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    Praias de SC terão bandeira lilás para alertar sobre águas-vivas

    Total de 43.528 atendimentos de lesões por água-viva alerta à população e levam bombeiros a programarem ações preventivas 

    17/01/2017 - 03h36

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    Por Redação CBN Diário

    A alta quantidade de pessoas que tiveram lesões por contato de água-viva no último fim de semana motivou uma reunião entre os comandantes do Corpo de Bombeiros para definir condutas a serem tomadas. Desde o início da temporada até esta segunda-feira, foram atendidas 43.528 pessoas pelos guarda-vidas em todo o litoral. No ano passado, neste mesmo período foram 20.403 casos. Mais da metade das ocorrências aconteceram em praias do Sul do Estado.

    Como ação preventiva, os bombeiros decidiram aderir à bandeira lilás, conforme a sinalização internacional para prevenção em áreas aquáticas, indicando a presença de animais marinhos perigosos.

    A bandeira ainda será confeccionada e distribuída entre os postos, mas o coronel Onir Mocellin, comandante do Corpo de Bombeiros Militar, espera que a sinalização esteja disponível ainda para esta temporada. Ela deve ser utilizada como uma bandeira secundária, junto à bandeira que orienta sobre as condições do mar. Enquanto isso, a orientação é que os banhistas fiquem atentos se há presença de águas-vivas na areia da praia e verifiquem com os guarda-vidas se é seguro entrar na água.

    No Litoral Norte do Rio Grande do Sul, as bandeiras são utilizadas desde 2015
    No Litoral Norte do Rio Grande do Sul, as bandeiras são utilizadas desde 2015
    (Foto: )

    Durante o fim de semana, foram registradas ocorrências com dois tipos de águas-vivas: a medusa (Olindias sambaquiensis), tipo mais comum, que causa reação semelhante a urticária na pele, e a caravela (Physalia physalis), que possui tentáculos grandes, geralmente com mais de um metro e deixa marcas parecidas com chicotadas. As caravelas podem causar lesões graves e desencadear reações alérgicas, chegando ao choque anafilático e obstruindo as vias aéreas. A recomendação em caso de contato com águas-vivas é procurar o posto de guarda-vidas mais próximo.

    Aumentam casos no Norte do Estado

    O oceanógrafo e pesquisador da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) Charrid Resgalla Júnior explica que não há como destacar um único fator para o aumento do número de águas-vivas no litoral catarinense, mas lembra que o verão sempre tem picos, até porque cresce a quantidade de pessoas no mar

    — O pessoal sempre se assusta, é um número alto, mas é uma coisa corriqueira, que tem acontecido nos últimos verões. Esse ano em particular está diferente porque estamos tendo muitos casos no Norte do Estado, que antes não tinha tanto.

    O pesquisador explica que uma das possibilidades é que uma espécie menos corriqueira no litoral catarinense esteja na costa, a Chrysaora lactea. Segundo ele, exemplares foram encontrados no Norte de SC em profundidade e poderiam estar causando lesões junto com a espécie mais comum, a Olindias sambaquiensis.

    Repelente em desenvolvimento

    Pesquisadores da Univali estão desenvolvendo fórmula de repelente contra água-viva. A expectativa é que o produto seja concluído até a próxima temporada. A ideia é ter um princípio ativo junto com o protetor solar, para ser aplicado antes de entrar na água.

    — A gente ainda não conseguiu uma formulação estável para colocar no mercado, mas estamos debruçados sobre isso — diz Resgalla Júnior, que acrescenta que seria o primeiro produto desse tipo desenvolvido no país.

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