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    Pesquisadora da UFSC encontra biografia de Dom Pedro II feita por Machado de Assis

    Texto, encontrado durante pesquisa para dissertação, foi publicado em 1859 em revista onde escritor foi colaborador

    18/09/2020 - 10h15 - Atualizada em: 18/09/2020 - 17h13

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    Redação
    Por Redação DC
    Machado de Assis
    O escritor Machado de Assis
    (Foto: )

    Uma biografia de Dom Pedro II escrita por Machado de Assis foi encontrada pela pesquisadora Cristiane Garcia Teixeira, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

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    Segundo Cristiane, o texto já era conhecido, mas ainda não havia sido atribuído a Machado de Assis, um dos mais célebres escritores do país e autor de romances como “Dom Casmurro” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.

    A biografia do então imperador brasileiro foi publicada em 6 de novembro de 1859 em “O Espelho: revista de literatura, moda, indústria e artes”.

    — Machado de Assis tinha 20 anos de idade quando começou a escrever nesta revista. Ele foi o colaborador mais assíduo, escreveu 38 textos em apenas quatro meses — relata a Cristiane.

    Ouça a entrevista de Cristiane ao Estúdio CBN Diário:

    O texto foi encontrado durante a pesquisa para a dissertação “Um projeto de revista n’O Espelho: literatura, modas, indústria e artes (1859-1860)”. O trabalho da pesquisadora virou o artigo “M’achado biógrafo: da investigação de uma revista a um texto inédito”, e foi publicado na revista “ArtCultura”.

    — É o resultado da análise que fiz do espaço geográfico do impresso: investiguei como os autores e seus textos se movimentavam dentro da revista, como se formou o quadro editorial do ‘Espelho’, juntamente com a análise de outros impressos que possuíam os mesmos colaboradores, ou seja, que faziam parte do mesmo grupo dos colaboradores — diz Cristiane.

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    Conforme a pesquisadora, a biografia escrita por Machado de Assis já traz alguns dos traços que ele desenvolveria em outros clássicos, como o fato de ter sido escrita em primeira pessoa.

    — Já é possível perceber o negaceio na escrita do jovem Machado que alertava para o fato de não estar escrevendo sobre o imperador a partir de uma perspectiva política porque o ‘cálculo’ e a ‘conveniência’ não permitiam que fizesse isso — comenta.

    A pesquisadora destaca que “podem existir ‘textos escondidos’ em periódicos antigos”, e que eles “podem mudar a maneira como trabalhamos a história da imprensa, literatura e dos intelectuais do século XIX”.

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    — Sempre tem algo a se encontrar: as páginas amareladas da imprensa oitocentista são, em minha opinião, baús de tesouros.

    Ela avalia que ainda existem análises a serem realizadas e outras questões a serem respondidas a respeito da biografia, como os objetivos e motivos que levaram Machado de Assis a escrevê-la.

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