A decretação de falência do Grupo Bauer, com sede em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, abriu um cenário de incertezas para clientes e fornecedores que tentam reaver mercadorias, equipamentos ou valores vinculados às empresas do grupo.

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A decisão judicial, formalizada no início de março, determinou que a devolução de bens não será automática. Cada situação deverá ser analisada individualmente dentro do processo de falência da gigante.

Segundo o despacho, itens que estejam nas dependências da empresa, mas que não integrem a massa falida, podem ser restituídos. No entanto, é obrigatória a comprovação de propriedade, por meio de documentos como notas fiscais, contratos ou comprovantes de pagamento.

Na prática, quem afirma ser dono de produtos retidos precisa protocolar um pedido formal no processo, solicitando a restituição. A medida busca evitar a entrega indevida de bens que possam pertencer à massa falida ou a terceiros, já que há dúvidas sobre a origem de parte dos itens armazenados.

Já para consumidores e empresas que pagaram por serviços que não foram prestados, o caminho é outro: é necessário fazer a habilitação de crédito para entrar na lista de credores.

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O que são credores quirografários?

Credores quirografários são aqueles que não possuem garantia real (como bens vinculados) nem prioridade legal no recebimento. É nessa categoria que, na maioria dos casos, se enquadram clientes e fornecedores comuns.

Clientes ficam no fim da fila?

Sim. A legislação brasileira estabelece uma ordem de pagamento. Primeiro são quitados os créditos trabalhistas, depois aqueles com garantia real, seguidos por tributos. Apenas depois entram os credores quirografários, o que significa que consumidores costumam ficar entre os últimos a receber.

Quanto costuma ser recuperado?

Não há um percentual fixo. Em processos de falência de gigantes, especialmente quando há muitos credores, os valores pagos aos quirografários costumam ser baixos e podem levar anos até qualquer liberação.

A decisão judicial também prevê que bens sem comprovação clara de propriedade podem permanecer retidos até novas análises, que podem incluir perícias ou apresentação de documentos adicionais.

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Diante desse cenário, a principal orientação é que os interessados reúnam toda a documentação possível e formalizem seus pedidos no processo, aumentando as chances de recuperação de bens ou valores.

O Grupo Bauer teve a falência decretada no dia 6 de março de 2026, após solicitar a conversão de sua recuperação judicial em falência. O processo já era acompanhado pela Justiça desde julho de 2025 e envolve, além da Bauer Express, a Bauer Postos, empresas que integram o grupo.