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    PSL diz que investigação da PF é seletiva e visa atingir partido de Bolsonaro 

    PF prendeu um assessor especial e dois ex-assessores do ministro Marcelo Álvaro Antônio em razão de investigação sobre candidaturas de laranjas do PSL na eleição de 2018

    27/06/2019 - 12h37 - Atualizada em: 27/06/2019 - 15h25

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    Folhapress
    Por Folhapress
    Ministro Marcelo Álvaro Antônio
    Marcelo Álvaro Antônio presidiu o PSL em Minas Gerais durante a campanha eleitoral de 2018
    (Foto: )

    Partido do presidente Jair Bolsonaro, o PSL divulgou nota na manhã desta quinta-feira (27) afirmando que as investigações da Polícia Federal (PF) sobre o caso das candidaturas laranjas têm o objetivo de atingir a sigla ao qual o presidente da República é filiado.

    "Todos os partidos políticos do Brasil tiveram candidatas cujo resultado nas urnas foi aquém da expectativa", diz a nota, referindo-se parcialmente a um dos indícios clássicos de candidaturas de fachada, as que recebem altas somas de dinheiro público, mas tem votação irrisória.

    "Só podemos classificar essa como uma investigação seletiva, com o objetivo de atingir o partido ao qual o presidente da República é filiado, embora ele não tenha nada a ver com isso. Todas as contas de campanha do PSL foram aprovadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e tudo foi feito dentro da legalidade", acrescenta a nota.

    As contas de campanha de 2018 ainda não foram aprovadas em sua integralidade. Candidatas do PSL suspeitas de serem laranjas, por exemplo, tiveram essa análise suspensa até a conclusão das investigações. O partido é comandado nacionalmente pelo deputado federal Luciano Bivar, que também é alvo de investigações da PF e do Ministério Público (MP) sob a suspeita de ter replicado o esquema em Pernambuco, sua terra natal.

    PF prende assessor especial e dois ex-assessores de ministro

    Nesta quinta-feira (27), a Polícia Federal prendeu em Brasília e em Minas Gerais um assessor especial e dois ex-assessores do ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) em razão de investigação sobre candidaturas de laranjas do PSL na eleição de 2018.

    A ação da PF é decorrência da apuração sobre caso revelado pelo jornal Folha de S.Paulo, em fevereiro. Os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão foram autorizados pela Justiça de Minas Gerais. Foram apreendidos computadores e telefones celulares.

    Bolsonaro tem dito que a situação do ministro do Turismo causa desgaste para o governo e que esperaria a conclusão da apuração da PF para decidir o destino de Álvaro Antônio. O presidente está em viagem ao Japão e ainda não se manifestou sobre as prisões.

    O caso das laranjas do PSL, partido de Bolsonaro, é alvo de investigações da PF e do MP em Minas e em Pernambuco e levou à queda do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que comandou o partido nacionalmente em 2018.

    Como mostraram as reportagens da Folha de S.Paulo, na eleição do ano passado, Álvaro Antônio, reeleito sendo o deputado federal mais votado em Minas, patrocinou um esquema de candidaturas de fachada no estado que direcionou verbas públicas de campanha para empresas ligadas ao seu gabinete na Câmara.

    Após indicação do PSL de Minas, presidido à época pelo próprio Álvaro Antônio, o comando nacional do partido de Bolsonaro repassou R$ 279 mil a quatro candidatas. O valor representa o percentual mínimo exigido pela Justiça Eleitoral (30%) para destinação do fundo eleitoral a mulheres candidatas.

    Apesar de figurar entre os 20 candidatos do PSL no país que mais receberam dinheiro público, essas quatro mulheres tiveram desempenho insignificante. Juntas, receberam pouco mais de 2.000 votos, em um indicativo de candidaturas de fachada, em que há simulação de alguns atos reais de campanha, mas não empenho efetivo na busca de votos.

    Dos R$ 279 mil repassados pelo PSL, ao menos R$ 85 mil foram parar oficialmente na conta de quatro empresas que são de assessores, parentes ou sócios de assessores do hoje ministro de Bolsonaro.

    A Polícia Federal vê elementos de participação de Álvaro Antônio na fraude e apreendeu documentos em endereços ligados ao PSL-MG. Segundo os investigadores, foram encontrados indícios concretos de que houve irregularidade na prestação de contas das campanhas.

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