A paixão por motores elétricos foi o elo que uniu Werner Ricardo Voigt, fundador da multinacional WEG, e um pequeno menino de apenas quatro anos, em 2008. Quase 20 anos depois, o “pupilo” Felipe Gartz Demo emocionou seus 28 mil seguidores ao relembrar a amizade com um dos donos do império de bilionários, que marcava presença em seus aniversário na infância.

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Ao NSC Total, o influenciador de 22 anos contou que conheceu Werner no restaurante da recreativa da WEG, um lugar que costumava frequentar com a família. Em uma das ocasiões, o pequeno almoçava com um motor WEG ao lado e chamou a atenção do empresário, que ficou impressionado pelo entusiasmo do menino.

— Eu sempre fui fascinado pelos pequenos motores elétricos que ficavam expostos no final do buffet. Alguns eram utilizados como porta-palitos ou porta-sal, mas havia um em especial que não tinha nada dentro. Sempre que podia, eu pegava aquele motor, levava até a mesa e fazia questão de almoçar com ele ao meu lado — afirma.

Veja fotos do menino com o fundador da WEG

Após uma breve conversa, Werner convidou a família para levar Felipe à uma visita técnica na fábrica da multinacional de Jaraguá do Sul. O encontro especial na sede da WEG aconteceu em 14 de novembro de 2008, poucos dias antes do menino completar cinco anos de idade.

Em outras ocasiões, os dois amigos voltaram a se encontrar. Todas as vezes, o assunto não poderia ser outro: os motores elétricos e as peças que dão vida às máquinas. Um fato curioso, inclusive, é que Werner foi o responsável por idealizar o protótipo de um motor que se tornou o produto originário da WEG. Visionário e apaixonado por inovação, ele comandava a tecnologia utilizada na fábrica. 

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Aniversários e comemorações com o “W” da WEG

Felipe lembra que foi surpreendido pela presença de Werner em algumas festas de aniversário ao longo da infância. Aos seis anos, a comemoração teve os motores elétricos como tema e, pela segunda vez desde que o conhecia, o jaraguaense recebeu o fundador em sua casa.

— Essa foi uma das lembranças mais especiais que guardo, porque ele chegou tocando “Parabéns a Você” na gaitinha de boca, um instrumento que ele gostava muito de tocar como hobby. Ver o Senhor Werner presente foi algo inesquecível para mim — conta.

Fundador da WEG chegando no aniversário de Felipe em 2009 (Foto: Arquivo Pessoal)

Além dos aniversários, o empresário também esteve presente na primeira comunhão de Felipe. 

— O mais curioso é que meus pais nunca me avisavam quando ele iria participar das comemorações. Eles conversavam com ele antecipadamente e verificavam sua disponibilidade, mas guardavam segredo. Então ele simplesmente aparecia, e eu ficava surpreso e muito feliz ao vê-lo. Era sempre uma alegria enorme perceber que ele havia reservado um tempo da sua agenda para estar presente em um momento importante da minha vida — destaca.

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“Humilde e acessível” 

Uma das lições que o jovem aprendeu com Werner foi a importância de que, por maior que seja o sucesso alcançado, nunca deve perder a simplicidade, a humildade e a capacidade de tratar bem as pessoas.

—  O que mais me impressionava não era o empresário ou o fundador. Era justamente a pessoa por trás de tudo isso. O Senhor Werner era extremamente simples, humilde e acessível. Ele não sentia necessidade de provar nada para ninguém. Nunca o vi se exibir por suas conquistas ou pela posição que ocupava. Era alguém que tratava as pessoas com respeito, gentileza e naturalidade, independentemente de quem fossem — diz.

Hoje, o sentimento é de saudade para o influenciador, que compartilha o seu dia a dia com os motores nas redes sociais, traduzindo para uma linguagem simples o universo das máquinas.

