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Joe Biden é eleito presidente dos Estados Unidos, projeta imprensa americana

A disputa entre Joe Biden e Donald Trump foi uma das mais acirradas na história das eleições norte-americanas

07/11/2020 - 12h33 - Atualizada em: 07/11/2020 - 14h43

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Folhapress
Por Folhapress
Biden e Trump disputavam os votos para a presidência dos Estados Unidos
Biden e Trump disputavam os votos para a presidência dos Estados Unidos
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Joseph Robinette Biden Jr., 77, foi declarado presidente eleito dos Estados Unidos neste sábado (7), segundo projeção da rede de notícias CNN, na semana em que completou 50 anos desde a primeira vez que assumiu um cargo político. Os EUA escolhem, assim, Biden como o 46º presidente de sua história, depois de o democrata derrotar Donald Trump numa disputa histórica e acirrada, que o atual líder americano decidiu levar à Justiça.

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Antes mesmo de haver um resultado final, o republicano se declarou vencedor da eleição e disse que iria à Suprema Corte para interromper a contagem de votos — com o temor de que aqueles enviados por correio, de maioria democrata, virassem o jogo em estados-chave, como de fato aconteceu.

Trump entrou com ações judiciais em Geórgia, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia. Obteve vitória parcial na Pensilvânia e três derrotas, uma da quais também na Pensilvânia, e as outras em Geórgia e Michigan.

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Em Wisconsin, onde o democrata venceu com menos de 1 ponto percentual de diferença, o atual presidente pediu recontagem dos votos, alegando, sem apresentar provas, que o voto postal gera fraudes. A projeção da vitória de Biden veio com os resultados na Pensilvânia, estado que os democratas perderam para Trump em 2016 e que foi reconquistado neste ano. Assim, o agora presidente eleito atingiu ao menos 273 votos no Colégio Eleitoral, acima do mínimo de 270, enquanto o candidato republicano conquistou, até o momento, 214.

Em relação ao apoio popular, Biden registra mais de 74 milhões de votos, recorde nos Estados Unidos e um marco num país onde a participação não é obrigatória. Trump, por sua vez, contabiliza ao menos 70 milhões de apoios na 59ª eleição presidencial americana desde 1788.

Em 4 de novembro de 1970, Biden assumia uma cadeira no conselho do condado de New Castle, em Delaware, espécie de Câmara de Vereadores. Meio século depois, vence a corrida à Casa Branca como o presidente mais velho a tomar posse –terá 78 anos na cerimônia de 20 de janeiro.

A noite da eleição, na terça (3), começou com a expectativa de que Biden superaria Trump com ampla vantagem, mas o republicano ganhou a decisiva Flórida e iniciou uma ilusão vermelha inicial, com uma série de triunfos e lideranças em estados-chave, o que manteve as chances de reeleição.

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Ao vencer no Texas, em Iowa e em Ohio durante a madrugada de quarta (4), Trump fez muitos apoiadores de Biden temerem uma repetição de 2016, quando o presidente derrotou Hillary Clinton ao vencer na maior parte das regiões decisivas, contrariando as pesquisas.

Os levantamentos, aliás, novamente subestimaram o voto no republicano, que teve mais apoio do que o esperado entre latinos no Sul e no geral no Meio-Oeste –região crucial para sua vitória há quatro anos.

Já a liderança inicial em estados que depois seriam conquistados por Biden pode ser explicada pelo fato de que muitas regiões contabilizam o voto presencial –que favoreceu o republicano– antes dos votos antecipados, que incluem as cédulas enviadas pelo correio, em sua maioria de eleitores democratas.

Em Michigan e Wisconsin, por exemplo, Biden ultrapassou Trump conforme os votos por correspondência eram contados, principalmente nas grandes cidades, geralmente mais progressistas. Devido à pandemia, mais de 100 milhões votaram de forma antecipada, cerca de dois terços deles pelo serviço postal.

Primeiro desafio é a pandemia

Como presidente, o desafio inicial do ex-vice de Barack Obama será controlar a crise sanitária que colocou os EUA como líderes em números de mortes e diagnósticos de Covid-19, enquanto administra as diversas alas de um Partido Democrata que se uniu para barrar Trump, mas que deve reviver diferenças no governo.

Biden saiu de uma pré-campanha desacreditada, no início do ano, com resultados frustrantes nas primárias de Iowa, New Hampshire e Nevada, para ser nomeado o candidato democrata.

Depois de uma vitória arrebatadora nas primárias da Carolina do Sul, no fim de fevereiro, fidelizou o eleitorado negro e ressurgiu como a principal aposta contra Trump.

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Consolidou-se como alternativa a Bernie Sanders, senador progressista e principal rival no duelo interno pela nomeação, e uniu o centro democrata em uma articulação bem montada, que começou com a desistência de rivais às vésperas da Superterça, em março, até Sanders abrir mão da corrida, em abril.

