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Polícia descarta que assaltos recentes a instituições bancárias estejam relacionados  

Apesar dos três casos registrados em Santa Catarina neste mês, autoridades rejeitam possibilidade de ação articulada

15/03/2019 - 20h59

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Gabriel
Por Gabriel Lima
(Foto: )

A hipótese de que um mesmo grupo criminoso possa ser responsável pelos assaltos recentes a instituições bancárias em Santa Catarina é descartada por representantes da segurança pública. As análises indicam que as únicas semelhanças entre os casos registrados em Mirim Doce, no Vale do Itajaí, no dia 1°, e o da última terça-feira em Vargeão, no Oeste, foram o uso de reféns. Já o roubo no Aeroporto de Blumenau, na quinta-feira, que resultou na morte de uma pessoa, é considerado pela polícia um “fato inédito” no Estado e continua sob investigação.

O coronel Araújo Gomes, comandante da Polícia Militar em Santa Catarina e atual presidente do Colegiado Superior de Segurança Pública, afirma que em Mirim Doce houve uma ação estruturada, com criminosos experientes, logística de carros e armas longas. Enquanto isso, o assalto em Vargeão foi cometido por um homem sozinho, sem histórico de crimes e usando uma arma antiga. Os crimes foram em bancos e agências de cooperativas de crédito.

Já em Blumenau, ao menos oito pessoas chegaram em dois veículos de luxo ao Aeroporto Quero-Quero, onde usaram armamento pesado para assaltar uma aeronave que fazia transporte de valores. Edivânia Oliveira, de 22 anos, foi atingida por disparos durante a troca de tiros e morreu no hospital. O delegado Anselmo Cruz, da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), considera que um assalto dessa proporção é inédito em SC, tanto pelo alto risco do crime quanto pela violência da ação.

Protocolos diferem

O caso em Blumenau foi um ponto fora da curva, que destoa dos outros dois registrados neste mês contra instituições bancárias em SC. Os protocolos usados pela PM para deter os outros roubos diferem. Em Mirim Doce, a equipe do Comando de Operações de Busca, Resgate e Assalto (Cobra) foi acionada para fazer buscas na mata e capturar os criminosos – o trabalho foi concluído depois de seis dias. Já no assalto em Vargeão, policiais levaram algumas horas para prender o autor do crime.

– Há sempre um protocolo, mas os detalhes são sigilosos. Temos muitos meios e equipes especializadas que são mobilizadas de acordo com o cenário. No de terça-feira, por exemplo, acionamos negociadores e snipers – explica Araújo Gomes.

O delegado Anselmo Cruz afirma que o assalto que ocorreu em Mirim Doce tem as características do “novo cangaço”. A ação é classificada dessa forma porque ocorreu durante o expediente do banco e os reféns foram usados como cordão humano para proteger os assaltantes, além do uso de grandes armas.

– Os casos têm modus operandi completamente diferentes. Em Mirim Doce eram seis autores com um fuzil, pelo menos, uma espingarda calibre 12, pistolas, enfim, estavam bem equipados. No Oeste foi um cara sozinho que achou que o gerente iria abrir tudo. Até o fato do criminoso ter sido identificado dentro da agência mostra como a situação foi amadora – afirma o delegado.

Já sobre a ocorrência em Blumenau, ele reconhece a gravidade e destaca que a situação está sendo tratada com firmeza pela Polícia Civil.

– Essas ações geralmente são cometidas com violência. Chama atenção que o armamento usado era mais pesado do que os vigilantes das empresas privadas estão autorizados a usar, então causa um desequilíbrio de poder de fogo – compara.

Apesar de também envolver um grupo maior e com grande arsenal, Cruz exclui qualquer possibilidade de relação com a ação em Mirim Doce, já que os envolvidos no crime do início do mês foram presos ou mortos. Contudo, a Polícia Civil ainda está coletando informações para ter mais detalhes sobre a origem e atuação dos criminosos.

Municípios com poucos policiais

Os primeiros dois crimes contra bancos neste mês ocorreram em municípios com menos de quatro mil habitantes e que, por consequência, têm número menor de policiais. Nesses casos, é necessário solicitar apoio a agentes de outras praças para auxiliar no atendimento de ocorrências.

O subtenente da reserva João Carlos Pawlick, presidente da Associação de Praças de Santa Catarina (Aprasc), explica que o baixo efetivo no interior pôs fim à rotina de policiais que ficam 24 horas dentro do posto. O pelotão do grupo tático, que têm armas longas à disposição, reúne os policiais militares de municípios próximos para fazer rondas reforçadas na região.

— Quando o policial está sozinho, dentro do posto, é mais fácil de ser pego. Mas quando é feita uma ação assim, que passa por todos os municípios da região, o patrulhamento é mais ostensivo e os criminosos não conhecem o modus operandi da guarnição — destaca o presidente da Aprasc.

O coronel Araújo Gomes explica que as cidades pequenas têm estrutura de segurança pública com perfil comunitário, onde os policiais são próximos dos moradores. Muitas vezes são cidades inseridas em ambientes rurais, onde seria mais fácil se esconder nas rodovias, que servem de canal de fuga dos criminosos.

O menor efetivo no interior do Estado, entretanto, não é visto como um problema pelo comandante da PM. Araújo Gomes afirma que o sucesso das operações nos casos de Mirim Doce e Vargeão, com suspeitos localizados e dinheiro recuperado, mostra que a estrutura policial das regiões consegue reagir com inteligência para intervir em casos mais graves.

O poder de mobilização dos policiais também é apontado como positivo pelo delegado Cruz. Ele cita como exemplo o fato do helicóptero da Polícia Civil ter sido rapidamente acionado no assalto da última terça-feira, de forma que após alguns minutos estava apoiando a operação e fazendo a cobertura aérea do crime.

– Por menores que sejam os municípios que tentam atacar, via de regra há uma capacidade de mobilização muito grande nas cidades próximas. Por isso, essas situações têm sido frustradas com frequência – reconhece o delegado.

Crimes em agências bancárias diminuem

Dados do Colegiado Superior de Segurança Pública de SC mostram que desde 2016, há redução gradativa no número de assaltos a bancos e caixas eletrônicos no Estado. Se naquele ano foram registrados 401 casos, houve redução de quase 33% no ano seguinte e 67% na comparação com 2018.

Em 2019, foram 30 assaltos registrados pelos policiais entre 1º de janeiro e 11 de março. O número era de 40 no mesmo período do ano passado.

Os assaltos na modalidade “novo cangaço” também já foram mais comuns. Foram quatro casos registrados entre 2014 e 2016 em diferentes regiões, sempre em pequenos municípios: Santa Cecília (Serra), Timbó Grande (Planalto Norte), Balneário Piçarras (Litoral Norte) e Praia Grande (Sul). Antes de Mirim Doce, o último assalto nesta modalidade ocorreu em maio de 2018 em São José do Cerrito, na Serra.

Como há queda neste tipo de crime e os envolvidos foram presos ou mortos, o coronel Araújo Gomes acredita que não há necessidade de acender um sinal de alerta. O comandante da PM afirma que esses assaltos continuarão recebendo atendimento prioritário da equipe de segurança pública.

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