Menos de duas semanas após a decretação da falência, uma nova atualização do processo do Grupo Bauer, tradicional empresa do setor de transportes com sede em Chapecó, revelou um cenário ainda mais crítico: a companhia possui apenas R$ 716,44 em caixa, diante de uma dívida que ultrapassa R$ 50 milhões.
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A falência foi decretada pela Justiça no início de março de 2026, após a própria empresa admitir que não conseguiu reverter a crise financeira, mesmo após tentar recuperação judicial desde 2025.
Sede corre risco de ter energia cortada por falta de pagamento
Além da situação financeira crítica, a estrutura física da empresa também preocupa. A sede em Chapecó corre risco de ter o fornecimento de energia elétrica interrompido por falta de pagamento.
Diante disso, a administradora judicial solicitou a manutenção do serviço, alertando que um eventual corte pode comprometer a preservação dos bens da massa falida, que serão utilizados para quitar parte das dívidas.
Desde a decretação da falência, o controle do patrimônio deixou de ser da empresa e passou a ser conduzido pela administração judicial.
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Inventário de bens e leilões devem definir pagamentos
Atualmente, o processo está concentrado na arrecadação e no inventário dos ativos, etapa que busca identificar e catalogar todos os bens ainda existentes, como veículos, imóveis e equipamentos.
Esse levantamento será essencial para a próxima fase, quando os ativos deverão ser vendidos, geralmente por meio de leilões judiciais, com o objetivo de gerar recursos para pagamento dos credores.
A legislação determina uma ordem de prioridade, sendo que os créditos trabalhistas têm preferência, embora isso não signifique pagamento imediato.
Funcionários ainda aguardam valores
Apesar da prioridade legal, os trabalhadores ainda não começaram a receber os valores devidos. Até o momento, foram emitidos documentos como o TRCT (rescisão de contrato de trabalho, guias do FGTS e requerimentos de seguro-desemprego.
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Esses documentos permitem o acesso a direitos básicos, mas o pagamento depende diretamente da venda dos bens da empresa.
A crise impacta centenas de trabalhadores. O processo aponta mais de 1.400 credores trabalhistas, evidenciando o alcance social da falência.
Mercadorias de clientes seguem retidas
Outro ponto crítico envolve mercadorias de clientes que permanecem nas dependências da empresa, além de bens que estariam fora das unidades, inclusive em posse de terceiros.
A administradora judicial atua para localizar, recuperar e preservar esses itens, evitando perdas e garantindo que os recursos possam ser revertidos para o pagamento das dívidas.
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Empresa já foi gigante dos transportes
Fundado em 2001, o Grupo Bauer chegou a ser um dos principais nomes do transporte rodoviário no Sul do Brasil, operando uma frota de mais de 800 veículos e presença em centenas de cidades.
O colapso da empresa reflete uma combinação de fatores, como custos operacionais elevados, dificuldades de crédito e forte concorrência no setor logístico, que acabaram tornando inviável a continuidade das operações.
Agora, o futuro dos credores, trabalhadores e clientes depende diretamente da liquidação dos ativos, em um processo que deve se estender pelos próximos meses.

