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    Preço do leite aumenta quase 30% em SC; por que está tão caro?

    Aumento no valor pago ao produtor reflete nas prateleiras dos mercados e em produtos como leite UHT, leite em pó, queijo; entenda o porquê desse reajuste

    10/08/2020 - 10h25 - Atualizada em: 10/08/2020 - 10h52

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    Augusto
    Por Augusto Ittner
    Pesou no bolso o aumento do valor pago ao produtor.
    Pesou no bolso o aumento do valor pago ao produtor.
    (Foto: )

    Você, leitor, reparou que o preço do leite deu uma aumentada aqui em Santa Catarina nas últimas semanas, né? E não só isso: outros produtos como o queijo (muçarela e prato, principalmente), e até o leite em pó também tiveram reajuste de julho para cá. Essa disparada no valor pago ao produtor é a maior já registrada em dois meses seguidos no Estado e chega a 28,4% — nas prateleira dos mercados, porém, pesa ainda mais no bolso do consumidor e chega a passar da marca de 30%.

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    O preço do leite pago ao produtor em SC começou o ano em R$ 1,37 o litro, segundo o Centro de Pesquisas Econômicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea). De lá para cá, foram cinco altas e apenas uma baixa — em maio, quando o valor caiu 5,8%. Em junho e julho, o produto acumulou duas altas consecutivas acima da casa de dois dígitos, de 10,8% e 17,5%. Desde que a média Cepea é calculada, nunca o Estado registrou dois aumentos tão consideráveis. O preço do litro, então, bateu R$ 1,74.

    Três fatores

    Mas, afinal de contas, por que o preço do leite aumentou tanto em SC?

    Segundo o engenheiro agrônomo e analista de socieconomia da Epagri/Cepa, Tabajara Marcondes, três fatores explicam esse aumento no preço do leite — e, como consequência, de outros produtos: um período histórico de baixa produção, aliado ao aumento no consumo nas classes mais baixas e também à procura maior por itens de supermercado — esse último ligado diretamente à quarentena e ao isolamento social relacionados ao coronavírus.

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    Todos esses fatores fizeram com que a demanda pelos produtos nas prateleiras dos supermercados fosse maior do que a oferta.

    — Primeiro nós estávamos em um período de produção baixa, de entressafra, que começa mais ou menos em março e abril e vai até agosto. É um período de preços maiores e, consequentemente, melhores aos produtores. Em segundo ponto tivemos os programas de ajuda do governo federal, como o Auxílio Emergencial. Esse recurso fez com que famílias mais pobres, com subconsumo de leite, comprassem mais. O terceiro aspecto é o aumento exponencial da venda de produtos alimentícios do lar [por conta da pandemia], o que impactou na comercialização dos lácteos — explica Tabajara Marcondes.

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    Leite UHT, leite em pó, creme de leite, queijo. Todos esses produtos foram diretamente impactados pelo aumento no valor pago ao produtor. O engenheiro agrônomo da Epagri/Cepa conta, também, que a perspectiva era negativa por conta da crise da Covid-19, e que o comportamento do consumidor foi o oposto do que os especialistas esperavam.

    — O que aconteceu com o aumento no consumo foi exatamente o contrário do que imaginávamos. Agora a preocupação do setor é daqui para frente, principalmente quando acabarem os benefícios emergenciais do governo, em dezembro. Lá poderá haver um baque — aponta Marcondes.

    Tendência de queda

    Mas nem tudo são notícias ruins.

    Se por enquanto o preço do leite e derivados disparou, o indicativo para os próximos meses é de queda do valor, avalia Marcondes:

    — Agora nós vamos entrar em um momento de maior oferta. E essa variação será expressiva, de 20% a 25%. Com isso naturalmente os preços vão baixar.

    Menos mal.

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