nsc
    dc

    Diplomacia

    "Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora", diz Bolsonaro sobre sanções pela Amazônia

    Sem reconhecer a vitória de Biden, presidente cita "grande candidato à chefia de Estado"

    10/11/2020 - 19h06 - Atualizada em: 10/11/2020 - 20h21

    Compartilhe

    Folhapress
    Por Folhapress
    Jair Bolsonaro
    Jair Bolsonaro
    (Foto: )

    Sem reconhecer a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos há quatro dias, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta terça-feira (10) que é "preciso ter pólvora" para fazer frente a candidato a chefe de Estado que quer impor sanção por causa da Amazônia. 

    - Todo mundo que tem riqueza não pode dizer que é feliz, não, tem que tomar cuidado com a riqueza, porque está cheio de malandro de olho nela. E o Brasil é um país riquíssimo. Assistimos há pouco um grande candidato à chefia de Estado dizer que se eu não apagar o fogo da Amazônia levanta barreiras comerciais contra o Brasil. E como é que podemos fazer frente a tudo isso? Apenas a diplomacia não dá, não é, Ernesto [Araújo, chanceler]? Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora, senão, não funciona - afirmou Bolsonaro.

    > "Tem que deixar de ser um país de maricas", diz Bolsonaro sobre combate à Covid-19

    Bolsonaro afirmou ainda que o Brasil não tem apenas riquezas minerais, mas campos agricultáveis e regiões turísticas.

    - Não precisa nem usar pólvora, mas tem que saber que tem. Esse é o mundo. Ninguém tem o que nós temos.

    > Derrota de Trump deixa Bolsonaro com poucos aliados nas Américas

    O presidente ainda disse que é preciso "fortalecer" o Brasil, "liberando a economia, o livre mercado". "Dando liberdade para quem quer trabalhar, não enchendo o saco de quem quer trabalhar, quem quer produzir", afirmou o presidente.

    Bolsonaro deu as declarações ao falar para um público formado por empresários do setor do turismo num evento para lançar políticas para impulsionar a área no Brasil. Este é o quarto dia seguido em que Bolsonaro ignora a vitória de Biden nos EUA contra o republicano Donald Trump. Biden, adversário do republicano, foi declarado vencedor na tarde do último sábado (7).

    > Opinião: Bolsonaro é leviano e irresponsável ao "comemorar" suspensão de vacina por morte de voluntário

    A postura do presidente brasileiro contrasta com a de outros líderes mundiais que já parabenizaram o democrata pela eleição.

    Até agora, segundo auxiliares diretos de Bolsonaro ouvidos pela Folha, a decisão do mandatário é a de só felicitar Biden e se manifestar publicamente sobre o pleito após a conclusão de disputas judiciais e recontagens de votos solicitadas por Trump.

    O republicano ainda não reconheceu a derrota e alega ter sido alvo de uma fraude eleitoral. Pode levar semanas para que haja o desfecho desses questionamentos. Diferentemente do Brasil, os EUA não têm uma autoridade eleitoral nacional, e o vencedor é declarado por projeções da mídia do país.

    Bolsonaro torcia publicamente pela reeleição de Trump. Ao contrário do presidente brasileiro, o premiê britânico, Boris Johnson, um dos principais aliados do presidente Donald Trump na Europa, cumprimentou Biden pela vitória.

    > Vice-presidente Hamilton Mourão virá a SC em dezembro

    Além de Boris, publicaram mensagens de parabéns nas redes sociais o presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, o premiê de Portugal, António Costa, e o governo alemão, chefiado pela chanceler Angela Merkel. Na América Latina, líderes também já felicitaram Biden, como os presidentes Alberto Fernández, da Argentina, e Sebastián Piñera, do Chile.

    O presidente da Colômbia, Iván Duque, também se pronunciou.

    No Brasil, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, também se manifestaram.

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Política

    Colunistas