A safra da tainha na modalidade de arrasto de praia foi encerrada após 38 dias do início do período de pesca. Com 90% do limite atingido, o governo federal decidiu pela interrupção da pesca no último domingo (7). Em 2026, o início da temporada de pesca foi considerado uma “supersafra”, o que fez com que a cota fosse alcançada rapidamente.

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Por lei, a captura pode seguir até 31 de dezembro ou até quando alcançar os 90% da cota. O governo estadual, por sua vez, anunciou que vai à Justiça para tentar derrubar a decisão do Ministério da Pesca.

FOTOS: Como foi a safra da tainha em 2025

Por que a safra da tainha encerrou com menos de 40 dias?

O elevado volume de cardumes na costa do litoral catarinense gerou grandes quantidades de tainhas pescadas, mas colocou fim na safra de forma precoce. Caio Magnotti, doutor em Aquicultura e engenheiro do Laboratório de Piscicultura Marinha da Universidade Federal de Santa Catarina (Lapmar/UFSC), detalha que ciclones extratropicais formados na Argentina podem estar por trás da boa safra.

— Tivemos dois ciclones extratropicais na Argentina, exatamente onde os cardumes se adensam, na região da Lagoa dos Patos e na saída do Rio da Prata. Então, provavelmente, esses ciclones podem ter empurrado de forma mais violenta e rápida esses cardumes que batem aqui em Santa Catarina — detalhou ao NSC Total.

Os ciclones mencionados apresentaram intensidade para impactar na movimentação dos peixes e também coincidiram com local e data de migração. O pesquisador considera essa uma possibilidade, mas ressalta que a movimentação das tainhas é complexa e envolve “condições climáticas, de vento, das correntes e da maturação dos peixes”.

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Modalidade de arrasto de praia foi encerrada após atingir 90% da cota (Foto: Divulgação)

O que muda com o fim da pesca de arrasto de praia?

Somente seriam permitidas a pesca em barcos da modalidade anilhada, lisa, cerco ou pesca industrial, em geral com navios maiores. Embarcações que estejam no mar receberam prazo de 24 horas que termina na tarde desta segunda-feira (8) para descarregar eventuais cardumes já capturados.

No ano passado, a safra da tainha em SC terminou sem atingir a cota prevista, com captura de pouco mais de 1 mil toneladas do peixe. Foi a primeira vez em que a pesca por arrasto de praia recebeu uma cota, o que já ocorria com as modalidades industrial e outros modelos de pesca artesanal. Veja como está a situação das outras modalidade de praia até o momento:

  • Emalhe anilhado: 1.094 toneladas; atuação restrita ao litoral de Santa Catarina; cada embarcação pode capturar até 15 toneladas, com tolerância extra de até 20%.
  • Emalhe costeiro de superfície: 2.070 toneladas; pesca permitida no litoral e em águas mais afastadas (ZEE) das regiões Sudeste e Sul.
  • Cerco/traineira: 720 toneladas; área de operação no litoral e em águas mais afastadas (ZEE) das regiões Sudeste e Sul do Brasil; cota é distribuída por embarcação.
  • Captura no estuário da Lagoa dos Patos: 2.760 toneladas; pesca realizada no estuário da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, conforme regras específicas para essa área.

“Supersafra” fez pescadores venderem tainha com preço 80% menor

Laurentino Benedito Neves, subsecretário de pesca, maricultura e agricultura de Florianópolis e que comanda o Rancho Saragaço, na Barra da Lagoa, classificou o período de pesca em 2026 como uma “supersafra”.

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Em entrevista ao NSC Total na última semana, o pescador alertou para uma safra “adiantada”, indicando o alto volume de cardumes já no início do período de pesca.

— Está sendo uma supersafra, com a pesca bem adiantada, na verdade. A venda está sendo feita na praia mesmo, para a comunidade e pequenas pescarias. Mas, quando se trata de grande quantidade, precisamos vender para a indústria, que paga um preço bem baixo, dificultando para os pescadores — disse Laurentino ao NSC Total.

Quanto aos valores de venda, o subsecretário de pesca afirmou que, na comunidade, o valor é de R$ 8 a R$ 10 o quilo, mas o preço para a indústria acaba sendo menor.

— A comunidade, ao pagar, entende que o pescador também precisa. A indústria não está nem aí. Eles vêm aqui e querem pagar de R$ 2 a R$ 3 o quilo — concluiu.

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Segundo ele, os valores no ano passado eram maiores, visto que a safra foi mais fraca. Os valores pagos pela indústria chegavam a R$ 10.