Quem acompanha a chegada das baleias-francas ao litoral catarinense durante o inverno também pode contribuir para a conservação da espécie. Mantido pelo Projeto Franca Austral (ProFranca), do Instituto Australis, o programa de adoção simbólica permite que apoiadores escolham uma baleia monitorada pelos pesquisadores, conheçam sua história e ajudem a financiar estudos realizados no Sul do Brasil.
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A iniciativa permite que apoiadores escolham uma entre seis baleias monitoradas pelos pesquisadores e contribuam com valores a partir de R$ 20. Dependendo da categoria selecionada, os adotantes recebem brindes como camisetas, pelúcias, ecobags, certificados e materiais educativos.
Segundo a diretora de pesquisa do Projeto Franca Austral, Karina Groch, o programa surgiu como uma forma de aproximar a população do trabalho realizado pelos pesquisadores.
— Muitas pessoas nos procuravam perguntando como poderiam colaborar, ser voluntários. Então a gente criou esse programa para contemplar esse anseio de muita gente que nos procuraram oferecendo ajuda, e querendo fazer parte de certa forma — explica.
Além de apoiar financeiramente os estudos, os participantes recebem informações sobre a baleia escolhida, incluindo histórico de avistagens, migrações e curiosidades registradas ao longo dos anos.
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— Quando o adotante escolhe uma baleia e pesquisa sobre cada uma delas, vê com qual se identifica mais, a pessoa acaba se envolvendo mais com o nosso trabalho, conhecendo mais o que nós fazemos. É fantástico a gente conseguir, digamos assim, bisbilhotar a vida das baleias que fazem parte do programa de adoção — afirma.
Baleias com histórias únicas
Entre as opções disponíveis está Felícia, uma das baleias mais conhecidas pelos pesquisadores. Avistada pela primeira vez no Brasil em 1999, ela se tornou facilmente identificável devido às cicatrizes deixadas por uma hélice de embarcação próxima à cauda. Ao longo dos anos, retornou diversas vezes ao litoral catarinense sempre acompanhada de filhotes.
Outra personagem marcante é Sunset. Quando ainda jovem, em 2003, ficou presa durante 28 horas em uma área rasa da Lagoa de Santa Marta, em Laguna. O resgate mobilizou moradores, órgãos públicos e entidades ambientais. O nome surgiu justamente porque a libertação ocorreu durante o pôr do sol.
Há também Sloughy, que protagonizou um feito raro ao ser identificada tanto no Brasil quanto nas Ilhas Geórgias do Sul, fornecendo evidências importantes sobre as áreas de alimentação utilizadas pelas baleias-francas brasileiras.
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Já JDot tem uma trajetória internacional. Catalogada inicialmente na Argentina em 1973, passou a frequentar o litoral brasileiro a partir dos anos 2000, utilizando as águas catarinenses como berçário para seus filhotes.
A lista inclui ainda Mariscal, sobrevivente de uma colisão com embarcação registrada em 2012, e Zimba, escolhida como mascote do ProFranca e conhecida por protagonizar registros históricos da espécie em áreas pouco comuns do litoral brasileiro.
Monitoramento por satélite acompanha rota das baleias
As baleias-francas que visitam o litoral brasileiro também participam de um projeto de monitoramento por telemetria satelital desenvolvido pelo ProFranca em parceria com o Instituto Aqualie, o Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (Gemars) e a Universidade Federal de Juiz de Fora.
A tecnologia permite acompanhar os deslocamentos dos animais em tempo quase real por meio de dispositivos instalados no dorso das baleias. O objetivo é compreender melhor os movimentos da espécie ao longo da costa brasileira e identificar as rotas utilizadas após o período reprodutivo.
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Temporada das baleias se aproxima
Reconhecida como Capital Nacional da Baleia Franca, Imbituba é um dos principais destinos de observação da espécie no país.
Todos os anos, entre julho e novembro, as baleias migram para a região em busca de águas mais quentes e protegidas para o nascimento e a amamentação dos filhotes. No entanto, em 2026, elas chegaram mais cedo ao litoral catarinense. Geralmente, o pico de avistagens costuma ocorrer entre a segunda quinzena de agosto e o início de outubro.
Além de movimentar pesquisadores e admiradores da vida marinha, a temporada impulsiona a chamada Rota da Baleia Franca, que reúne atrativos naturais e culturais nos municípios de Imbituba, Garopaba e Laguna.
Conheça as baleias-francas que fazem parte do projeto de adoção simbólica
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