O nome de Eggon João da Silva é a segunda letra a formar o nome da multinacional WEG, de Jaraguá do Sul. Apesar de ser um dos primeiros empresários catarinenses a entrar na lista de bilionários da Forbes, iniciou sua trajetória profissional como um “faz tudo” em um cartório da cidade do Norte de Santa Catarina.

Continua depois da publicidade

Veja fotos

De “faz tudo” a sócio

Eggon nasceu em 17 de outubro de 1929 em um território que, atualmente, pertence ao município de Schroeder. Ele, porém, construiu sua vida na cidade vizinha Jaraguá do Sul. Aos 13 anos, já começou a trabalhar como “faz tudo” em um cartório da cidade.

Com a experiência que adquiriu em assuntos administrativos, passou a atuar em um dos principais bancos do Estado. Após 14 anos, deixou o emprego para tornar-se sócio da João Wiest & Cia. Ltda., uma firma especializada na produção de canos de escape para veículos. Na época, a empresa tinha apenas oito funcionários.

A origem da WEG

Quatro anos depois, Eggon deixou a empresa, que já tinha 150 funcionários, para enfrentar o maior desafio de sua carreira. Em setembro de 1961, ao lado dos amigos Werner Ricardo Voigt e Geraldo Werninghaus, fundou a WEG.

Eggon foi presidente da companhia até 1989 e participou diretamente dos destinos da empresa. Ele foi o primeiro líder que colocou a WEG entre as maiores do setor, com participação destacada no mercado nacional e internacional. Neste mesmo ano, passou o cargo ao seu filho Décio da Silva.

Continua depois da publicidade

Sua trajetória de vida e carreira foi inspirada pelo pai Emílio da Silva, que foi professor, fotógrafo, carpinteiro, marceneiro, músico e comerciante. Emílio escreveu o livro “Jaraguá do Sul — A povoação do Vale do Itapocu”, referência para muitos estudiosos da história catarinense até os dias atuais.

Empresário bilionário

A WEG cresceu tanto que os fundadores conquistaram fortunas bilionárias ao longo dos anos. Em 2014, Eggon, Werner e Lilian Werninghaus (viúva de Geraldo) se tornaram os primeiros catarinenses a integrar a lista de bilionários da revista Forbes.

Na época, a fortuna de cada um era estimada em 1,3 bilhão de dólares — R$ 6,79 bilhões na cotação atual da moeda de R$ 5,22 —, o que os posicionou na 1.284ª posição em uma lista com 1.645 nomes.

Atualmente, os netos dos fundadores já compõem a lista. Em março de 2026, Amelie Voigt Trejes, neta de Werner Ricardo Voigt, se tornou a nova bilionária mais jovem do mundo, conforme a Forbes.

Continua depois da publicidade

As grandes fortunas levaram a WEG a ser conhecida como a “fábrica dos bilionários”. A empresa produz mais de 21 milhões de motores por ano e exporta para mais de 135 países.

Família e polêmicas

Eggon João da Silva foi casado com Laura Augusta da Silva, com quem teve cinco filhos: Décio da Silva, Marcia da Silva Petry, Katia da Silva Bartsch, Solange da Silva Janssen e Tânia Marisa da Silva.

Quando tinha cerca de 80 anos, Eggon foi diagnosticado com a Doença de Parkinson. Ele conviveu aproximadamente cinco anos com a doença quando, em 2015, contraiu uma pneumonia e precisou ser internado no Hospital São José em Jaraguá do Sul. Eggon ficou cerca de 10 dias internado devido a dificuldades respiratórias, mas não resistiu às complicações.

Eggon morreu no dia 13 de setembro de 2015. Sua cerimônia de despedida foi visitada por centenas de pessoas na associação recreativa da empresa, conforme reportagem publicada pelo Jornal A Notícia no dia seguinte à morte. Na época, seu filho, Décio, contou que seu pai deixou um “legado muito importante”.

Continua depois da publicidade

— Ele nos deixa um legado muito importante, e agora cada um de nós fica com um pedacinho dele — comentou, emocionado.

No mesmo ano da morte do empresário, um homem entrou com um pedido judicial para ser reconhecido como filho de Eggon e receber parte de sua herança bilionária. Após sete anos, a Justiça reconheceu o direito e o filho recebeu, em cinco parcelas, um valor estimado em R$ 1 bilhão. O acordo ocorreu em sigilo.

Além da WEG

A trajetória de Eggon não está ligada apenas à WEG. O empresário fez parte dos conselhos de quatro grandes empresas: Oxford, Tigre, Marisol e Perdigão. Nesta última, inclusive, exerceu a função de diretor presidente entre 1994 e 1995, momento em que cumpriu a dura missão de recuperação financeira da empresa.

Frase marcante de Eggon

“Quando faltam máquinas, você as pode comprar; se não tiver dinheiro, pode pegar emprestado; mas homens você não pode comprar ou pedir emprestado, e homens motivados são a base do êxito.”

Continua depois da publicidade