A descoberta de um passaporte antigo em nome de Eliza Silva Samudio, em um apartamento em Portugal no fim de dezembro de 2025, reacendeu a atenção em torno de um dos crimes mais emblemáticos do país, ocorrido há 15 anos.
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Eliza foi assassinada em 2010, e o ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes, pai de seu filho, foi condenado pelo homicídio. A existência do documento foi revelada inicialmente pelo portal Leo Dias e confirmada posteriormente pelo Consulado-Geral do Brasil em Portugal e por Sônia Moura, mãe da vítima.
O que ainda precisa ser esclarecido sobre o passaporte
A principal dúvida gira em torno de como o documento foi parar em um imóvel português. Segundo as informações divulgadas, o passaporte foi encontrado entre livros, em um apartamento alugado, por um homem identificado apenas como José.
Ele teria levado o material ao Consulado Brasileiro em Lisboa após reconhecer o nome e a imagem no documento. Fontes oficiais confirmaram a autenticidade do passaporte, que não possui registro de segunda via.
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Em nota, o Consulado informou que recebeu o documento na sexta-feira (2) e comunicou o Itamaraty, aguardando agora orientações sobre os próximos procedimentos. O órgão também esclareceu que o passaporte está expirado e cancelado, e será encaminhado a Brasília, onde ficará à disposição da família, caso haja interesse em recebê-lo.
José relatou que mora no apartamento com a esposa, a filha e outras duas pessoas, e que encontrou o passaporte ao manusear livros em uma área comum da residência. Segundo ele, o choque foi imediato ao perceber a quem pertencia o documento, dada a repercussão nacional e internacional do caso.
A ausência de registro de saída do país
Outro ponto que desperta questionamentos é o fato de o passaporte conter um carimbo de entrada em Portugal datado de 2007, sem qualquer registro de saída.
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Arlie Moura, irmão de Eliza, confirmou ao jornal O Tempo que ela esteve em Portugal naquele ano e mencionou um suposto relacionamento da jovem com o jogador Cristiano Ronaldo, nunca confirmado pelo atleta.
Até o momento, não há explicações oficiais sobre como Eliza teria retornado ao Brasil sem o registro de saída no passaporte. Uma das hipóteses levantadas é a perda do documento e a posterior emissão de uma autorização provisória para retorno ao país.
Posicionamento da família
A família de Eliza descarta qualquer possibilidade de que ela esteja viva. Arlie Moura afirmou que, apesar de desejar que isso fosse verdade, considera improvável diante das provas reunidas à época do crime. Já Maria do Carmo, madrinha de Bruninho e representante legal de Sônia Moura, reforçou que não há dúvidas sobre a morte da modelo e criticou a exposição do caso.
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Segundo ela, caso o documento seja original, a família deseja recebê-lo como uma lembrança de Eliza. Para os familiares, a repercussão do achado representa um sofrimento desnecessário e uma reabertura dolorosa de feridas antigas.
Relembre o caso Eliza Samudio
Eliza Samudio desapareceu em 2010, aos 25 anos. As investigações apontaram que ela foi mantida em cárcere privado no sítio de Bruno Fernandes, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, antes de ser assassinada. O corpo nunca foi encontrado.
Bruno foi condenado por homicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver. Ele passou ao regime semiaberto em 2018 e está em liberdade condicional desde janeiro de 2023.
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A reaparição do passaporte, embora não altere o desfecho judicial do caso, reacende dúvidas, especulações e o debate público em torno de uma tragédia que marcou o país.
*Sob Supervisão de Pablo Brito






