O prefeito de Lages, Antônio Ceron (PSD), também se tornou réu no processo da Operação Mensageiro. A investigação apura um suposto esquema de corrupção na contratação de serviços de coleta e transporte de lixo em cidades de Santa Catarina.

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O julgamento da denúncia contra o prefeito afastado de Lages ocorreu na tarde desta quinta-feira (11), no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). A decisão foi tomada pela 5ª Câmara Criminal, em Florianópolis. Nesta etapa o colegiado decidia pela abertura ou não do processo contra o prefeito.

A decisão significa que a Justiça aceitou a denúncia e agora irá avaliar os elementos obtidos pela investigação, concedendo espaço também às manifestações da defesa do prefeito. O sigilo sobre a investigação também foi retirado pela decisão desta quinta.

Além de Ceron, outros ex-secretários da prefeitura de Lages também tiveram a denúncia aceita na audiência desta quinta. Trata-se de Antônio César Alves de Arruda, que respondia pela pasta de Administração e Finanças, e Eroni Delfes Rodrigues, então titular de Serviços Públicos e Meio Ambiente.

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Como a empresa pivô da Mensageiro fraudava licitações desde 2014 sem levantar suspeitas

Ceron foi preso na segunda fase da Operação Mensageiro, em fevereiro de 2023. Ele ficou detido por duas semanas em Itajaí, mas atualmente está em prisão domiciliar, após a Justiça aceitar um pedido da defesa. Ele é o único dos prefeitos alvos da Operação Mensageiro que está detido neste regime. Os demais permanecem em unidades prisionais do Estado.

Na época da prisão, o MP afirmou que o pedido foi expedido após análise dos depoimentos das testemunhas, investigados e provas coletadas na primeira fase da investigação.

Trechos da investigação obtidos pelo colunista da NSC, Ânderson Silva, apontaram que o prefeito de Lages e os secretários são suspeitos de terem recebido ao menos R$ 2 milhões em dois anos de movimentações investigadas. Os valores ilegais seriam pagos em troca de contratos nas áreas de iluminação pública e coleta de lixo.

A decisão também cita um suposto pagamento de R$ 50 mil mensais ao prefeito, pagos, em tese, pela empresa Serrana Engenharia, pivô da Operação Mensageiro.

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Contraponto

Procurada pela reportagem, a defesa de Ceron enviou uma nota em que afirma que “não há absolutamente nada que, minimamente, ligue o prefeito Antônio Ceron aos fatos criminosos ora sob investigação”. O texto também nega superfaturamento em contratos de coleta de lixo, alega falta de justa causa à ação aceita pela Justiça e diz que o nome do prefeito não é citado nas delações que embasam a investigação.

Confira a nota na íntegra

O que é a Operação Mensageiro e o que ela apura?

A Operação Mensageiro teve início em 6 de dezembro de 2022 e apura esquema de corrupção na licitação da coleta de lixo em cidades de Santa Catarina. Na primeira fase, quatro prefeitos foram presos: Pescaria Brava, Papanduva, Balneário Barra do Sul e Itapoá.

A segunda, deflagrada em 2 de fevereiro, teve dois prefeitos presos: Lages e Capivari de Baixo. Na terceira fase, que ocorreu 15 dias após, o prefeito de Tubarão e o vice foram presos. Já na quarta, as informações preliminares apontam que os prefeitos de Gravatal, no Sul do Estado, Guaramirim e Schroeder, ambos no Norte, foram presos. Há ainda cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão.

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