A escalada de tensão entre Irã e Israel e o preço do petróleo ultrapassando a marca dos 100 dólares acenderam um alerta importante no Brasil. Para evitar que essa turbulência internacional chegue direto ao prato de comida do brasileiro, o governo federal e a Petrobras colocaram em prática uma estratégia que combina manobras fiscais e um novo modelo de cobrança.
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Na prática, o foco atual é segurar o valor do diesel para conter a inflação, enquanto o motorista de carro de passeio segue em um cenário de estabilidade vigilante.
Alívio focado no diesel
A lógica adotada em Brasília é simples, embora financeiramente complexa: como o diesel move os caminhões que transportam quase tudo o que consumimos, qualquer alta nas bombas vira, quase instantaneamente, alta no supermercado. Para evitar esse efeito cascata no arroz, no feijão e na carne, o governo decidiu zerar os impostos federais e instituir uma subvenção econômica.
Essas medidas juntas representam um alívio de R$ 0,64 por litro nas bombas (sendo R$ 0,44 de impostos e R$ 0,20 de subvenção). Para garantir que esse desconto chegue de fato ao consumidor e não fique retido nas margens de lucro dos postos, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) intensificou a fiscalização em todo o país, aplicando multas que podem chegar a R$ cinco milhões para quem descumprir a regra.
Contexto histórico e riscos passados
O debate sobre o controle de preços traz inevitavelmente à memória o que ocorreu durante o governo de Dilma Rousseff. Naquela época, o governo utilizou a Petrobras para segurar artificialmente os preços e conter a inflação interna, ignorando as variações do mercado internacional. Embora a medida tenha aliviado o bolso no curto prazo, a estratégia gerou prejuízos bilionários para a estatal e reduziu drasticamente sua capacidade de investimento por anos.
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Hoje, busca-se um equilíbrio diferente para evitar os riscos do passado. Em vez de simplesmente “congelar” os valores por tempo indeterminado, utiliza-se a nova política de gradualismo da empresa somada a medidas fiscais externas para reduzir o preço na ponta sem desequilibrar o caixa da companhia.
Gasolina sem previsão de queda
Se você abastece com gasolina ou etanol, a sensação é de que o alívio ainda não atravessou a rua. Atualmente, o preço médio da gasolina no país tem flutuado na casa dos R$ 6,28, conforme levantamento da ANP deste dia 13 de março, e não há previsão de corte de impostos para os veículos de passeio.
A prioridade do governo neste momento é proteger a cadeia logística e o setor produtivo, deixando a gasolina sob a influência direta da nova política de preços da Petrobras, sem os subsídios extras aplicados ao diesel.
Quem paga a fatura?
Manter o combustível mais barato tem um custo alto, estimado em cerca de R$ 28,5 bilhões para o ano de 2026, de acordo com a Lei Orçamentária Anual. Para fechar essa conta sem desequilibrar as finanças públicas, o governo criou uma compensação tributária focada no mercado externo.
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Foi instituído um imposto de 12% sobre a exportação de óleo bruto e uma taxação extra de 50% sobre o diesel vendido para fora. Na prática, o governo utiliza parte do lucro das vendas para o exterior para custear o desconto do combustível consumido internamente.
O que esperar nos próximos meses
Este cenário de alívio tem prazos definidos que pedem atenção. A isenção de impostos federais sobre o diesel é válida até 31 de maio de 2026. Se o conflito entre Irã e Israel persistir e o petróleo continuar em patamares elevados, o governo terá que decidir entre prorrogar o benefício ou permitir que o preço suba, o que pressionaria o frete e a inflação no segundo semestre. Por enquanto, o monitoramento constante dos preços e a duração da crise internacional são os principais termômetros para o bolso do brasileiro.
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*Com edição de Luiz Daudt Junior.








