A obra do prolongamento da Via Expressa em Blumenau, que se arrasta há anos, deve ter uma nova fase nos próximos dias. A novidade, porém, carrega dois fatos: um positivo e outro um pouco desanimador.
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O primeiro é que o governo do Estado diz ter conseguido entrar em um consenso com a empresa responsável pelo serviço e o trecho de três quilômetros que já está quase pronto, entre a BR-470 e a Rua Theodoro Pasold, será finalizado. Os trabalhos devem começar nos “próximos dias”, segundo palavras do secretário de Infraestrutura e Mobilidade de Santa Catarina, Jerry Comper.
Comper esteve no Jornal do Almoço, na NSC TV, em Blumenau. No ar, falou dessa e de outras obras na região, mas evitou prometer prazo para a conclusão do pequeno trecho que vai ligar a Via Expressa ao bairro Fortaleza Alta. Nos bastidores, no entanto, teve mais tempo para explicar a situação.
Ao NSC Total, o secretário revelou que a empresa se comprometeu a fazer as cabeceiras do viaduto na Rua Guilherme Scharf (que atualmente liga nada a lugar algum, como mostram as fotos abaixo) e finalizar a saída da nova via na Theodoro Pasold. Depois disso, vem o segundo fato, esse não tão animador assim para quem aguarda o chamado “Acesso Norte”, uma demanda antiga que sempre volta aos holofotes nas campanhas eleitorais.
O que ocorre é que para o prolongamento da Via Expressa chegar à SC-108, a Rodovia Dr. Pedro Zimmermann, o governo terá de recomeçar os trâmites, detalhou Comper. E isso, claro, demandará tanto tempo que o secretário não arriscou estipular quanto. Conversas já são feitas com equipes da prefeitura para, em conjunto, gestões estadual e municipal decidirem pela solução. É possível, inclusive, que o projeto mude significativamente o trajeto do prolongamento até a rodovia.
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— Recurso tem, é um dos maiores investimentos de Santa Catarina em obra, mas não tem como tocar o projeto, é totalmente problemático — afirmou Comper.
Onze anos de espera
A primeira papelada, com R$ 140 milhões garantidos, foi assinada em 2014 pelo então governador Raimundo Colombo. Falta de licenças, divergências nas contas, investigação do Ministério Público e ausência de projetos e de licitação para 15 viadutos fizeram parte de uma série de percalços.
Como as desapropriações precisavam ser feitas, os trabalhos começaram apenas em 2016. No ano seguinte, que deveria ser o de conclusão, o volume de rochas encontrado foi maior do que o esperado, o que parou as máquinas.
A empresa vencedora da licitação solicitou um aumento no valor por conta do imprevisto e o governo contratou uma medição de referência para indicar a quantidade de pedras presentes no local. A história foi resolvida apenas em 2021, quando houve a assinatura para o reinício das obras. A última paralisação foi em agosto do ano passado, quando a obra esbarrou em questões ambientais.
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Ou seja, 11 anos depois do primeiro carimbo, nem os primeiros três quilômetros foram entregues.
Respiro
Conversas foram feitas com a empresa responsável, contou Comper, e nos “próximos dias” as máquinas devem voltar ao trecho inacabado. O prolongamento da Via Expressa continua parecendo um sonho distante, mas ao menos os moradores e frequentadores da Fortaleza Alta e Fidélis terão uma nova alternativa de mobilidade.
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