A superpopulação de tilápias em um pesqueiro no Oeste de Santa Catarina levou à retirada de mais de 2,5 toneladas do peixe dos tanques. A situação ocorre no Pesqueiro Paiol Santa Madre, localizado no distrito de Fazenda Zandavalli, no município de Guatambu.

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Para tentar equilibrar o ecossistema do lago e reduzir a quantidade da espécie, o estabelecimento decidiu liberar a retirada de tilápias sem limite de peso. Os pescadores pagam apenas a diária da pesca esportiva, no valor de R$ 70, podendo levar todos os exemplares fisgados da espécie.

A iniciativa começou em dezembro de 2025, foi temporariamente suspensa para tratamento da água e depois retomada. De acordo com o proprietário do local, desde então, já foram retiradas mais de 2,5 toneladas de tilápia, e a expectativa é remover pelo menos mais 1,5 tonelada para estabilizar o ambiente dos tanques.

Reprodução acelerada explica superpopulação

A tilápia é conhecida pela alta capacidade de reprodução, o que explica a proliferação rápida nos ambientes onde é criada. A espécie atinge maturidade sexual por volta dos nove meses de vida e pode desovar praticamente o ano inteiro.

A reprodução se intensifica principalmente quando a temperatura da água supera os 22 °C, condição comum entre os meses de setembro e abril. Nesse período, a fêmea pode desovar a cada 20 ou 30 dias, liberando até cerca de dois mil ovos por quilo de peso corporal, que são fecundados pelos machos.

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Esse ciclo reprodutivo acelerado faz com que a população aumente rapidamente em ambientes fechados, como tanques de pesqueiros.

Espécie passou a prejudicar pesca esportiva

Segundo o sócio-proprietário do Pesqueiro Paiol Santa Madre, Adriano Diniz Rodrigues, a tilápia foi introduzida inicialmente para servir de alimento a peixes predadores de maior porte.

— Soltamos a tilápia para que seja alimento para os predadores maiores. Só que ela cresce e se prolifera muito rápido e, se deixar, acaba atrapalhando a pesca esportiva — explica.

Na prática, o problema ocorre durante a pescaria. Quando os pescadores utilizam ração com cevadeira para atrair os peixes, as tilápias chegam primeiro e acabam sendo fisgadas antes das espécies maiores, que normalmente são o principal objetivo dos praticantes da modalidade.

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Atualmente, o pesqueiro mantém cerca de 18 espécies de peixes, com exemplares que variam de dois a 42 quilos. No total, são mais de 16 toneladas de peixes nos tanques, sendo aproximadamente 8,5 toneladas de tambas.

Entre as espécies presentes estão peixes de couro, como jaú, pintado e cachara, além de peixes de escama, como tambacu, tambatinga, patinga, dourado, carpa cabeçuda e carpa húngara.

A situação da superpopulação também tem atraído pescadores esportivos de várias cidades da região. Há relatos de visitantes que chegaram a levar mais de 200 quilos de tilápia durante a pescaria.

O Pesqueiro Paiol Santa Madre fica no distrito de Fazenda Zandavalli, com acesso pela rodovia SC-283. O local oferece estrutura com cadeiras, lixeiras, internet e iluminação para pesca noturna.

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