A recente escalada nas hostilidades entre Irã, Israel e Estados Unidos colocou o mercado financeiro global em estado de atenção. Embora o efeito imediato nos preços ao consumidor brasileiro seja considerado moderado, o fator tempo é a variável crucial: o prolongamento da crise ameaça setores vitais como o agronegócio e a logística. O canal de transmissão é direto: a incerteza internacional impulsiona o dólar e o petróleo, o que contamina o IPCA e obriga o Banco Central a frear a queda da Selic. 

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Conflito põe em xeque a queda da Selic e altera projeções do mercado 

Até o agravamento das tensões no Oriente Médio, o mercado financeiro — amparado pelo Relatório Focus — trabalhava com o início do ciclo de flexibilização monetária ainda para este mês. A aposta majoritária previa um corte de 0,5 ponto percentual na Taxa Selic, reduzindo os juros de 15% para 14,5% ao ano. 

Com a guerra, o cenário de médio prazo entra em rota de revisão. As projeções anteriores, que estimavam a Selic em 12% para 2026 e 10,5% em 2027, agora passam por um novo escrutínio dos analistas. Em entrevista ao g1, Leonardo Costa, economista do ASA, explicou que a escalada geopolítica eleva significativamente os riscos para o setor de energia, mas ressaltou que o impacto real no PIB brasileiro dependerá diretamente da intensidade e da duração do embate. 

Como a crise internacional trava a economia brasileira 

No mercado de energia, a dinâmica é ditada pelo “ritmo do conflito”. O principal temor recai sobre o comprometimento das rotas globais de exportação. Caso o fornecimento seja afetado, o repasse de preços nas bombas brasileiras torna-se inevitável devido à paridade internacional. Uma estabilização no preço do barril Brent, contudo, ainda é possível caso a crise não atinja diretamente os países produtores.

Essa incerteza reflete diretamente na política monetária, onde o corte de juros previsto pelo Banco Central para março segue como cenário base, mas sob forte cautela: segundo Fabiano Zimmermann, head de renda fixa do ASA, em entrevista ao g1, o prolongamento das hostilidades pode interromper a valorização do real e elevar os patamares do petróleo, fatores que tenderiam a limitar a magnitude do ciclo de queda da Selic. 

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O setor produtivo brasileiro monitora o conflito com cautela, já que a valorização do dólar encarece insumos básicos e fertilizantes, enquanto a alta do diesel eleva o custo do frete para o escoamento da safra e da produção industrial. Esse “combo” de custos elevados ameaça gerar uma inflação de oferta, dificultando a convergência do IPCA para a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pressionando as margens de lucro de produtores e fabricantes em todo o país.

Como o conflito afeta o custo de vida e a produção no Brasil

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.