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Opinião

Bolsonaro é leviano e irresponsável ao "comemorar" suspensão de vacina por morte de voluntário

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Por Dagmara Spautz
10/11/2020 - 17h02 - Atualizada em: 10/11/2020 - 17h57
Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Tiago Ghizoni, Arquivo NSC)

A ‘celebração de vitória’ de Jair Bolsonaro em resposta a um seguidor nas redes sociais, diante da morte de um voluntário dos testes da Coronavac – suicídio, como veio a público depois – é o retrato lamentável de um governante que parece estar mais preocupado com a reeleição, daqui a dois anos, do que com a saúde e a vida da população que ele representa.

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A interrupção dos testes de um imunizante, por qualquer motivação, é justificada e esperada. A politização da vacina, não é. A leviandade do presidente levou à divulgação desnecessária de uma morte trágica, um doloroso drama privado que foi exposto para o Brasil e o mundo.

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Com suas cutucadas, o governador de São Paulo, João Doria, tem seu papel nessa ‘briga de foices’ que se tornou a vacinação contra Covid-19 no Brasil. Bolsonaro, que vive para o confronto, responde. E leva junto o Brasil, ladeira abaixo.

Ocorre que o estrago que o presidente da República tem provocado não se limita a suscitar desconfiança sobre uma eventual aprovação da Coronavac – que ainda está em fase de testes, como todas as outras vacinas, e pode nem vingar.

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Primeiro, porque o discurso de que ‘ninguém pode ser obrigado’ a tomar vacina e a exposição de efeitos colaterais aleatórios minam a confiança do brasileiro no amplo programa de imunização pública e gratuita, que é um dos patrimônios do nosso Sistema Único de Saúde (SUS). O risco é reduzir a adesão a outras vacinas, igualmente importantes – e que são obrigatórias no Brasil. O presidente coloca em xeque o pacto de saúde coletiva que faz com que a imunização funcione.

Segundo, porque coloca uma interrogação sobre a lisura do trabalho de instituições respeitadas como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que se viu envolvida em suspeitas de uso político e aparelhamento em meio a esse episódio. Ninguém sai ganhando com isso, especialmente o órgão federal.

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Com centenas de milhares de vidas perdidas, e uma crise econômica que varre empresas e empregos, qualquer chefe de estado respirará aliviado quando a ciência entregar ao mundo uma vacina contra a Covid-19 que funcione. Menos Jair Bolsonaro, para quem a vacina deve servir a seus objetivos políticos.

Se as instituições falharam em impor parâmetros de decência ao presidente da República na condução da pandemia, ele precisa saber quais são os limites da ética.

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O que acontece de mais relevante em boa parte do litoral catarinense, especialmente Itajaí e Balneário Camboriú. Fontes exclusivas e informações de credibilidade nas áreas de política, economia, cotidiano e segurança.

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