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Professor homossexual alvo de tentativa de boicote é eleito diretor de escola de Gaspar

Lodemar Luciano Schmitt recebeu voto "sim" de 297 das 433 pessoas que participaram da eleição na Dolores Krauss

22/11/2019 - 21h32 - Atualizada em: 22/11/2019 - 21h54

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Redação
Por Redação Santa
Resultado votação
Resultado final da votação mostra vitória de Lodemar
(Foto: )

O professor Lodemar Luciano Schmitt foi eleito nesta sexta-feira (22) diretor da Escola Professora Dolores L. S. Krauss, da rede municipal de ensino de Gaspar. Candidato único na disputa, o docente, que leciona Matemática, recebeu o "sim" de 297 dos 433 votantes.

A Dolores Krauss foi um dos 21 educandários da cidade que convocou funcionários, alunos e pais a irem às urnas nesta sexta. A eleição na unidade, porém, ganhou repercussão além do normal por conta de um episódio de preconceito.

Com quase 19 anos de experiência na rede municipal e outros 26 na estadual, Lodemar foi alvo de uma campanha de boicote por ser homossexual. Áudios que circularam em um grupo de WhatsApp de pais de estudantes revelam que uma mãe de alunos pediu a outras pessoas que votassem contra o professor.

Nas falas, a mulher teria dito que o profissional "é afetadíssimo", "não tem compostura" por ser homem e se vestir como mulher, que ele não seria um bom exemplo para as crianças e que não defenderia esse tipo de "perfil" na direção da escola.

Os áudios, enviados na quarta-feira, vazaram. Entidades como o Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino do Estado (Sinte-SC) e a CUT-SC emitiram nota de repúdio. Diante da repercussão, a autora se manifestou em uma rede social dizendo estar arrependida e pediu desculpas ao professor. O post, no entanto, acabou sendo retirado do ar.

Na página da escola no Facebook, uma postagem com a foto de Lodemar, que destacava que ele era o candidato único à direção da unidade e convocava a comunidade a participar da eleição, recebeu vários comentários de apoio ao profissional.

— Esse episódio me deixou triste por uma pessoa me criticar sem me conhecer, só pela aparência física, por eu ser mais parecida com uma mulher. Mas por outro lado me fortaleceu. Recebi ligações de apoio de alunos, ex-alunos, pais e professores de outras escolas. A repercussão me pegou de surpresa. Eu jamais imaginaria que isso aconteceria — conta Lode, como é carinhosamente chamado pelos amigos.

Apesar da polêmica em torno do caso, as eleições na Dolores Krauss ocorreram sem incidentes ao longo desta sexta-feira, segundo a diretora Sirlei Silva de Jesus Miranda. Lodemar tomará posse em janeiro e já procurou a atual diretoria para trabalhar a transição de comando. Suas metas à frente da escola incluem a ampliação dos índices de rendimento dos alunos e aprimoramento do processo de aprendizagem. O bem-estar de professores e funcionários é outro objetivo.

Do episódio ele diz sair mais fortalecido e garante que, a partir de agora, não irá se calar diante do preconceito.

— Em toda minha vida eu deixei de levar isso adiante porque achava que era uma bobeirinha e iria passar, mas agora, com meus 45 anos de idade, está na hora de mostrar para a sociedade que a gente não pode mais permitir isso.

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