Biden fez um campanha focada em Trump e nos erros do presidente no combate à pandemia. Apresentava-se como o único líder capaz de unir um país dividido pelo republicano, em meio a uma crise que deixou ao menos 236 mil mortos e 11,1 milhões de desempregados.

Assim, tentava cristalizar um sentimento mais anti-Trump do que pró-Biden entre fatias decisivas do eleitorado. Não era preciso gostar de Biden, diziam auxiliares do democrata. Bastava não gostar de Trump.

A narrativa da campanha democrata era de que Biden, segundo presidente católico dos EUA, depois de Kennedy, conseguiu se reerguer mesmo depois de ter perdido a primeira mulher e uma filha num acidente de carro em 1972 e, quatro décadas depois, outro filho, vítima de câncer no cérebro.

Com experiência e empatia com a dor do povo americano, argumentava, poderia reconstruir os EUA em um de seus momentos de maior dificuldade.

A partir de janeiro, Biden precisa mostrar que é possível colocar seu plano em prática diante do aumento dos casos de Covid-19 nos EUA. Um dia após a votação, o país registrou o maior índice de contaminação diária desde o início da pandemia: 100 mil casos, sinalizando que os EUA estão longe de controlar o vírus.

Além de combater a crise sanitária, o democrata precisa trabalhar em um pacote de estímulo econômico.

Em seus discursos, tem dito que vai "acabar com o vírus" e não "fechar o país". Também promete restaurar a normalidade e a confiança nas instituições americanas em um país polarizado. Em busca da reeleição, Trump colocou a democracia dos EUA sob seu maior teste de estresse desde a Guerra Civil, entre 1861 e 1865, quando estados do Sul lutaram contra os do Norte pela manutenção da escravidão no país.

Trump deslegitima processo eleitoral

O republicano deslegitimou o processo eleitoral e usou o governo para atender suas vontades e tentar garantir sua reeleição, em manobras que incluíram interferência estrangeira e pressão a funcionários e autarquias do Executivo. Apesar de derrotado, Trump permanece como uma força política importante.

Uma mostra dessa força é que Biden foi o primeiro presidente desde John F. Kennedy, em 1960, a se eleger sem conquistar os estados de Ohio e Flórida, e projeções indicam que o Senado deve seguir com maioria republicana. Na Câmara, a margem democrata perdeu fôlego, frustrando expectativas do partido.

Trump também trabalhou por quatro anos para moldar o Judiciário americano e nomeou mais de 200 juízes federais e três nomes à Suprema Corte, ampliando a maioria conservadora na corte. As decisões da instância máxima da Justiça nos EUA seguirão decisivas mesmo sob um governo democrata.

No plano global, a derrota de Trump, apenas o terceiro titular eleito a não conseguir um segundo mandato nos EUA desde a Segunda Guerra, é um aviso a populistas autoritários em todo o mundo, com Jair Bolsonaro à frente. O brasileiro desenhou um alinhamento total com o republicano, e agora terá de lidar com um democrata que já o criticou devido às queimadas na Amazônia.

Protestos pelas ruas do país

Diante da polarização incentivada por Trump, o temor era que protestos violentos tomassem as ruas de várias cidades no dia da eleição e também depois da divulgação do resultado. No domingo (31), a três dias do pleito, estabelecimentos comerciais da capital Washington reforçaram a proteção de suas portas e janelas, com tapumes e outras medidas de segurança, principalmente nas cercanias da Casa Branca.

A partir de agora, Biden inicia a montagem de uma equipe de transição, mas as especulações sobre quem será nomeado começaram há dias, conforme sua liderança se mantinha consolidada nas pesquisas.

A senadora Elizabeth Warren, que foi pré-candidata democrata à Casa Branca e se tornou uma das principais conselheiras de Biden, pode assumir um posto da área econômica. Pete Buttigieg, que também concorreu às primárias, pode ficar com um dos postos com influência militar — ele é veterano.

Os dois representam alas diferentes do partido e mostram o desafio que Biden terá para tentar acomodar as correntes internas. Sanders e a estrela democrata Alexandria Ocasio-Cortez, por exemplo, integram um campo ainda mais à esquerda que Warren, por exemplo, e têm influência sobre parte importante da sigla.

Biden formou uma agenda de campanha que incorporou planos bastante progressistas. Agora é preciso saber até onde ele vai como presidente para implementá-los.

Quando terminar o mandato, o democrata terá 82 anos. Ele mesmo já se descreveu como um "presidente de transição", e a escolha da senadora Kamala Harris, 56, que agora se torna a primeira mulher negra e de ascendência asiática a assumir a Vice-Presidência americana, desponta para o futuro — em 2024.

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