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Alexandre Souza

Por que devemos incentivar meninas e mulheres na tecnologia? 

 Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE revelou que as mulheres correspondem a apenas 20% do total de profissionais que atuam na área de TI no Brasil, ficando de fora de um mercado promissor

18/04/2019 - 10h16 - Atualizada em: 08/05/2019 - 16h03

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Por Tech SC
 Katie Bouman, PhD em engenharia elétrica e ciências da computação, responsável pela primeira imagem de um buraco negro já registrada na história
A PhD em engenharia elétrica e ciências da computação Katie Bouman, responsável pela primeira imagem de um buraco negro já registrada na história, é uma das muitas mulheres fortes que fazem parte do ecossistema de tecnologia
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O motivo pelo qual poucas meninas e mulheres se interessam por áreas relacionadas à inovação e à tecnologia ainda é cultural. Enquanto meninos são encorajados a serem astronautas ou engenheiros, por exemplo, e a interagirem com brinquedos de raciocínio lógico e tecnológicos, as meninas são direcionadas às bonecas e aos brinquedos relacionados aos cuidados do lar. O problema não é o incentivo aos meninos e sim o desencorajamento das meninas, que crescem sem saber que também podem investir em carreiras ligadas à tecnologia.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE revelou que as mulheres correspondem a apenas 20% do total de profissionais que atuam na área de TI no Brasil, ficando de fora de um mercado promissor. Segundo a International Data Corporation (IDC), até 2022, a economia digital deve representar mais de 50% do PIB da América Latina, de 2019 a 2022, quase US$ 380 bilhões serão revertidos em gastos com TI. Também, devem ser criadas 195 mil novas vagas de trabalho até 2022, segundo pesquisa da IDC encomendada pela Salesforce.

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O problema também não está no grau de instrução, pois, segundo o IBGE, quanto maior o grau de instrução das mulheres, maior fica a diferença salarial delas para homens com a mesma formação acadêmica. Em relação aos postos de gerência e diretoria, mulheres ocupam menos da metade dos postos e o salário é 30% menor — média salarial de um diretor ou gerente homem é de R$ 6.216, para mulher é de R$ 4.435. Além disso, esta baixa participação cria desafios para as empresas que querem aumentar a diversidade entre seus profissionais, os perfis diferenciados e diversificados nas empresas ajudam também a melhorar o desenvolvimento dos times.

Dentre muitas mulheres fortes que fazem parte do ecossistema de tecnologia, cito a Katie Bouman, PhD em engenharia elétrica e ciências da computação, responsável pela primeira imagem de um buraco negro já registrada na história. Katie foi desacreditada desde que o resultado de seu trabalho, junto de outros pesquisadores, foi divulgado. O motivo? Katie é mulher. E, enquanto mulher, muitos pensam que ela não é capaz de realizar um trabalho como este, provando que ainda temos muito o que refletir e mudar no meio tecnológico, para que mulheres como a Katie tenham oportunidades e sejam valorizadas por seus trabalhos. Não tão distante, no Brasil, temos outras mulheres que fazem grandes trabalhos na tecnologia, como a Cristina Junqueira, cofundadora e VP da Nubank — uma das unicórnios brasileiras —; a Cristina Bittencourt, diretora da Agriness; a Marcela Graziano, CEO da Smarket Solutions; a Lívia Cunha, fundadora e CEO da CUCO Health; e a Betina Ramos, doutora em química e vice-presidente da Nanovetores.

Enquanto gestor de uma iniciativa que fomenta o empreendedorismo em todo o estado, acredito que a diversidade é um ponto fundamental para o desenvolvimento do setor. Mas por que precisamos incentivar as meninas e as mulheres nas áreas de tecnologia? A resposta é simples: porque elas são competentes, tanto quanto os homens. Não precisamos de mais mulheres no setor porque elas são compreensivas, pacientes e delicadas, reforçando estereótipos historicamente atribuídos como características femininas, mas sim porque elas têm capacidade, e deveriam, desde crianças, serem incentivadas a resolver problemas, a lidar com tecnologias e a empreender. O setor tecnológico é um dos mais promissores, elas não podem ficar de fora disso.

*Alexandre Souza é gestor do Startup SC, do Sebrae/SC

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