A decisão que colocou fim à pesca de tainha por arrasto de praia em função de a modalidade ter atingido 90% da cota prevista para este ano interrompeu um período que vinha sendo considerado uma “supersafra” por produtores. Em apenas 38 dias de pesca, foram capturadas 1,2 mil toneladas do peixe típico desta época do ano nas praias do Estado.

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Na prática, a medida deve significar o fim da pesca da tainha pela modalidade de arrasto de praia em 2026. Somente seriam permitidas a pesca em barcos da modalidade anilhada, lisa, cerco ou pesca industrial, em geral com navios maiores. Embarcações que estejam no mar receberam prazo de 24 horas que termina na tarde desta segunda-feira (8) para descarregar eventuais cardumes já capturados.

No ano passado, a safra da tainha em SC terminou sem atingir a cota prevista, com captura de pouco mais de 1 mil toneladas do peixe. Foi a primeira vez em que a pesca por arrasto de praia recebeu uma cota, o que já ocorria com as modalidades industrial e outros modelos de pesca artesanal.

FOTOS: Como foi a safra da tainha em 2025

No entanto, pescadores de SC ainda tentam reverter a decisão. Uma estratégia é a já anunciada pelo governo de Santa Catarina de ir à Justiça para tentar pôr fim às cotas de pesca de arrasto de praia.

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Outra estratégia deve ser tentar extinguir as cotas pelo meio administrativo. A estratégia é considerada mais rápida e capaz de permitir uma retomada da captura ainda em junho, considerado o pico da passagem dos cardumes de tainha por SC.

Uma reunião nesta segunda-feira (8) em Porto Belo com associações de pescadores e secretários de Pesca de cidades do litoral catarinense definiu que deve ser elaborado um documento para pedir uma ampliação ou a extinção da cota para o arrasto de praia. O entendimento é de que a cota “não funcionaria” para a modalidade.

— As embarcações são a remo, o pescador precisa de um ritual climático que traga as tainhas até a praia, já existe um “defeso natural” no caso da pesca de arrasto de praia — defende o presidente da Federação de Pescadores de Santa Catarina (Fepesc), Ivo da Silva.

Uma manifestação está prevista para ocorrer na tarde desta segunda-feira, na praia de Bombas, em favor da extinção da cota para pesca de tainha por arrasto de praia.

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Uma estratégia de aproveitar a cota de outras modalidades ainda não atingidas para tentar ampliar o limite de captura no arrasto de praia chegou a ser discutida, mas o entendimento é de que isso não resolveria o problema. O presidente da Fepesc aponta que o volume atual de captura foi atingido mais nas praias do Sul do Estado, onde as tainhas chegam primeiro, deixando pescadores do Litoral Norte sem conseguir capturar peixes até agora.

A supersafra de tainha em SC

A pesca da tainha por arrasto de praia começou no dia 1º de maio. Normalmente, a espécie marca presença no litoral catarinense até o fim de julho. Por lei, a captura pode seguir até 31 de dezembro ou até quando alcançar os 90% da cota, o que, desta vez, ocorreu em apenas 38 dias. Neste domingo, pescadores fizeram uma grande captura na praia de Quatro Ilhas, em Bombinhas. A cota foi aumentada em 20% em relação ao ano passado, e neste ano era de 1.332 toneladas.

Segundo o doutor em Aquicultura e engenheiro do Laboratório de Piscicultura Marinha da Universidade Federal de Santa Catarina (Lapmar/UFSC), Caio Magnotti, a “supersafra” de tainha deste ano pode estar relacionada aos ciclones extratropicais formados na Argentina. O fenômeno pode ter favorecido a movimentação do peixe em direção ao litoral do Estado.

A situação chegou a fazer com que pescadores da Grande Florianópolis tivessem que vender o produto até 80% abaixo do valor para mercados.

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— Está sendo uma supersafra, com a pesca bem adiantada, na verdade. A venda está sendo feita na praia mesmo, para a comunidade e pequenas pescarias. Mas, quando se trata de grande quantidade, precisamos vender para a indústria, que paga um preço bem baixo, dificultando para os pescadores — relatou Laurentino Benedito Neves, subsecretário de pesca, maricultura e agricultura de Florianópolis e que comanda o Rancho Saragaço, na Barra da Lagoa, ao definir o período atual como “supersafra”.

Outras modalidades de pesca de tainha seguem liberadas:

  • Emalhe anilhado: 1.094 toneladas; atuação restrita ao litoral de Santa Catarina; cada embarcação pode capturar até 15 toneladas, com tolerância extra de até 20%.
  • Emalhe costeiro de superfície: 2.070 toneladas; pesca permitida no litoral e em águas mais afastadas (ZEE) das regiões Sudeste e Sul.
  • Cerco/traineira: 720 toneladas; área de operação no litoral e em águas mais afastadas (ZEE) das regiões Sudeste e Sul do Brasil; cota é distribuída por embarcação.
  • Captura no estuário da Lagoa dos Patos: 2.760 toneladas; pesca realizada no estuário da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, conforme regras específicas para essa área.