Uma pesquisa publicada neste ano por uma aluna do mestrado em Tecnologia e Ambiente, do Instituto Federal Catarinense (IFC) de Araquari, no Norte de Santa Catarina, apontou que São Francisco do Sul teve um aumento de até 16,4°C na amplitude térmica, a variação entre a mínima e a máxima temperatura. Além disso, houve a criação de “ilhas de calor” causadas pelo avanço da ocupação do solo e urbanização.

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De acordo com o orientador da pesquisa e professor no IFC Araquari, Eduardo Ribeiro, o objetivo principal do trabalho, feito pela aluna Helena Roldão, foi discutir a utilização de imagens térmicas e mapas de uso do solo para combater as ilhas de calor em cidades pequenas, incluindo São Francisco do Sul. 

Fotos da pesquisa e de São Francisco do Sul

O material faz análise de como as mudanças no uso e ocupação do solo, impulsionadas pela urbanização, afetam a temperatura local, criando as ilhas de calor.

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— O estudo destaca a importância de integrar o clima no planejamento urbano para promover a sustentabilidade e minimizar o desconforto térmico — explica. 

A pesquisa utilizou imagens térmicas do satélite Landsat e dados da plataforma MapBiomas Brasil para analisar as mudanças no solo de São Francisco do Sul entre 1985 e 2021. Após os trabalhos, conforme o professor, foi possível identificar aumento significativo na amplitude térmica, sendo que a maior delas passou dos 16°C no verão. 

— Importante ressaltar que o valor de 16,4°C se refere à amplitude térmica, ou seja, a diferença de temperatura observada em áreas específicas que sofreram urbanização, em comparação com a temperatura registrada em 1985 — pontua. 

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Conforme o professor do IFC Araquari, a pesquisa já foi apresentada ao Conselho Municipal do Meio Ambiente (CMMA) de São Francisco do Sul, mas, até o momento, ele e Helena não receberam respostas significativas de avanços do município sobre o tema.

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A reportagem do A Notícia entrou em contato com o Conselho Municipal de Meio Ambiente de São Francisco do Sul e, de acordo com o presidente do conselho, Horácio Schwochow, a pesquisa feita pelo IFC foi bem recebida, mas que o CMMA não recebeu propostas de novas reuniões com os pesquisadores. Ele, porém, diz que estão abertos para outras discussões sobre o tema.

Quais os riscos provocados pelas “ilhas de calor” 

De acordo com Eduardo Ribeiro, professor do IFC Araquari, o aumento da temperatura causa problemas para a população, incluindo desconforto térmico, problemas de saúde e no bem-estar, principalmente nos períodos mais quentes.

Outros impactos são o maior consumo de energia, na qualidade do ar, já que estando mais quente pode levar a uma maior concentração de poluentes, causando problemas respiratórios, por exemplo.

O professor ainda ressalta que, no período pesquisado, as temperaturas ficaram mais altas em diferentes estações, mesmo nas áreas com cobertura vegetal: 11°C mais quente no verão e 7°C no inverno.

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Ele reforça a importância do município pensar a questão ambiental e formas de amenizar os impactos, como a conservação e o reflorestamento de áreas verdes, unidos com a implementação de políticas públicas que incentivem práticas sustentáveis na construção civil.

— A criação de um termo de referência para o licenciamento ambiental, considerando o histórico de mudanças climáticas e a dinâmica do uso do solo, é crucial para orientar o desenvolvimento urbano e minimizar os impactos negativos no clima local — finaliza.

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