação é perdida. Então, a pessoa não consegue levar a informação sobre o seu desejo de fazer um movimento para os músculos, e também não consegue ter informação sensorial.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou ensaios clínicos para validar a segurança da tecnologia, o que pode transformar o Brasil em país protagonista na regeneração medular.
*Sob supervisão de Leandro Ferreira








