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Pirabeiraba completa 162 anos de fundação; entenda a história do distrito de Joinville

Irmão do príncipe François Ferdinand teve imensa importância na valorização das terras em uma época em que os imigrantes queriam deixar a Colônia Dona Francisca

15/04/2021 - 15h28 - Atualizada em: 15/04/2021 - 15h29

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Cláudia
Por Cláudia Morriesen
foto mostra praça no distrito de Pirabeiraba
Centro de Pirabeiraba tem uma Estação da Cidadania e uma biblioteca pública
(Foto: )

Pirabeiraba completa 162 anos de fundação nesta quinta-feira, 15 de abril. É a data que marca a assinatura do registro do primeiro lote e o início do incentivo à colonização das terras localizadas ao Norte da Colônia Dona Francisca, ainda que aquela região já tivesse muita história antes de 1859 — tanto com imigrantes europeus quanto com descendentes de portugueses e com nativos do Brasil. 

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Há dois sambaquis registrados que ficam na região de Pirabeiraba, e mostram indícios da presença do homem pré-colonial, que viveu por pelo menos alguns períodos naquela localidade há cerca de 5 mil anos. Grupos indígenas também viveram em Pirabeiraba e, inclusive, foram os responsáveis pelo seu nome: significa "peixe brilhante" em tupiguarani. 

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Quando os colonos europeus começaram a chegar, no século 19, houve confrontos entre os Xokleng que viviam em Pirabeiraba e os novos moradores. Antes dos imigrantes europeus, no entanto, já haviam brasileiros vivendo na região: eram fazendeiros que cultivavam mandioca e cana-de-açúcar, e donos de engenho de melado, cachaça e açúcar mascavo. 

Entre os sobrenomes destas famílias estavam Dias, Cercal, Araújo e Cidral. Faziam uso de trabalho escravo de descendentes de africanos, que depois da Lei Áurea ficaram na região para trabalhar como empregados dos imigrantes europeus. Ainda hoje, há um quilombo reconhecido em Pirabeiraba onde vivem descendentes dos trabalhadores escravizados.

Estrada Dona Francisca foi fundamental para criação de Pirabeiraba

Uma estrada e uma serraria construída em 1854 deram início ao que realmente tornaria-se Pirabeiraba, segundo pesquisa do historiador Dilney Cunha. A intenção do príncipe François Ferdinand, dono das terras da colônia, era que a localidade tivesse ligação com o planalto, e mandou construir uma estrada. A serraria virou o principal empreendimento da Colônia Dona Francisca à época. 

Mesmo assim, os novos moradores estavam descontentes com a situação encontrada no loteamento do príncipe e partindo para outras colônias e cidades. François Ferdinand teria pedido dinheiro emprestado ao irmão, Henri d'Orleans, para tornar-se sócio-acionista da Sociedade Colonizadora de Hamburgo e, com isso, continuar incentivando a vinda de europeus para suas terras. 

foto mostra dois homens à frente de uma plantação e ao fundo casas da fazenda pirabeiraba
A Fazenda Pirabeiraba, com plantação de cana de açúcar e casas dos trabalhadores ao fundo
(Foto: )

Henri recebeu uma grande parcela das terras em troca do empréstimo, e mandou construir uma grande fábrica de açúcar no local. Ao redor dela, foram sendo construídos galpões, casas, ranchos e uma escola para os filhos dos empregados. Após a construção da Estrada Dona Francisca, carroceiros que vinham a Joinville e passavam pelo local precisavam de alimentação, pousadas e cocho para os animais, incentivando outros empreendimentos na região.

Em 1859, o visconde de Bom Retiro, Luís Pedreira do Couto Ferraz, chegou à Colônia Dona Francisca para, a pedido do imperador, analisar as obras públicas feitas com recursos federais. Como homenagem à sua chegada, ele recebeu o primeiro lote de terras e a região foi batizada de "Pedreira". O nome foi mudado para "Pirabeiraba" após a Segunda Guerra Mundial, com a intenção de evitar a confusão com uma cidade em São Paulo chamada Pedreira. 

Segundo o historiador Milton Belkendorf, o objetivo no século 19 era que aquele local virasse o Centro da Colônia Dona Francisca. No entanto, o atual centro de Joinville permaneceu como sede principal. Nos anos 1980, houve uma movimentação para que Pirabeiraba se emancipasse como cidade, já que arrecadava 60% dos impostos municipais com a instalação das fábricas na região. 

Com isso, o Distrito Industrial Norte foi "reacoplado" para que não pertencesse à Pirabeiraba, como ocorre com os bairros Rio Bonito e Dona Francisca, por exemplo. Assim, a arrecadação da região passou a ser de 1/5 do total de Joinville, e Pirabeiraba permaneceu como distrito: uma divisão administrativa dentro de Joinville, sem adminstração própria. 

foto mostra zona rural do bairro Rio Bonito
Área rural do bairro Rio Bonito, em Pirabeiraba
(Foto: )

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