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Ponte com risco de desabar na BR-470 vira dor de cabeça para motoristas e moradores

Estrutura em Pouso Redondo está fechada desde segunda-feira e desvio gera filas de caminhões e transtornos a quem reside na região

29/04/2022 - 05h32

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Talita
Por Talita Catie
Prefeitura, DNIT e Exército estão trabalhando em uma solução para o problema
Prefeitura, DNIT e Exército estão trabalhando em uma solução para o problema
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A interdição de uma ponte na BR-470 traz dor de cabeça para motoristas e moradores em Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí. Desde segunda-feira (25) não passa mais nenhum veículo pela estrutura por causa de rachaduras em um dos pilares de sustentação. 

A alternativa foi desviar o fluxo para o perímetro urbano, mas aí veio outra dificuldade: as ruas não comportam o tráfego de veículos pesados e a rotina de quem vive no Centro virou um caos.

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A situação já era delicada por causa da construção de um elevado na rodovia, a cerca de 200 metros de onde fica a ponte interditada. Causava lentidão, mas nada fora do esperado e sem necessidade de desvio, uma vez que o trânsito fluía pelas laterais. 

O problema é que quando a ponte também precisou ser bloqueada, o jeito foi usar rotas alternativas por dentro da cidade. Não são trajetos longos, têm em torno de 1,5 quilômetro, porém no sistema siga e pare.

Quem mais sente são os caminhoneiros.

É que para eles existe apenas um desvio possível se o condutor precisar passar pela região. O trajeto é de ruas de paralelepípedo e também de asfalto que rapidamente começaram a dar sinal de desgaste por causa do excesso de peso. 

> Leia também: Passagem será construída em três dias na BR-470 para amenizar impacto de interdição

São muitos veículos de carga, vários abarrotados de toras de madeira e com dois eixos, afinal por ali é escoada a produção do Oeste do Estado. O traçado não comporta o tráfego em mão dupla por causa do tamanho deles. Aí cada lado é liberado por 30 minutos.

Na tarde de quarta-feira (27), Alan Stringari estava parado pela quinta vez desde o começo da semana esperando a vez de passar. Dono de uma madeireira de Taió, o empresário leva carga à cidade de Trombudo Central diariamente e a alternativa é exercitar a paciência. 

Perda de tempo, para ele, significa menor rendimento e também mais custo de combustível. Não à toa, desliga o caminhão assim que a fila para.

— Já fiquei mais de uma hora parado aqui, mas não tem jeito de escapar, é esse o trajeto — afirma.

Empresário de Taió passa três vezes ao dia pelo desvio após ponte ser interditada
Empresário de Taió passa três vezes ao dia pelo desvio após ponte ser interditada
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Espectadora da confusão

Quem mora no Centro de Pouso Redondo também sente os impactos da ponte interditada. Da varanda, Tânia Scur virou uma espécie de espectadora da confusão dos carros, motos e caminhões que passam em frente à casa dela 24 horas por dia tirando a paz e o sossego, deixando barulho e poeira. 

A servente é compreensiva com a situação, sabe que o estresse não vai resolver o problema, só teme acidentes.

— À noite não tem ninguém controlando o fluxo lá na BR-470. Aí tem barulho dos caminhões passando e discutindo alto para ver quem vai passar. E a casa, para não ter problema de sujeira, é só manter as janelas fechadas — garante.

Para a vizinha, dona de facção, o problema é maior. Os furgões que vêm para buscar as mercadorias não têm mais onde parar, conta Tânia.

Soluções improvisadas

Duas rotas alternativas existem atualmente para os motoristas. Uma delas é apenas para veículos leves, pois a ponte existente no caminho não comporta o fluxo pesado. A prefeitura chegou a colocar tubos na pista para evitar o tráfego de caminhões e carretas.

A outra opção também tem um poste, mas a equipe de engenharia do município diz que dá conta da demanda. Apesar disso, é neste desvio que o asfalto já cedeu para os acostamentos em alguns pontos e nos trechos de paralelepípedo as lajotas serão tiradas e vão dar lugar a pedras compactadas com máquinas.

Na manhã desta quinta-feira (28) a prefeitura começou os trabalhos para criar uma passagem de veículos improvisada ao lado da ponte comprometida. Tubos de concreto, pedras e barro serão colocados dentro do Rio das Pombas para ligar uma margem à outra e assim desafogar o trânsito no perímetro urbano.

A expectativa é deixar tudo pronto ainda no fim de semana para liberar a passagens de automóveis no sentido Blumenau a Curitibanos. O caminho inverso segue por dentro da cidade.

Outra possibilidade cogitada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) é que o Exército erga uma ponte metálica provisória. Militares estiveram no local para averiguar a viabilidade e a previsão é de que os trabalhos comecem ainda nesta sexta-feira (29).

Como solucionar o problema?

A solução para a ponte na BR-470 é recuperar o pilar que cedeu. Imagens mostram a ferragem exposta e torta. Por consequência o concreto também rompeu. As rachaduras podem ser vistas de longe, mas assustam ainda mais quando se olha por baixo da estrutura. 

Até mesmo quem passa pela passarela de pedestres percebe o problema.

O DNIT diz que percebeu a situação durante uma análise preliminar na semana passada e um consultor especialista em pontes foi ao local e sugeriu a interdição. O órgão publicou uma portaria que estabelece situação de emergência para realizar ações imediatamente no local.

Isso passa primeiro por elaboração de um projeto. Quanto tempo vai levar e quanto isso vai custar aos cofres públicos, ainda não se sabe.

“Haverá a elaboração de um projeto para recuperação da ponte para deixá-la transitável novamente em definitivo”, informou o DNIT através da assessoria de imprensa. O órgão federal diz ainda que “somente com o descritivo de tudo que deve ser feito poderá falar em valores”.

Enquanto a solução definitiva não vem, paciência e atenção redobrada são fundamentais aos moradores e motoristas para conviver com vaivém de caminhões pesados nas estradas.

Filas se formam nos dois sentidos da rodovia porque desvio funciona no sistema siga e pare
Filas se formam nos dois sentidos da rodovia porque desvio funciona no sistema siga e pare
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Confira ao especial "Os dois lados da BR-470"

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