O Farol de Santa Marta, um dos principais pontos turísticos do Sul de Santa Catarina, é cercado por histórias que antecedem a própria inauguração, ocorrida em 1891. Entre os registros históricos da região está o episódio conhecido como o “navio fantasma do Cabo de Santa Marta”, ocorrido em 1879.
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Naquele ano, pescadores que atuavam na região avistaram um navio à deriva se aproximando da costa. A embarcação acabou encalhando nas praias do Cabo de Santa Marta, após colidir com pedras e ser levada pelo mar até a área de arrebentação.
Segundo pesquisas do historiador e escritor Valmir Guedes Júnior, em 31 de agosto de 1879, autoridades locais foram acionadas e identificaram o navio como um brigue, um tipo de embarcação à vela com dois mastros. No interior, havia colchões, móveis, barris de mantimentos, garrafas vazias e grandes quantidades de pão e bolachas, todos em bom estado de conservação.
O que chamou a atenção foi a ausência de tripulantes. Não foram encontrados corpos, sinais de violência ou indícios de abandono forçado, o que gerou especulações entre moradores da época.
Região já era conhecida como “Cemitério de Navios”
O caso ocorreu antes da instalação do farol, em um trecho da costa já considerado perigoso para a navegação. O litoral entre Laguna e Jaguaruna registrava naufrágios frequentes, principalmente por causa da área hoje conhecida como “Laje da Jagua”, uma formação rochosa submersa responsável pelo afundamento de dezenas de embarcações ao longo do século XIX.
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Esses episódios contribuíram para que o Cabo de Santa Marta ganhasse fama como uma espécie de cemitério de navios, reforçando a importância da construção do farol no fim do século.
Mistério do navio fantasma foi esclarecido meses depois
A explicação oficial para o chamado navio fantasma só veio cerca de dois meses após o encalhe. De acordo com informações publicadas posteriormente pela imprensa, a embarcação era sueca e se chamava Oscar.
Devido às más condições do navio e ao risco de naufrágio, toda a tripulação foi resgatada por um navio inglês que passava pela mesma rota e levada em segurança ao porto de Rio Grande (RS). O brigue, abandonado, acabou sendo levado pelas marés até encalhar definitivamente nas areias do Cabo de Santa Marta.
Sobre o Farol de Santa Marta
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Inaugurado em 11 de junho de 1891, o Farol de Santa Marta é a maior estrutura do mundo construída com óleo de baleia. A edificação foi erguida com pedra, areia, barro e óleo extraído da baleia-franca, espécie que migra para o litoral sul catarinense durante o inverno.
O conjunto arquitetônico inclui uma torre de 29 metros de altura, estação rádio, residências para os antigos faroleiros e estruturas de apoio, como a casa dos geradores de emergência. O aparelho óptico, encomendado à empresa francesa Barbier, Benard & Turenne, pesa mais de uma tonelada e foi projetado para ampliar o alcance do facho luminoso.
Em noites de céu limpo, a luz do farol pode ser vista a até 46 milhas náuticas, cerca de 85 quilômetros. Durante o dia, o alcance geográfico chega a 40,7 quilômetros. Para acessar a lanterna, é necessário subir mais de 140 degraus em escada em espiral.






