Viajar de avião ficou até quatro vezes mais caro do que encarar as estradas de ônibus no Brasil. No primeiro semestre de 2026, as tarifas aéreas acumularam uma alta expressiva de 23%, enquanto o transporte rodoviário registrou um reajuste tímido, forçando uma mudança de hábito de quem planeja sair da sua região para outros estados. O abismo nos preços faz as rodoviárias registrarem aumento na procura de passageiros que tentam fugir do aperto nos aeroportos.

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Os dados são baseados no Índice do Rodoviário ClickBus, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em cruzamento com o índice oficial de inflação das passagens aéreas calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio do IPCA.

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Até quatro vezes mais caro: o abismo de preços entre voar e ir pelas estradas 

A diferença de custos entre os dois modais de transporte fica ainda mais nítida quando analisamos o acumulado de um ano. Entre junho de 2025 e junho de 2026, os bilhetes de avião registraram um salto de 52,4% no Brasil. Em contrapartida, as passagens de ônibus subiram somente 7% no mesmo período, ampliando drasticamente a diferença de impacto no bolso do consumidor final.

No horizonte de longo prazo, essa tendência de distanciamento tarifário se consolida. Desde o início da série histórica do índice da Fipe, em dezembro de 2017, o transporte rodoviário acumula uma alta de 59,8%, enquanto o setor de aviação civil viu suas passagens dispararem 80,9% no mesmo intervalo.

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Mais tempo de estrada em troca de economia no bolso

O levantamento revela que o ônibus ganhou competitividade exatamente nas rotas mais longas, que tradicionalmente disputam passageiros diretamente com as companhias aéreas. Nas viagens interestaduais acima de 400 quilômetros, as passagens de ônibus apresentaram uma queda média de 5,8% no primeiro semestre de 2026. Para muitas famílias, trocar o aeroporto pela rodoviária passou a ser a única alternativa viável para manter as viagens de férias sem estourar o orçamento doméstico.

Por outro lado, os trajetos curtos (de até 100 quilômetros) registraram movimento inverso, acumulando alta de 10,1% no período, impulsionados pela demanda constante de deslocamentos cotidianos e regionais.

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Por que voar ficou tão caro em 2026?

O principal fator por trás da forte alta das passagens aéreas é o encarecimento do querosene de aviação (QAV), que representa um dos maiores custos operacionais das companhias aéreas. Ao longo do primeiro semestre deste ano, as tensões geopolíticas no Oriente Médio pressionaram a cotação internacional do barril de petróleo, elevando o preço do combustível das aeronaves.

No setor rodoviário, embora o preço do óleo diesel também tenha acumulado alta de 8,5% no primeiro semestre, as empresas de transporte de passageiros conseguiram absorver a maior parte desse impacto operacional, evitando o repasse integral da inflação dos combustíveis para o preço das passagens de ônibus.

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Região Sul registra menor reajuste do Brasil

A variação de preços nas passagens de ônibus também apresentou comportamentos distintos entre as regiões brasileiras no primeiro semestre de 2026:

  • Centro-Oeste: +10,2% (maior alta do país)
  • Sudeste: +8,2%
  • Nordeste: +4,4%
  • Norte: +3,9%
  • Sul: +1,9% (menor variação registrada)

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A Fipe, em parceria com a ClickBus por meio do Índice Rodoviário, aponta que o Sul teve o menor índice de reajuste das passagens de ônibus no período. Para o consumidor dessa região, essa estabilidade nas passagens terrestres consolida a rodoviária como uma alternativa altamente vantajosa diante da instabilidade tarifária do setor aéreo.

*Com edição de Luiz Daudt Junior.