O anúncio do fim da safra de tainha na modalidade de pesca de arrasto de praia em Santa Catarina mobilizou pescadores catarinenses, que tentam reverter a medida. O encerramento foi comunicado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura no domingo (7), após a captura atingir 90% da cota para a safra deste ano, estipulada em 1.332 toneladas do peixe.
Continua depois da publicidade
O fim da safra na pesca por arrasto de praia reacendeu a discussão sobre a cota estipulada para a captura nesta modalidade. Ao contrário do sistema de cotas nos outros tipos de pesca de tainha, que começaram em 2018 visando garantir a proteção da espécie e evitar risco de extinção, a cota para o arrasto de praia foi definida pela primeira vez em 2025.
A safra de 2026, portanto, é a segunda que ocorre com cota no arrasto de praia. No ano passado, o período de captura terminou sem que o limite máximo fosse atingido, com pouco mais de 1 mil toneladas pescadas. Neste ano, no entanto, a safra foi encerrada em apenas 38 dias, após a captura atingir 90% da cota, que havia sido ampliada em 20% em relação ao ano passado.
FOTOS: Como foi a safra da tainha em 2025
Um ponto que chama a atenção e que gera queixas de pescadores é que, no caso da pesca de arrasto de praia, a cota é válida exclusivamente para Santa Catarina. O motivo é que o Estado é onde a prática, considerada tradição cultural, é mais adotada.
Continua depois da publicidade
Segundo informações da Secretaria de Aquicultura e Pesca do governo de SC, o estado catarinense é o único que tem a pesca de arrasto de praia regulamentada no Ministério da Pesca. Embora outros estados também tenham a prática da pesca de arrasto de praia, como Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, na prática eles não ficam sujeitos ao limite das cotas.
— Esse foi um questionamento que a secretaria sempre fez para o Ministério da Pesca, por que só Santa Catarina na modalidade de arrasto de praia tinha cota? Mas não tivemos resposta. Santa Catarina defende que não tenha cota para o arrasto de praia — opina.
A leitura do secretário é que na prática a cota apenas para SC acaba prejudicando os pescadores artesanais catarinenses, o que leva à luta por critério igualitário entre os estados.
— É uma modalidade que já vem há mais de 100 anos, e se mantém, independente de cota, porque a gente entende que o limite biológico dessa pesca a própria natureza faz. É necessária uma condição climática para a chegada dos cardumes que já limita naturalmente essa pesca — avalia o secretário-executivo de Estado de Aquicultura e Pesca, Fabiano Müller Silva.
Continua depois da publicidade
Ministério convocou reunião de emergência
Após o comunicado do encerramento da safra da tainha na pesca de arrasto de praia, o Ministério da Pesca convocou uma reunião emergencial do Grupo de Trabalho (GT) Tainha para esta terça-feira (9) para abordar o tema, como revelou o colunista da NSC, Renato Igor.
Pescadores e entidades de SC tentam reverter a medida e ganhar mais tempo para captura da tainha. O governo do Estado já anunciou que acionará a Justiça para tentar cancelar o fim da safra no arrasto de praia. A estratégia é reivindicar uma redistribuição de cotas não preenchidas em outras modalidades.
Paralelamente, uma mobilização de pescadores liderada pela Federação dos Pescadores de SC (Fepesc) tenta administrativamente extinguir as cotas no arrasto de praia.







