As passagens aéreas continuam entre os itens que mais pressionam a inflação no Brasil em 2026, mesmo após medidas do governo para tentar conter os preços dos combustíveis. O movimento está ligado, principalmente, ao aumento do querosene de aviação (QAV) e à instabilidade no mercado internacional de petróleo — fatores que limitam o efeito de ações internas e mantêm os custos do setor em alta.

Continua depois da publicidade

O principal peso vem do combustível, que responde por cerca de 30% dos custos operacionais das companhias aéreas. Nos últimos meses, esse insumo tem sido impactado tanto pela valorização do petróleo, quanto pela volatilidade do câmbio, o que eleva a pressão sobre as tarifas.

Como o custo do combustível dita o ritmo das decolagens

Em abril de 2026, a Petrobras anunciou um reajuste de até 56% no preço do querosene de aviação, com variações conforme o polo de venda e os contratos com distribuidoras. O aumento reflete a alta do petróleo no mercado internacional em meio a tensões geopolíticas recentes.

Apesar da magnitude, o impacto não ocorre de forma imediata e integral. A estatal adotou, um modelo de cobrança que permite o parcelamento de parte do reajuste ao longo dos meses seguintes, suavizando o efeito no curto prazo.

Ainda assim, o custo elevado do combustível tende a ser repassado, ao menos parcialmente, aos consumidores.

Continua depois da publicidade

Esse movimento já aparece nos indicadores de inflação. Dados do E-Investidor mostram alta expressiva no item “passagens aéreas” em 12 meses, com variações mais intensas em períodos de maior demanda e em rotas específicas.

Por que as medidas de alívio não chegam ao consumidor final

Tentativas de conter a alta como ajustes na política de preços e redução de tributos, têm alcance restrito. Análises da CNN Brasil indicam que a Petrobras nem sempre acompanha integralmente as oscilações do mercado internacional, o que pode aliviar pressões momentâneas, mas não elimina os fatores estruturais.

Na prática, cortes tributários tendem a gerar impactos marginais. Reportagens do G1 apontam que essas medidas reduzem o preço em poucos centavos por litro e podem ser rapidamente anuladas por oscilações do petróleo, que, segundo essas análises, tem operado entre US$ 80 e US$ 100 por barril em 2026.

Com isso, o custo do combustível permanece elevado, sustentando a pressão sobre as tarifas aéreas.

O impacto do cenário externo nas conexões brasileiras

Grande parte desse cenário vem de fora do país. Tensões geopolíticas, variações no preço do petróleo e a valorização do dólar afetam diretamente os custos das companhias aéreas, que operam com despesas majoritariamente dolarizadas.

Continua depois da publicidade

Além disso, a estrutura tributária brasileira sobre combustíveis — frequentemente apontada como complexa — também influencia na formação dos preços.

Segundo análise da Veja, a combinação de tributos federais e estaduais reduz o impacto de medidas pontuais, limitando a eficácia de ações voltadas ao controle de preços no curto prazo.

Preço das passagens não deve dar trégua ao longo do ano

Diante desse contexto, agentes de mercado avaliam que as passagens aéreas devem seguir em níveis elevados ao longo de 2026, com reajustes graduais acompanhando tanto o custo do combustível quanto a demanda por viagens.

Na prática, mesmo com esforços para conter a inflação, o preço final das passagens continua fortemente ligado a fatores externos, o que limita a capacidade de controle no curto prazo e mantém o transporte aéreo como um dos principais focos de pressão no custo de vida.

Continua depois da publicidade

Enquanto o cenário internacional seguir volátil e os custos permanecerem dolarizados, a tendência é de que o alívio para o consumidor seja lento e pontual, mantendo as viagens aéreas menos acessíveis e reforçando seu peso nos índices de inflação ao longo do ano.

FOTOS: Como a disparada do petróleo ameaça o seu bolso

*Com edição de Luiz Daudt Junior.