O agronegócio registrou alta de 11,7% em 2025. Esse desempenho posicionou o setor como o principal componente da economia nacional, estabilizando o Produto Interno Bruto (PIB) em períodos nos quais outros segmentos produtivos, como a indústria ou o consumo interno, apresentaram retração. A relevância do campo, contudo, não se limita ao volume produzido, mas reside na forma como essa atividade se conecta com o restante da economia e dita o ritmo de outros setores.

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A extensão da cadeia produtiva

Para compreender essa conexão, é preciso observar as metodologias de cálculo. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mede a atividade “dentro da porteira”, focando na produção primária, o que resultou em uma contribuição de 7,1% ao PIB de 2025. Essa métrica, porém, isola a fazenda do restante do sistema produtivo. Quando o cálculo adota o critério de “agronegócio amplo”, método da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a análise soma a indústria de insumos, a logística, a agroindústria e a distribuição.

Sob este modelo, a participação atinge 30% da economia, pois mapeia todo o fluxo que conecta a terra ao produto final. Esse dado mostra que a produção no campo demanda, obrigatoriamente, a operação de fábricas de fertilizantes, de montadoras de veículos de carga e de complexos de processamento.

Balança comercial e mercado de trabalho

Essa movimentação dentro da cadeia produtiva, por sua vez, transborda para o comércio exterior. As exportações somaram 169 bilhões de dólares em 2025, volume que ingressa no país em moeda estrangeira e aumenta a oferta de dólares no mercado interno. Esse fluxo de divisas auxilia no equilíbrio das contas externas e influencia a precificação de produtos importados e a inflação doméstica.

A conexão com o mercado de trabalho segue a mesma lógica de dependência. O setor sustentou 28,6 milhões de ocupações no terceiro trimestre de 2025, o que corresponde a 26% da força de trabalho ocupada no país. Esses postos não se concentram apenas na lavoura, mas se distribuem entre técnicos, engenheiros, operadores de logística e pessoal de suporte industrial, mantendo o fluxo de trabalho em diversas áreas de apoio.

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Gestão de riscos financeiros

Toda essa operação, entretanto, enfrenta desafios financeiros decorrentes da exposição ao mercado. A inadimplência no crédito rural atingiu 11,4% em outubro de 2025, índice influenciado pelas taxas de juros e pela variação dos preços internacionais das commodities. Quando o valor do produto recua ou o clima afeta a safra, o produtor encontra dificuldade para honrar os financiamentos tomados para o custeio.

Essa dificuldade se agrava porque a cobertura do seguro rural protege menos de 5% da área produtiva total. A ausência de garantias amplas expõe o produtor a prejuízos e torna a gestão financeira um ponto de atenção, que conecta diretamente o sucesso da colheita à capacidade de pagamento perante as instituições bancárias.

Sustentabilidade e condições de financiamento

Diante dessa exposição a riscos e das exigências globais, a agenda ambiental passou a integrar as regras de financiamento. O Plano Safra 2025/2026 destinou R$ 516,2 bilhões ao setor, mas vinculou o acesso a esses recursos a condicionantes, como a prática de reflorestamento e a redução de emissões de carbono.

O cumprimento dessas normas tornou-se um requisito para o acesso ao crédito, pois o mercado internacional exige padrões de uso do solo que alinham a produção nacional às metas climáticas globais. Dessa forma, a sustentabilidade deixou de ser um conceito para se tornar um mecanismo que viabiliza o capital necessário para a produção.

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O debate sobre o futuro do modelo econômico

Esse cenário de financiamento e exportação leva, por fim, ao debate sobre o uso da renda gerada pelo campo. A produtividade do agro garante a estabilidade da balança comercial e a segurança alimentar. Contudo, a exportação de matéria-prima sem processamento local gera questionamentos sobre a dependência de ciclos externos de preços.

A questão central para a política econômica, portanto, consiste em converter o capital gerado no campo em investimento para a diversificação industrial e a inovação tecnológica. A estratégia visa reduzir a dependência da exportação de itens básicos, utilizando o resultado do agro em 2025 como base para o planejamento econômico de longo prazo.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.