— Comecei produzindo conteúdo por diversão e continuo fazendo isso pelo mesmo motivo. Mesmo com o crescimento do público, meu conteúdo permanece extremamente técnico e especializado. (…) Procuro ensinar de maneira simples, direta e prática, utilizando aquilo que costumo chamar de “linguagem de oficina — afirma.

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Amizade entre os dois começou em 2008 (Foto: Arquivo Pessoal)

Além de influencer e apaixonado pelos motores, Felipe é formado em Eletromecânica pelo Senai e cursa Engenharia Elétrica. Devido ao estudo,  realiza estágio na área de Desenvolvimento e Aplicação de Motores Appliance na WEG, sua companheira desde a infância.

Como começou a paixão compartilhada por motores

Felipe conta que ninguém da família trabalha no segmento e que essa paixão pelos motores surgiu com ele de forma muito natural.

— Minhas primeiras lembranças são de quando eu observava os hidrômetros girando. Na época, todos achavam que era apenas uma curiosidade de criança, mas aquilo já demonstrava meu fascínio por mecanismos em funcionamento. Logo depois, passei a me interessar por máquinas de lavar roupa, uma paixão que mantenho até hoje — relembra.

Além disso, aos três anos começou a frequentar oficinas mecânicas com o pai, que sempre gostou de carros antigos. 

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— Enquanto muitas crianças olhavam para os carros, eu ficava encantado com os motores nos elevadores, os compressores, os esmeris e todas as máquinas presentes no ambiente. Meus pais sempre apoiaram esse interesse — conta.

Já entre os quatro e cinco anos, quando seu caminho se cruzou com o de Werner, começou a assistir vídeos sobre motores, analisar catálogos técnicos e visitar lojas especializadas da região.

Quem foi Werner Ricardo Voigt

Werner Ricardo Voigt é o nome por trás da primeira letra da sigla que dá nome à multinacional WEG, uma gigante de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina. Falecido em 2016, o catarinense teve uma trajetória marcada por inovação, espírito empreendedor e até paixão pela música.

A empresa de fabricação de motores elétricos foi fundada em 16 de setembro de 1961 pelo trio Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus. As habilidades do eletricista, administrador e do mecânico foram unificadas e resultaram na fundação da Eletromotores Jaraguá. Algum tempo depois, a empresa mudou de nome e passou a ser chamada de WEG, sigla que junta as iniciais dos fundadores e explica a origem do império.

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Descendente de imigrantes alemães vindos da região de Düsseldorf, Werner nasceu em 8 de setembro de 1930. Desde menino, sempre teve a eletricidade como uma paixão. Além disso, também despertou cedo para os prazeres da leitura por influência do avô, Leo Schulz, construtor e professor, que recebia inúmeros livros e revistas técnicas da Alemanha.

Já adolescente, foi morar em Joinville, onde estudava no Senai e trabalhava na oficina de Werner Strohmeyer. Aos 18 anos, foi convocado para servir ao Exército, em Curitiba, no Paraná. Após o serviço militar, foi um dos dois soldados selecionados para frequentar a Escola Técnica Federal, onde se especializou em radiotelegrafia e eletrônica.

Paixão pela música

Clarinetista desde os 14 anos, o catarinense tinha verdadeira paixão pela música, por influência do avô. Sabendo deste talento, Francisco e Adélia Fischer o convidaram para fazer parte de uma pequena orquestra montada com amigos e parentes e que ensaiava na sala da casa deles. Ela daria origem, em 1956, à Sociedade Cultura Artística (Scar), que é referência em atividades culturais no Norte de Santa Catarina.

Caminho até a WEG

Em setembro de 1953, Werner instalou uma pequena oficina no Centro de Jaraguá do Sul. O negócio, que prestava serviços gerais e atendia quase exclusivamente a manutenção de cerca de 20 veículos motorizados que circulavam pela cidade e região, cresceu e, mais tarde, o empreendedor utilizaria seu talento para dar início a WEG.

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*Sob supervisão de Leandro Ferreira