Os peixes encontrados mortos no Rio Imaruim, também chamado de Rio Cuturno, na região Central de Palhoça, Grande Florianópolis na segunda-feira (23) podem ter morrido antes de aparecerem no local. A informação é do Instituto do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina (IMA), que fez coletas na segunda e terça-feira (24) e desde então acompanha a situação.

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Também é considerada a possibilidade de morte natural, ou de que os animais sejam provenientes de descarte na Baía da Palhoça. (entenda mais abaixo)

De acordo com a Gerência de Fiscalização e Emergências Ambientais do instituto, a principal hipótese é de que os peixes sejam provenientes de descarte na região da Baía da Palhoça e tenham sido transportados pela maré alta ao longo do curso d’água do Rio Cuturno.

Mortes de milhares de peixes chocaram moradores

Outra possibilidade considerada é a morte por causas naturais, levando em conta a sensibilidade da espécie a águas com baixa salinidade. O avançado estado de decomposição em que foram encontrados os peixes, segundo o IMA, reforça a suspeita de que a morte tenha ocorrido dias antes do aparecimento.

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O IMA destaca que não foram identificados peixes mortos de outras espécies comuns na região, como parati e tainha, o que, a princípio, afasta indícios de lançamento direto de contaminantes tóxicos no rio. Além disso, o volume encontrado supera a capacidade de suporte do sistema fluvial local, o que fortalece a hipótese de que os animais pertençam a cardumes capturados em outras áreas.

Para descartar a possibilidade de contaminação por efluentes tóxicos, foram coletadas amostras de água em 24 de fevereiro de 2026, com acompanhamento de agentes fiscais do instituto. O prazo para emissão dos laudos laboratoriais é de duas a três semanas, conforme o órgão ambiental.

As análises servirão como protocolo técnico para verificar se houve algum tipo de contaminação diferente da inicialmente considerada.

O órgão informou ainda que as chuvas recentes contribuíram para o carreamento e a dissipação de grande parte dos peixes ao longo do curso d’água. O caso segue em avaliação técnica e o monitoramento continuará para verificar eventual recorrência ou alterações relevantes. Não havendo novos registros, o protocolo instaurado deverá ser formalmente encerrado.

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Especialista aponta hipótese ligada à qualidade da água

A Defesa Civil de Palhoça trabalha com duas hipóteses: descarte irregular de embarcação de pesca ou a entrada acidental no rio de um cardume de manjubinhas, espécie de água salgada, o que teria provocado choque osmótico. Porém, um especialista ouvido pelo NSC Total aponta como mais provável para a causa da morte a baixa concentração de oxigênio na água, possivelmente associada à poluição e à degradação ambiental do trecho.

Para o biólogo Bruno Renaly Souza Figueiredo, doutor em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais, a explicação para as mortes pode ir além de uma simples “confusão” dos animais, e, na verdade, estar relacionada às condições ambientais do rio. Segundo ele, é possível observar sinais de degradação no rio.

— Nas imagens é possível ver um rio sem vegetação ao redor, portanto em condições precárias de preservação, com coloração escura indicativo de poluição, provavelmente esgoto. Em ambientes aquáticos que recebem esgoto ou outros resíduos ricos em nitrogênio e fósforo, ocorre um fenômeno conhecido como floração de algas — explicou.

De acordo com o especialista, esses nutrientes funcionam como fertilizantes, estimulando o crescimento excessivo de algas e microrganismos. Durante o dia, com a presença de luz solar, as algas realizam fotossíntese e produzem oxigênio. À noite, porém, a fotossíntese cessa, mas a respiração continua.

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— Tanto as algas quanto as bactérias que degradam matéria orgânica passam a consumir oxigênio da água. Em locais já degradados, com grande carga de esgoto, essa respiração noturna pode reduzir drasticamente o oxigênio dissolvido, às vezes a níveis próximos de zero. Esse processo é chamado de hipóxia — detalhou.

Caso é acompanhado por órgãos ambientais

O caso é acompanhado por diferentes órgãos ambientais e de fiscalização. O IMA realizou coletas na tarde de segunda-feira para análise. Também foram notificadas a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e a Polícia Científica de Santa Catarina.

Na manhã desta terça-feira (24), a Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina acompanhava o laboratório durante nova coleta de material para subsidiar a investigação do IMA.

Como estava o rio na manhã de terça-feira

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Como denunciar

Os órgãos ambientais reforçam a importância de que a população registre oficialmente ocorrências suspeitas. Em caso de crime ambiental em flagrante, a orientação é acionar a polícia pelo telefone 190.

Denúncias ambientais também podem ser feitas diretamente na plataforma do IMA. O canal permite que o cidadão informe detalhes, endereço exato e outras informações pertinentes, facilitando a atuação da fiscalização.

Leia a nota do IMA na íntegra

“O Instituto do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina (IMA), por meio da Gerência de Fiscalização e Emergências Ambientais, informa que conforme apuração técnica, presume-se que os peixes encontrados mortos provavelmente são provenientes de descarte na região da Baía da Palhoça, posteriormente transportados pela maré alta através do curso d´água do Rio Cuturno. Ou, ainda, devido a morte por causas naturais, considerando a sensibilidade da espécie em relação a águas pouco salinas. O avançado estado de decomposição dos exemplares pode indicar que a morte ocorreu em período anterior ao seu aparecimento na área urbana.

Destaca-se que não foram identificados exemplares mortos de outras espécies comuns na região, como parati e tainha, o que indica, a princípio, a ausência de indícios de lançamento de contaminantes tóxicos diretamente no rio. Além disso, o volume de peixes encontrados é superior à capacidade de suporte do sistema fluvial local, reforçando a hipótese de que os animais sejam provenientes de cardumes capturados em outras regiões.

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Com o objetivo de descartar a possibilidade de contaminação por efluentes tóxicos, foram coletadas amostras de água no dia 24 de fevereiro de 2026. A coleta foi acompanhada pelos agentes fiscais do IMA. O prazo médio para emissão dos laudos laboratoriais é de aproximadamente duas a três semanas. As análises laboratoriais servem como protocolo técnico para verificar se houve algum tipo de contaminação diferente daquela inicialmente esperada.

Já as análises realizadas in loco indicaram pH neutro, variando entre 7,03 e 7,24. O Oxigênio Dissolvido (OD) apresentou valores entre 2,41 e 2,90 mg/L O₂. A baixa concentração de OD (inferior a 3 mg/L) é indicativa de baixa qualidade da água, condição já esperada em razão da ocorrência de lançamentos irregulares de esgoto doméstico na região.

As informações obtidas até o momento integram o processo técnico de avaliação, que seguirá conforme os procedimentos institucionais previstos. Ressalta-se que o carreamento provocado pelas chuvas já contribuiu para a dissipação de grande parte dos peixes ao longo do curso d’água.

O IMA seguirá monitorando a área para verificar eventual recorrência ou qualquer alteração relevante, de modo a, não havendo novas ocorrências, proceder ao encerramento formal do protocolo técnico instaurado”.

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