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Ressocialização

Produção de fraldas na Penitenciária de Joinville pode gerar economia de R$ 380 mil

Fraldas serão destinadas a pacientes do Hospital São José. Primeira embalagem com fraldas produzidas por detentos da unidade prisional foi concluída na quinta-feira

12/09/2019 - 09h27

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Luan
Por Luan Martendal
Produção de fraldas começa na Penitenciária de Joinville
Produção de fraldas começa na Penitenciária de Joinville
(Foto: )

A primeira embalagem de fraldas 100% produzidas por detentos da Penitenciária Industrial de Joinville, por meio de um convênio entre a instituição e a Secretaria de Saúde de Joinville, foi entregue nesta quarta-feira (11). O ato marca oficialmente o início da produção que vai beneficiar pacientes do Hospital Municipal São José e gerar economia de cerca de R$ 380 mil por ano aos cofres públicos. Idealizado há dois anos, o projeto se concretizou na segunda-feira, quando 10 internos da unidade prisional foram capacitados para operar a máquina em período de teste, completando as primeiras tiragens já nesta semana.

A iniciativa conjunta entre as áreas da Saúde e da Segurança passou a operar em uma sala mantida dentro de uma das galerias da penitenciária, no canteiro de trabalho que já conta com outras indústrias parceiras.

Para a produção específica das fraldas serão demandados neste primeiro momento dois turnos de seis horas, cada um com cinco internos envolvidos na produção, corte, dobra e embalagem das fraldas. O trabalho é supervisionado por representantes da secretaria da saúde de segunda a sexta-feira.

- Iniciamos nesta semana a primeira fase do projeto, que é um momento de identificação desses internos com o trabalho, os treinamentos e o ensino das regras e boas práticas que devem ser seguidas nesta função. Além disso, estamos prevendo uma capacidade de produção de 200 fraldas por hora nos primeiros 30 dias. Numa segunda fase, quando a produção em escala começar, é possível contar com mais pessoas e aumentar para 600 fraldas/hora - explica e estima Janaina Ferreira Teixeira, gerente administrativo-financeira da Secretaria de Saúde.

Impacto financeiro

Produção pode chegar a 600 fraldas por hora
Produção pode chegar a 600 fraldas por hora
(Foto: )

O secretário municipal de Saúde, Jean Rodrigues da Silva, destaca que além de fomentar a cidadania o convênio deve reduzir despesas, impactando em benefício para a população e para os 1.014 pacientes que necessitam, em média, de 3,5 mil fraldas por mês no Hospital São José.

- Este trabalho intersetorial entre os órgãos de Saúde e Segurança pública é uma oportunidade de darmos a nossa contribuição para a ressocialização desses presos e de gerar economia. Serão cerca de R$ 380 mil reduzidos anualmente com o que é gasto hoje pelo Município para comprar fraldas - aponta Jean.

Segundo o secretário, todos os anos Joinville investe cerca de R$ 1,85 milhão na aquisição desses produtos. O custo será reduzido, porque com apenas o investimento inicial da Prefeitura na compra de uma máquina (ao custo de R$ 15 mil) e a manutenção dos detentos empregados por meio do convênio com a Penitenciária Industrial, é possível que a produção semanal possa girar em torno de cinco mil fraldas no início do serviço. Mais tarde, com a atividade consolidada este número pode aumentar para cerca de 10 a 15 mil unidades por semana.

Parcerias duradouras

O contrato atual entre a prefeitura e a penitenciária costuma durar por 12 meses e o acordo atual segue até dezembro. Na avaliação de João Renato Schiitter, diretor da Penitenciária Industrial de Joinville, a parceria tende a ser duradoura assim como acontece com grandes empresas da cidade, como Ciser e Tigre, que mantém contratos de décadas com a unidade prisional.

- É um retorno interessante para todos: a prefeitura ganha em economia, porque aqui o custo de produção vai ser inferior ao praticado fora da unidade; os internos recebem treinamento, um salário mínimo e a cada três dias trabalhados têm remissão de um dia na pena; e a penitenciária cumpre a sua função de garantir o direito ao trabalho para essas pessoas - avalia João Renato.

Conforme servidor responsável pelo setor laboral da penitenciária, Fernando Rauber, atualmente o modelo de trabalho desenvolvido em forma de convênio entre a penitenciária e empresas da região emprega 409 internos e outros cerca de 60 homens com direito ao semiaberto. Isso significa que a maior parcela dos cerca de 750 presos da Penitenciária Industrial possuem trabalho.

Segundo ele, é possível que nos próximos 90 dias mais de 90% dos internos da penitenciária estejam desempenhando alguma atividade laboral, visto que em 45 dias deve ser executado um projeto de ampliação da Tigre na unidade, o que deve elevar o número de vagas.

Soma-se a isso a abertura de licitação para um novo pavilhão com previsão de investimento de cerca de R$ 1,2 milhão, que promete abrigar uma lavanderia onde cerca de 100 internos deverão lavar, secar e passar as peças utilizadas nas unidades prisionais de Joinville, Jaraguá do Sul e São Francisco do Sul, além do Presídio Feminino, que está com 85% de suas obras concluídas.

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